Farra cambial é isso aí
Escrito por Rogério Lessa, postado em 29 dEurope/London janeiro dEurope/London 2008
Enquanto o Banco Central (BC) divulgava, segunda-feira, que em 2007 as remessas de lucros e dividendos somaram US$ 21,236 bilhões, 29,85% superiores ao verificado em 2006, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento da Indústria (Iedi), observando a balança dos bens industriais, constatou que ano passado houve uma “reversão radical” no desempenho: o Brasil saiu de um valor positivo de US$ 5,9 bilhões para um déficit de US$ 7,8 bilhões, mudança que totaliza US$ 13,7 bilhões “e não tem paralelo nos últimos dez anos“.
O Iedi diz ainda que, considerados os dois últimos anos, o país passou de um saldo de US$ 9,9 bilhões, em 2005, para US$ 7,8 bilhões negativos, em 2007. Uma inversão de US$ 17,7 bilhões. Mais grave que o déficit é a reprimarização da pauta de exportações. “Estaremos caminhando para a especialização em commodities se não forem rapidamente revistas as políticas que influenciam o comércio exterior de bens industriais, como as políticas de câmbio, tributação de exportações, políticas industriais, tecnológicas e para a área de infra-estrutura, acordos internacionais”, alerta o Iedi. O economista Plínio de Arruda Sampaio Júnior, da Universidade de Campinas (Unicamp), destaca que a liberalização cambial e financeira aumenta a dependência do Brasil em relação aos países ricos. E, do ponto de vista estrutural, resulta em “desindustrialização e desnacionalização da economia“.
Já no front interno, a Agência Câmara destaca que desde a posse do presidente Lula, em 2003, até novembro de 2007, o Brasil destinou mais de R$ 851 bilhões somente para o pagamento de juros nominais da dívida pública consolidada (interna e externa). O montante equivale a 22 vezes o que o governo federal previa arrecadar só em 2008 com a CPMF, extinta em 31 de dezembro de 2007.
Somente com o que foi reservado para o pagamento de juros em novembro do ano passado – R$ 12 bilhões – seria possível cobrir o valor empenhado para quatro programas do governo federal: Atenção Básica em Saúde, Brasil Escolarizado, Agricultura Familiar e Luz para Todos.
O economista Dércio Garcia Munhoz, da Universidade de Brasília (UnB), calcula que na realidade a conta de juros foi maior. “Há R$ 250 bilhões em poder do Banco Central (BC), cuja remuneração paga ao Tesouro é contabilizada como crédito, além de mais de R$ 20 bilhões que a União recebe dos estados e o superávit fiscal superior a R$ 50 bilhões. No final, tudo isso é pago pelo contribuinte”, contabiliza Munhoz, para quem não há como o governo conter a elevação da carga tributária.











29 dEurope/London janeiro, 2008 as 9:00 pm
Rogério,
é isso aí! você está alertando sobre duas questões fundamentais que são manipuladas pelo Banco Central!
A primeira é a a reversão da conta corrente que vai minar nosso futuro e acabar com nossa atual proteção a crises externas. Se continuarmos assim voltaremos ao padrão da época FHC, onde qualquer resfriado internacional gerava uma imensa crise aqui.
A outra é o pagamento de juros, que no Brasil é totalmente descabido. E como mostrou o Miguel Bruno alcança quase 30% de toda a riqueza. Um valor recorde na história da humanidade!
e o Munhoz está certo, o valor é ainda maior.
escrevi um artigo sobre a centralidade o Banco Central no processo político brasileiro:
http://criticaeconomica.wordpress.com/2007/10/11/por-que-o-brasil-nao-cresce-porque-o-meirelles-ainda-nao-e-presidente/
abraços
30 dEurope/London janeiro, 2008 as 12:54 pm
Gustavo,
creio que a resposta do Fed à crise americana tenha colocado em xeque o BC brasileiro e seus repetidores na mídia. O momento político é muito importante, pois o grande inimigo do emprego e do desenvolvimento está cada vez mais exposto.
Abraço
30 dEurope/London janeiro, 2008 as 1:10 pm
De fato o Banco Central está mais exposto agora, pela própria incoerência.
Mas essa exposição já aconteceu outras vezes e não fomos capazes de mudar essa situação, pois a mídia e a “oposição” defende o Banco Central o Lula temia as mudanças.
Precisamos esclarecer às pessoas sobre essas incoerência. E você tem toda razão! este é um ótimo momento!
abraços