BUSH PEDE “CONFIANÇA” (?) AOS CIDADÃOS NORTE-AMERICANOS
Escrito por leonunes, postado em 29 dEurope/London janeiro dEurope/London 2008
Léo Nunes – Ao Sul do Equador
São Paulo – O presidente George W. Bush pediu confiança aos cidadãos norte-americanos no seu último discurso anual ao Congresso dos EUA. Bush Jr. Admitiu que o país passa por um momento de incerteza, mas ressaltou a capacidade da maior economia do mundo em superar crises econômicas.
Na verdade, o presidente dos EUA esqueceu de salientar o papel omisso do ex-presidente do FED (o Banco Central dos EUA), o mago neoliberal Alan Greenspan, que fez vista grossa para o crescimento da bolha imobiliária durante os últimos anos (clique aqui para ler mais).
A história se repete. Na época de bonança, prevalece o ideário liberal, que prega a auto-regulação do mercado, a função da especulação estabilizadora, etc. Já quando bate a crise, o Estado, através de governos e autoridades monetárias, são chamados a campo para dar uma “mãozinha”.
Clique aqui para ler nosso manifesto.











29 dEurope/London janeiro, 2008 as 11:34 am
Prezado Leonardo
Li o livro ‘A era da turbulência’ (Elsevier, 2008) do Alan Greenspan. O ex-presidente do Fed é um conservador pragmático. Ele não esconde a fé no livre jogo das forças de mercado. Não li em nenhuma passagem considerações expressivas quanto ao poder de mercado de monopólios e oligopólios. Ele até cita Thorstein Veblen para falar do consumo conspícuo das elites nos tempos dos barões ladrões do capitalismo norte-americano.
O mais interessante do livro do Greenspan é a distância entre o discurso do laissez-faire e a relação cooperativa pelo desenvolvimento econômico entre o Fed e o Tesouro norte-americano. A tal independência do banco central pregada por alguns não se sustenta como um fato.
As considerações do Greenspan sobre a ordem internacional são impregnadas pela visão liberal do livre-cambismo. Um apólogo do liberalismo econômico. No entanto, para quem se diz tão preocupado com equilíbrio fiscal, estranha a passagem em que o “former chairman” do Fed elogia o governo FHC. Não se pode olvidar que em oito anos de mandato, FHC dobrou a relação dívida/PIB brasileira. O populismo cambial praticado entre 1995 e 1998 o reelegeu, entretanto, ajudou a destruir uma boa parte da matriz insumo-produto brasileira.
Alan Greenspan foi conduzido à presidência do Fed, em 1987, pelo governo de Ronald Reagan. Atualmente há questionamento sobre como o Fed, sob a batuta de Greenspan, cooperou com George W. Bush para forçar uma recuperação da economia norte-americana após o 11 de setembro de 2001.
Um abraço,
Rodrigo L. Medeiros, D.Sc.
29 dEurope/London janeiro, 2008 as 12:10 pm
oi Léo, tudo bem?
gostaria que você tentasse uma resposta para a seguinte pergunta:
POR QUE OS NEOLIBERAIS NOS EUA QUEREM QUE A TAXA DE JUROS BAIXE E AQUI ELES QUEREM QUE A TAXA DE JUROS SEMPRE AUMENTE???
a tese de que as taxas de juros no Brasil é alta só para gerar mais lucros para os rentistas não se sustenta! os capitalistas e especuladores ganham muito mais dinheiro com a redução da taxa de juros do que com a manutenção de taxas altas (A RIQUEZA VALE MUITO MAIS NESSA SITUAÇÃO). Eles gostam de ver a taxa subindo em descendo como nos EUA. Isso é que dá muito lucro!
Eu acho que o motivo é ainda muito mais sinistro do que esse. O que vc acha?
abraços
29 dEurope/London janeiro, 2008 as 3:03 pm
Rodrigo, concordo integralmente com suas palavras. Aliás, o Stiglitz, no livro “A Globalização e seus Males”, faz uma análise muito interessante do Greensapn e suas atituides pró-liberais.
Gustavo, para mim, a taxa de juros no Brasil é alta para redistribuir renda para a classe rentista. Isto é feito sob o discurso retórico do regime de metas, pela idéia de PIB potencial e pelo passtrough. no caso dos EUA, eles tem que fazer algo simplesmente pq aquilo é a locomotiva do mundo. se eles quebram, ao contrário da gente, o mundo vai pro buraco.
PS: fiquei curioso. qual este motivo sinistro?
29 dEurope/London janeiro, 2008 as 3:17 pm
Léo,
antes de explicar vou indicar meu artigo que comentei sobre isso, mas acho que muita gente não entendeu o final:
http://criticaeconomica.wordpress.com/2007/10/11/por-que-o-brasil-nao-cresce-porque-o-meirelles-ainda-nao-e-presidente/
29 dEurope/London janeiro, 2008 as 5:49 pm
Prezado Leonardo
Gosto desse livro do Stiglitz. Creio ser interessante retomar aquele debate do controle dos fluxos de capitais, pois a crise financeira nos EUA dá sinais de que a mesma não ficará restrita ao território deles.
Até o Delfim Netto, um grande escantador de serpente, vem recomendando uma maior intervenção do Estado brasileiro para que se evite qualquer desastre econômico.
A editora Record lançou uma coleção chamada “Clássicos do Pensamento Econômico”. O livro ‘Movimentos internacionais de capital’(Record, 2007), do Charles P. Kindleberger, é excelente. Gosto também muito do ‘Manias, pânico e crashes’, também do Kindleberger. Neste último livro, ele utiliza o modelo de Hyman Minsky para descrever as grandes crises financeiras desde o século XVIII.
Um abraço,
Rodrigo L. Medeiros, D.Sc.