Crise ou colapso?
Escrito por Rogério Lessa, postado em 21 dEurope/London janeiro dEurope/London 2008
“Prefiro usar o termo colapso financeiro mundial, pois uma crise se resolveria com o socorro de US$ 500 bilhões dado aos bancos”. A frase é do economista Adriano Benayon, da Universidade de Brasília (DF), ao comentar a maior queda nas bolsas mundiais desde os atentados de 11 de setembro de 2001, verificada nesta segunda-feira.
Benayon destaca que a média mensal dos investimentos em títulos americanos de longo prazo (públicos e privados) caiu de US$ 65,9 bilhões, até julho, para US$ 22,3 bilhões entre agosto e novembro. O valor é inferior ao que os EUA precisam para fechar o balanço de pagamentos (US$ 2 bilhões por dia), embora nesses números não estejam computados outros investimentos, como ações e títulos de curto prazo.
Benayon sublinha que os investidores estão mais seletivos e priorizam suas compras em ações de bancos, de maneira a compensar o prejuízo com os títulos denominados em dólar. “Fundos soberanos asiáticos e os países árabes produtores de petróleo estão socorrendo através de compras de ações. Significa uma mudança qualitativa interessante, pois os estrangeiros estão se tornando controladores de grandes bancos e empresas e aproveitando para queimar dólares, que não valerá muito no futuro. É uma atitude inteligente”, avalia.
Na contramão, o Brasil mantém US$ 120 bilhões de suas reservas (dois terços do total) aplicados em títulos de longo prazo do Tesouro americano. “O Brasil já encostou nos países exportadores de petróleo, que só ficam atrás da Inglaterra e da China na lista de principais detentores desses títulos. A China, por sinal, hoje tem pouco mais de US$ 400 bilhões aplicados, mas já teve US$ 1 trilhão. A Inglaterra tem perto de US$ 300 bilhões”, contabiliza.










