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Blog do Desemprego Zero

Júlio Sérgio Gomes de Almeida : “A conta do real forte chegou”

Escrito por Imprensa, postado em 25 dEurope/London janeiro dEurope/London 2008 Imprimir Enviar para Amigo

Isto é Dinheiro n. 538

21/1/2008


por Lana Pinheiro

O economista Júlio Gomes de Almeida, diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), conhece a máquina pública como poucos. Durante sua trajetória profissional, passou três vezes por Brasília. Na mais recente, já no governo Lula, foi designado pelo ministro Guido Mantega para assumir a Secretaria de Política Econômica da Fazenda. Sua missão era viabilizar o desenvolvimento do País, equilibrando os mercados interno e externo. Julinho, como é conhecido, jogou a toalha depois de não conseguir emplacar medidas para conter a valorização do real. Nesta entrevista, ele se diz preocupado com o retorno da inflação, com a crise americana e com os efeitos do câmbio sobre a balança comercial. “É uma pena que esses fatores estejam acontecendo agora, quando, enfim, havia chegado a vez do Brasil.”

DINHEIRO – A primeira quinzena do ano foi bastante movimentada. O que ela indica para o resto do ano?

JÚLIO GOMES DE ALMEIDA – Que teremos um 2008 de muita dor de cabeça. E duas notícias dadas nesses primeiros dias são bastante preocupantes.

DINHEIRO – Quais?

ALMEIDA – A primeira delas é a inflação. No ano passado, a inflação fechou na meta, em 4,5%, enquanto em 2006 foi de 3,1%. Como não é uma inflação de demanda, o Banco Central não deve elevar os juros, mas essa alta é preocupante e forçará o governo a ficar atento.

DINHEIRO – E a segunda?

ALMEIDA – É a estagflação dos Estados Unidos, isso pensando na melhor das hipóteses. Na hipótese pior, veremos uma recessão norte-americana que desencadeará uma grave crise internacional. Se isso de fato acontecer, o governo brasileiro vai sofrer com um menor raio de manobra para fazer a economia do País crescer em 2008.

“A China flexibilizou o iuane, que valorizou 10%, metade do que aconteceu aqui” – Funcionária do Banco da China, com nota de 5 iuanes

DINHEIRO – Ainda tem um terceiro elemento, que foi a mudança do comportamento da balança comercial provocada pelo aumento das importações.

ALMEIDA – A boa notícia é que nestes últimos anos fizemos uma coisa muito correta, com a ajuda do mundo, que foi acumular muita reserva. Hoje, temos US$ 180 bilhões em reservas. Isso significa que, se o saldo da balança comercial cair dos US$ 40 bilhões do ano passado para US$ 20 bilhões, teremos absoluta tranqüilidade para suportar o problema. Mas que fique claro: suportaremos se o problema for somente esse.

DINHEIRO – E se não for?

ALMEIDA – Pois é. O problema do saldo é o que ele sinaliza para 2008, 2009, 2010. Porque com essa redução do saldo comercial nós já vamos ter déficit em transações correntes neste ano. O que assusta para 2008 é a inflação e a crise internacional, mas estamos dando um sinal de que estamos voltando àquela fase de 1999 a 2002, marcada por muita vulnerabilidade externa. A conta do Real forte chegou.

DINHEIRO – Até que ponto as reservas internacionais protegem o País? No caso de uma crise mais aguda, elas não podem facilmente evaporar?

ALMEIDA – Claro. Se mudam as condições da balança comercial e as condições financeiras, a reserva pode se perder. Acontece que hoje temos uma proteção maior do que no passado. Eu calculo que o Brasil tem compromissos de curto prazo de algo em torno de US$ 250 bilhões. Nós temos US$ 180 bilhões em reservas, que logo devem chegar a US$ 200 bilhões. Já tivemos uma relação muito mais perversa com compromissos de US$ 150 bilhões e US$ 30 bilhões de reserva. Mas a proteção em economia é sempre relativa. Se a crise internacional for muito grande, o Brasil vai entrar no bolo e vai sofrer.

DINHEIRO – Quais as chances de isso acontecer?

ALMEIDA – Eu acho que isso não vai acontecer. Na minha opinião, a economia americana vai crescer. Muito pouco, mas vai crescer. Internamente, acho que passaremos o ano sem corte de juros e com um crescimento menor do que o do ano passado. Algo em torno de 4%.

DINHEIRO – Com esse cenário e um dólar desvalorizado, qual será o comportamento da balança comercial brasileira?

ALMEIDA – A balança vai cair muito, para um nível de saldo de US$ 20 bilhões a US$ 30 bilhões.

DINHEIRO – E aí a pressão sobre o dólar aumenta mais? Podemos esperar uma desvalorização ainda mais forte da moeda americana?

ALMEIDA – Não creio. Eu acho que existem alguns riscos de pressão. A crise internacional pode se mostrar um pouco mais grave e provocar uma saída mais forte de recursos do Brasil. Mas, em contrapartida, os juros devem continuar elevados e haverá um maior risco associado a operações internacionais. Há hoje um fator pró-valorização do real, que é a nossa taxa de juros. E há um fator antivalorização, que é a crise internacional. No fim das contas, acho que o dólar permanece na casa do R$ 1,70, R$ 1,75. E aí cabe uma lamentação.

DINHEIRO – Qual?

ALMEIDA – É uma pena que o cenário internacional esteja mudando, porque era a vez do Brasil. Nossa economia, nossas empresas estavam indo muito bem.

DINHEIRO – Era a vez do Brasil? Não é mais?

ALMEIDA – Acho que se for a vez de alguém é a vez do Brasil. Mas o mundo está mais cauteloso, o que pode se traduzir em uma entrada de recursos e de investimentos no Brasil menor do que o nosso potencial.

DINHEIRO – Os investimentos estrangeiros diretos devem diminuir?

ALMEIDA – Acho que sim. Em 2007 eles ainda vieram bem, com volume de US$ 35 bilhões, um número muito bom. Talvez um pouco menos justamente pelo cenário internacional conturbado. Para este ano deve ser menos.

DINHEIRO – Com a desvalorização do dólar, as importações crescem em uma velocidade superior às exportações. Há riscos de a balança brasileira ficar deficitária?

ALMEIDA – Nos últimos três meses do ano passado as importações cresceram 40%, enquanto as exportações, 18%. Se esse comportamento se mantiver, teremos um superávit de apenas US$ 20 bilhões este ano. Mas as importações devem continuar a crescer mais do que as exportações e, se isso se mantiver por três ou quatro anos, poderemos ter uma balança deficitária.

DINHEIRO – Os setores exportadores tinham razão quando se queixavam do câmbio?

ALMEIDA – Quando os setores reclamam do dólar, o que eles pleiteiam é maior estabilidade. Um exemplo: a China “liberalizou” sua moeda há cerca de dois anos, permitindo que o iuane flutuasse mais. Sabe quanto valorizou o iuane? 10%. Sabe quanto nossa moeda valorizou só no ano passado? 18%! Quase o dobro. Se tivéssemos adotado um padrão chinês nesse campo, eu diria que a indústria teria condição de absorver uma valorização. Agora quase 20% é muito difícil.

DINHEIRO – Mas, mesmo com essa desvalorização, muitas indústrias, como a automotiva, conseguiram bater recorde de exportação em valores. Em unidades, o desempenho caiu, mas a produção continua em alta. Com estes números, não fica difícil exigir mudanças no câmbio?

ALMEIDA – As grandes empresas conseguem evitar o pior. Muitas delas estão se beneficiando por um mercado interno muito forte. Mas a questão é uma só: se o dólar fosse um pouco mais equilibrado, um pouco menos desvalorizado, teríamos mais investimentos na economia. Porque além de os investimentos mirarem o mercado interno, como acontece hoje com quase exclusividade, eles mirariam também o mercado externo. O investimento está crescendo 12%, é bom, mas poderia estar em 18%. Nenhum país do mundo abre mão do mercado externo para crescer, só o Brasil. O que o País está fazendo com a opção de taxa de juros/câmbio é ter um crescimento de investimento menor, é se basear no mercado interno. Mas nós não estamos em um mundo globalizado? China, Índia, Chile fazem assim? Não. Eu acredito que o crescimento de um país deve ser balanceado entre mercado interno e externo.

DINHEIRO – A situação ainda não fica mais grave com o aumento das importações? Além dos mercados externos, as empresas brasileiras não começam a perder espaço no mercado interno?

ALMEIDA – O mercado interno muito dinâmico está compensando isso. Mas o setor de calçados, por exemplo, está com taxas de crescimento negativas. O setor de madeiras também. E são quedas provocadas pelo câmbio, a despeito de toda a pujança do mercado interno. No caso de alguns setores de bens de consumo duráveis, o crescimento do mercado interno capaz de compensar a queda da exportação está na casa dos 20%. Para suportar isso, o crédito tem crescido a uma taxa real de 20%. Isso é sustentável por quanto tempo? Estamos exagerando na dose do mercado interno.

DINHEIRO – Há sinais de esgotamento no mercado interno?

ALMEIDA – Não. O mercado interno deve continuar a crescer em 2008. O problema do Brasil está concentrado nas exportações com o câmbio desvalorizado. Nós crescemos 18% em exportações e metade disso graças aos preços internacionais, que nos beneficiaram. Poderíamos crescer muito mais. E não vamos esquecer que o Brasil tem aproximadamente 0,9% do comércio mundial. Há cinco anos, quando começou o processo de aumento das exportações e geração de superávit altíssimo, nossa participação no comércio mundial também era de 0,9%. Então, o Brasil, em termos relativos ao avanço do mundo e de outros países, nadou, nadou, nadou para ficar no mesmo lugar. E com um detalhe, nossas exportações estão cada vez mais focadas em commodities agrícolas e minerais.

DINHEIRO – Isso explica o recorde do campo, com saldo de US$ 49,7 bilhões?

ALMEIDA – Se não tem câmbio, o exportador tende a exportar mais em setores que tiveram maior valorização. O risco é se concentrar só em commodity e perder competitividade em setores mais intensivos em tecnologia, reduzindo investimentos e emprego.



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