FHC, O RADICAL?
Escrito por leonunes, postado em 14 dEurope/London janeiro dEurope/London 2008
Léo Nunes – Ao Sul do Equador
São Paulo – O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso concedeu uma entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, que foi publicada neste domingo (clique aqui para ler a entrevista). Dentre as inúmeras declarações polêmicas, o ex-presidente negou que tenha articulado a derrubada da CPMF e criticou o presidente Lula. No plano internacional, FHC curiosamente não atacou o presidente Hugo Chávez e defendeu a entrada da Venezuela no Mercosul.
FHC atribuiu a derrota do governo na batalha da CPMF aos seus próprios erros. Isto é parcialmente correto. A articulação política do governo certamente errou ao não negociar com a oposição. Mas também é sabido que o ex-presidente esforçou-se ao máximo para que a oposição votasse contra a prorrogação da contribuição crida pelo próprio FHC. Vale lembrar que o ex-presidente se gaba quando o assunto é fazer uma “oposição responsável”. Entretanto, ele não hesitou nem um segundo ao fazer coro com a oposição para tirar, do dia para a noite, R$ 40 bilhões das mãos do governo (clique aqui para saber como a elite branca derrubou a CPMF).
No plano político, FHC criticou Lula ao afirmar que o atual presidente não tem visão estratégica. Isto também é parcialmente correto. Lula não tem mostrado visão de estadista, mas FHC certamente não o foi. No máximo, pode-se dizer que ele foi o agente de consolidação do neoliberalismo tupiniquim. Além disso, viu-se a insistência na retórica vazia do “choque de gestão” tucano. Afinal, entregar 6% do PIB para 20 mil famílias rentistas é um exemplo de boa gestão!!
No âmbito internacional, o ex-presidente, ao contrário do coro da grande mídia reacionária, surpreendeu ao afirmar que o presidente boliviano Evo Morales não é um populista. Ele afirmou que o processo boliviano consiste numa reivindicação legítima do povo indígena. Quanto ao Presidente Hugo Chávez, FHC utilizou-se do adjetivo audacioso. Segundo ele, Chávez supera o colega cubano Fidel Castro neste quesito. Por fim, FHC mostrou simpatia pelos democratas Hillary Clinton e Barack Obama, mas não poupou Bush Jr. Segundo o ex-presidente, a estratégia de imposição de seu programa bélico tem levado o mundo ao caos.











14 dEurope/London janeiro, 2008 as 12:13 am
Léo,
muito bom seu artigo, mas vc subestimou o quanto FHC deu aos rentistas. Os 6% que você citou é apenas a parte paga pela dívida pública. Os juros da dívida privada são altos também em decorrência da Selic alta. Miguel Bruno em sua conhecida tese de doutorado mostrou que aproximadamente 30% do PIB era pago em juros aos rentistas. POR ANO!! Nível recorde em toda história da humanidade! Isso sem considerar os ganhos especulativos com câmbio e derivativos e sem considerar as empresas de factoring e agiotas ilegais.
abraços,
Gustavo
14 dEurope/London janeiro, 2008 as 2:13 pm
Leo,
é sempre bom trazer FHC de volta à cena, para que a população não esqueça que ele vendeu as jóias da coroa, aumentou a dívida e deixou o caixa zerado.
Abraço
Rogério
15 dEurope/London janeiro, 2008 as 10:00 pm
Companheiros,
Fazendo coro com vocês, creio que FHC teve a oportunidade sagrada e espetacular de dar um bom destino ao país, e me arrisco a dizer que, se o tivesse feito desde que assumiu, há 13 anos, poderíamos hoje ser um país de primeiro mundo.
Lembro-me que o Brasil crescia a 5% ao ano com inflação tendente a zero, carga tributária de 27% do PIB, superávit na previdência e um dos menores índices de desemprego da história. Oito anos depois entregou ao Lula esse mesmo país com as contas explodidas e o Estado dilacerado e falido, tanto na prática quanto ideologicamente.
Foi uma grande perda. O intelectual brilhante e sociólogo eminente falhou profundamente como governante num dos melhores momentos do Brasil.
Abraços,
15 dEurope/London janeiro, 2008 as 10:38 pm
Caro Mocidade,
só discordo do ponto em que você diz “intelectual brilhante”. Na verdade, ele é um intelectual mediano. Escreveu alguns livros ruins a partir de idéias em moda na época; e ainda há gente ainda que o acusa de ter plagiado.
“A jogada de FHC e Serra, além da censura autoral, foi a de diluir, surrupiar, chupar, piratear e plagiar os textos de R. M. Marini sobre ‘dependência’, vocábulo que no baile tucano passou a ser uma realidade afortunada: o tesão da dependência e, ao mesmo tempo, a falsa virilidade ou a consagração da impotência. A tudo isso a literatura e as teorias literárias ficaram quietinhas e indiferentes ao fabrico do maior engodo intelectual da História do Brasil”.
http://www.vermelho.org.br/diario/2002/0910/antero_0910.asp
http://www.marini-escritos.unam.mx/001_memoria_port.htm
http://carosamigos.terra.com.br/da_revista/edicoes/ed76/gilberto_felisbertov.asp
http://www.consciencia.net/opiniao/petros/apocalipse.html
http://www.marini-escritos.unam.mx/
http://www.eumed.net/cursecon/economistas/marini.htm
abraços
19 dEurope/London janeiro, 2008 as 12:02 am
Caro Gustavo,
Quando me refiro a “intelectual brilhante”, estou apenas referindo-me à trajetória acadêmica. Se há críticas de plágio ou quaisquer outras endereçadas às suas obras, isso não lhe tira alguns méritos. E aí, justiça seja feita, o emocional entra ferozmente. Como todos nos decepcionamos profundamente com seus anos de governo, há a tendência generalizada de execração a qualquer preço.
O autor de obras marcantes, tradutor de várias e um dos membros ativos da Escola Sociológica de São paulo nos áureos tempos de Florestan Fernandes, creio que merece o título de intelectual brilhante. Até por que, veja bem, antes de assumir a presidência, não havia críticas tão acerbas contra ele.
Tudo na vida é política, e a política real não pode movimentar-se com certos valores emocionais. Quando se ama, colocam-se virtudes onde virtudes não há, e quando se critica, apresentam-se defeitos onde defeitos não existem.
Grande abraço,
19 dEurope/London janeiro, 2008 as 11:37 am
Caro Mocidade,
Não acho que minha opinião seja puramente emocional. Tenho algumas razões. Na minha opinião ele sempre foi mestre do marketing pessoal. É um professor que estudou teve prestígio. Não mais. Mas considero a obra dele equivocada. E muitos hoje veêm assim, como o próprio Bresser-Perereira e José Luís Fiori (que na minha opinião é o maior cientista político brasileiro da atualidade), entre outros.
Mas respeito sua opinião. Você tem boas razões para pensar assim. Essa é provavelmente a opinião da maioria.
abraços
19 dEurope/London janeiro, 2008 as 10:17 pm
Não, não, meu amigo Gustavo. Quando afirmei sobre valores emocionais referi-me às análises vazias que contemplamos na midia, que faz a crítica pela crítica, sem um objetivo concreto, sem uma boa intenção. Não me referia à sua opinião.
Endosso igualmente sua opinião sobre marketing pessoal. FHC é hábil nisso, e poderíamos incluir outros membros do PSDB nesse contexto. O que não partilho (e sei que não foi essa sua opinião, é óbvio), é quando as pessoas passam a execrar alguém como se não tivesse nada de valor. Vou citar um exemplo. Os números demonstram que os 8 anos do seu modelo econômico neoliberal arrasaram a economia brasileira, mas dentro disso podemos ver uma qualidade sua, que foi a habilidade política para toda essa articulação. Como é que ele conseguiu manter uníssona uma aliança que agregava PSDB, PMDB, PFL, PTB e por aí vai? Então essa é uma virtude. E vale lembrar que isso não diminui em nada a minha visão definitivamente negativa do seu governo como dilacerador da economia e do Estado brasileiros.
Enfim, devemos estar falando a mesma língua.
Outro dia propus a você e ao Rodrigo um debate sobre as eleições de 2010, e vi surgir no site uma janela para tal. Que bom que gostaram da idéia. Vamos começar a escrever.
E por falar nisso, qual sua opinião sobre os possíveis candidatos? Tem preferência por algum? Eu simpatizo muito com Ciro Gomes. Acho que sua vida e suas idéias lhe dão todo o credencial. Gostaria de saber sua opinião.
De hoje em diante apresentar-me-ei com meu nome verdadeiro: Eduardo. Às vezes escolho um pseudônimo qualquer em alguns sites, mas me afinizei muito com o de vocês. Ok?
Um grande abraço,
Eduardo Alves.
20 dEurope/London janeiro, 2008 as 10:45 am
Caro Eduardo,
Acho que o Ciro seria um ótimo presidente. Acho o mesmo do Patrus Ananias (ministro do MDS). O Olívio Dutra e o Requião tem grandes qualidades. O Jacques Vagner e o Eduardo Campos tem potencial, vamos ver o que vão fazer. Mas acho bom ressaltar uma coisa: não tenho uma visão muito ideológica na escolha de presidentes. Acredito que o José Serra também poderia ser um bom presidente. E provavelmente talvez até o Aécio. Claro que eles puxariam a sardinha mais para a direita. Mas ainda assim acho que fariam coisas que são necessárias.
abraços,
Gustavo
20 dEurope/London janeiro, 2008 as 11:36 am
Prezados Eduardo e Gustavo
Não sou fã do FHC. Reconheço, entretanto, que os textos dele fizeram sucesso na década de 1970. Ele era reconhecido como um intelectual de peso. Li dois livros do sociólogo, “Dependência e desenvolvimento na AL” e “Estado e autoritarismo”.
Impressionante como ambos refletem a descrença dele quanto à burguesia brasileira. FHC não plagiou Ruy Mauro Marini. Segundo meu amigo Theotonio dos Santos, integrante do grupo do Marini, FHC representava uma outra ala da teoria da dependência, a do marxismo ortodoxo. Em síntese, só a expansão dos mercados internacionais poderia resgatar o Brasil do atraso em que sua elite o mantinha. Para tanto, o país precisaria se abrir à modernidade…
Explica em parte as opções políticas do sociólogo ao longo de oito anos de governo. Concordo com o Gustavo que o FHC é superficial em suas análises. Roberto Mangabeira Unger diz que o charme é mais importante do que conteúdo por aqui. Talvez ele tenha razão.
Quanto à disputa de 2010, creio que ainda é cedo para especulações. Vamos ver como o Brasil passa pela crise nos EUA e pelo provável racionamento de energia. Saberemos então como brasileiros e brasileiras irão reagir. O apagão energético de 2001 quebrou com quaisquer chances do José Serra (PSDB-SP), visto como o candidato do continuísmo fernandista.
Um abraço,
Rodrigo L. Medeiros, D.Sc.
20 dEurope/London janeiro, 2008 as 7:06 pm
Penso assim como vocês, de que há várias opções, mas nesse ponto Gustavo, eu possuo uma visão mais ideológica. Temos muitos bons políticos no Brasil, mas o cargo de Presidente da República é uma majestade digna de poucos. Depende de uma vida de experiência, honestidade, inteligência, e nem sempre um bom político possui todas elas.
Serra eu não simpatizo com suas idéias. Essa mania de escândalos, dossiês, destruição de adversárioas como foi na campanha de 2002, não me agrada. Aécio é um bom nome. Simpatizo igualmente com Dilma, mas o restante dos presidenciáveis só Deus sabe. Ainda acho que Ciro é o mais preparado.
Mas, como disse Rodrigo, é cedo para especulações. Aguardemos.
Um brande abraço,
Eduardo.
20 dEurope/London janeiro, 2008 as 8:20 pm
Estou com birra da Dilma, pelos equívocos do setor elétrico.
20 dEurope/London janeiro, 2008 as 11:54 pm
Tudo bem, mas para quem pegou o país no meio de um apagão, até no setor elétrico já caminhamos bastante.
21 dEurope/London janeiro, 2008 as 8:34 am
O setor elétrico não é um dos pontos fortes do governo Lula: http://desempregozero.org/2008/01/18/voces-vao-ver-os-modelos-que-eles-vao-adotar-la/