HAVERÁ OUTRO APAGÃO? A oferta de energia não poderá limitar o crescimento
Escrito por Gustavo, postado em 8 dEurope/London janeiro dEurope/London 2008
Gustavo Antônio Galvão dos Santos
José Francisco Sanches da Silva
A escassez de investimentos em geração de energia elétrica no passado recente é evidente. Entretanto, ela não será uma real restrição física ao crescimento, se adotarmos um planejamento efetivo da produção e do consumo. Esse planejamento mais rigoroso é necessário ao menos enquanto se espera a maturação dos grandes investimentos. O atraso das hidroelétricas pode levar, no máximo, a um pequeno aumento no custo médio das empresas, jamais uma barreira ao crescimento.
Leia o Artigo publicado na Revista Inteligência 09/2007











10 dEurope/London janeiro, 2008 as 8:39 am
Caro Gustavo;
Fico um pouco preocupado com o entusiasmo com a “flexibilidade” do setor elétrico brasileiro. Penso que todas as vantagens de um sistema integrado com reservatórios que você aponta estão corretas. Entretanto, quando se trata de avaliar a segurança do abastecimento, acho que a diferença do nosso sistema para um térmico não é tão significativa. Como tenho insistido nos meus artigos, há uma questão de critérios muito mal entendida.
O aspecto central é o chamado custo marginal de operação. Mas, atenção, não o conjuntural do mês de janeiro de 2008, e sim o estrutural, calculado simulando uma média de diversas situações hidrológicas. Esse independe da situação climática momentânea. O grande termômetro é comparar esse custo médio com o custo marginal de uma nova usina. Se o primeiro é muito maior do que o segundo, estamos em risco estrutural. Se o contrário acontecer, estamos com excesso de oferta e risco baixo.
Veja que, adotado esse critério, algumas situações bizarras podem acontecer:
• Pode-se estar com os reservatórios cheios e, mesmo assim o indicador apontar para o desequilíbrio. Para isso basta que o Operador vislumbre situações futuras onde haja a necessidade de muita geração térmica e com probabilidades de déficit não desprezíveis. Repare que o dado importante não a afluência do mês e sim a média de todas as situações que podem ocorrer.
• Pode-se estar com os reservatórios bastante vazios e, mesmo assim, o indicador o custo marginal médio ser inferior ao custo de expansão. Para isso basta o operador vislumbrar uma situação confortável futura. Nesse caso, muito provavelmente, se houver racionamento, a culpa é de São Pedro mesmo!
A primeira vista parece estar tudo errado, mas, esses exemplos, são extremos que podem perfeitamente acontecer. Portanto, adotado esse critério estrutural, temos um indicador que nos avisa de um problema com toda antecedência necessária. Ou seja, os reservatórios, nesse caso, apenas mascaram o problema. Mas, com certeza, o problema estrutural existe e em minha opinião, contar com esse “quebra galho” é muito ruim.
Nesse momento, parece que, mais uma vez, se subestimará o problema do racionamento caso venha um janeiro chuvoso. Podemos não tê-lo, mas a confiabilidade está comprometida.
Abraço
Roberto Araujo
10 dEurope/London janeiro, 2008 as 10:06 am
Prezado Roberto,
se eu entendi bem seu comentário, eu concordo plenamente com o que você falou. Mesmo porque, se eu não concordasse, provavelmente estaria errado, pois você é um grande conhecedor do sistema elétrico.
Mas acho que eu não deixei claro o espírito do artigo que escrevemos.
De maneira nenhuma propomos contar com “quebra galhos”, nem estamos entusiasmados com a flexibilidade e nem subestimamos o problema do racionamento. Não queremos passar a mão na cabeça do governo. A intenção do artigo é principalmente mostrar que o governo FHC e o governo Lula comentaram e continua cometendo irresponsabilidades gravíssimas (eu vejo assim) com relação aos investimentos no setor elétrico. E essas irresponsabilidades só não são causam problemas mais sérios em decorrência de uma especial flexibilidade do sistema no curto e médio prazo, com e sem racionamento. Acho que temos que dar o mérito ao sistema criado pela Eletrobrás nos últimos 50 anos, não é?.
Mas, concordo plenamente, a longo prazo essas irresponsabilidades certamente pagarão o seu preço, sobre o povo e não sobre os grandes especuladores do atual setor elétrico.
acho que seu comentário acrescido de uma introdução daria um bom artigo.
obrigado por levantar esse esclarecimento.
abraços,
Gustavo
10 dEurope/London janeiro, 2008 as 11:03 am
Talvez eu tenha entendido errado, mas, para o leitor não especialista, acho que passa um pouco essa idéia de que no Brasil é possível arriscar. E o pior é que é mesmo! Só que é muito ruim e é um desrespeito ao consumidor cuja tarifa paga inclui a confiabilidade.
Outro ponto do artigo que eu vejo com reservas é a questão da repotenciação das usinas. Acho que o Célio Berman superestima esses resultados. Já conversei com ele sobre isso.
Uma coisa é o aumento do rendimento quando a usina está na sua potência nominal, com todas as máquinas funcionando. Mas, como nós sabemos, as usinas hidroelétricas não funcionam assim. O aumento de rendimento na potência não corresponde linearmente à energia porque as usinas trabalham com fator de capacidade no entorno de 50%, inclusive com diminuição da queda líquida no reservatório. O rendimento não se mantêm. Não estou dizendo que não se deva modernizar as usinas. Só estou dizendo que, para a confiabilidade energética, essa conta está superestimada. Simplesmente não há água para fazer esse milagre.
Estou fazendo esse comentário aqui para animar e provocar um debate mesmo.
Roberto Araujo
PS: Sem essa de grande especialista…
10 dEurope/London janeiro, 2008 as 12:18 pm
Prezado Roberto,
obrigado pelo esclarecimento.
De fato, acho que você tem razão, pensando bem, meu tom foi realmente otimista em muitos aspectos.
Uma das coisas que queria frisar era que não precisamos adotar medidas recessivas para parar de crescer por causa da falta de investimentos do setor elétrico.
Agora, que já cometeram todas as besteiras possíveis no setor elétrico, o Banco Central já começa a justificar a elevação das taxas de juros por falta de energia.
Só queria dizer que é melhor planejar melhor o consumo, a operação e os novos investimentos do setor do que promover uma recessão. E a flexibilidade do setor ajuda.
No mais, sou favorável à estatização do setor para acabar com essa gestão equivocada e especulativa do sistema que acaba gerando sub-investimento.
Com relação ao Célio Berman, eu não sou especialista, apenas transcrevi o que ele disse. Mas pelo que você disse agora, fica claro que essa repotencialização não é essas coisas todas. Ela pode ajudar apenas se houver muita diferença entre os regimes de chuvas no país, não é?
é pouco útil principalmente no momento atual em que o problema é de falta de água.
abraços,
Gustavo
10 dEurope/London janeiro, 2008 as 1:36 pm
A reponteciação só transfere o aumento de rendimento na potência nas usinas que funcionem sempre cheias e a plena carga. No Brasil são muito poucas. Mas, continuo dizendo que não se deve descartar. Apenas, fazer as contas certas.
10 dEurope/London janeiro, 2008 as 5:15 pm
Entendi.
obrigado Roberto.
espero que continue a nos esclarecer sobre essas questões tão importantes.
abraços,
Gustavo