Juros altos não são solução para o país
Escrito por Imprensa, postado em 25 dEurope/London janeiro dEurope/London 2008
24/01/2008 10:43
Por Zé Dirceu
O Conselho de Política Monetária (COPOM) do Banco Central (BC) manteve inalterada a taxa básica de juros do país. É a terceira reunião consecutiva em que continuam com esta mesma posição conservadora. Aliás, além de manterem esta ortodoxia, por tudo o que acompanhamos, temos que rezar para que os juros não sejam aumentados ainda mais para garantir os ganhos rentistas.
Com a manutenção desta política, desviamos um precioso capital que poderia financiar nossas empresas e investimentos. A prova disso é uma informação perdida no noticiário, hoje totalmente dominado pela crise nos Estados Unidos e sua repercussão em Davos (Suíça) .
Esta informação nos dá a senha do que realmente está acontecendo no Brasil e dos resultados desta política de juros altos: pela primeira vez nos últimos cinco anos, os rendimentos na aplicação em ações, no mercado de capitais, ultrapassaram os ganhos na aplicação rentista, nos títulos do Tesouro – em última instância nesta taxa Selic de juros.
Para mim, hoje, nada é mais importante do que instituir no país, ao lado dos fundos de pensão e de um eficiente sistema bancário, particularmente o público – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, do Brasil, do Nordeste, Caixa Econômica Federal – um forte e massivo mercado de capitais, que democratize as empresas, mude o seu comportamento e amplie sua transparência, regulação social e ambiental.
Mas, infelizmente, não é esse o centro da política que predomina no BC. O que prevalece é esta ortodoxia de manutenção dos juros altos, sem falar nos que vêm com cantos de sereia, com apelos para uma elevação ainda maior destes juros, do superávit primário, e de cortes dos gastos públicos.
Não é possível que uma nação como o Brasil, com uma economia desenvolvida, fatores de produção abundantes, tendo em sua fronteira um conjunto de países à espera de uma maior integração econômica, não tenha outra saída para resolver suas necessidades sociais e de infra-estrutura e, assim, tirar milhões e milhões do desemprego e da pobreza.
Tem sim, e ela já foi provada nesses últimos dois anos com sucesso. A saída é crescer e crescer. Priorizar o investimento e a produção, ousar, ter audácia. É correr riscos, acreditar no país e no seus empresários e trabalhadores.
A hora é de avançar. Em frente, nada de recuo. Vamos manter nossa demanda aquecida, fortalecer a aliança do governo com o empresariado, resolver os pontos de estrangulamento da infra-estrutura, consolidar o mercado interno, integrar a América do Sul e ampliar nossa participação neste mercado externo.
Vamos crescer, criar empregos, aumentar a distribuição da renda nacional, fazer as reformas necessárias. Não há outro caminho. Se não tivermos a coragem de fazer isso, não resta mesmo outra saída a não ser o retorno ao passado que o povo sepultou nas urnas em 2002 e 2006.










