Bom ou ruim?
Escrito por Rogério Lessa, postado em 3 dEurope/London janeiro dEurope/London 2008
O fluxo cambial registrou em 2007 saldo recorde de US$ 87,454 bilhões, contra US$ 37,270 bilhões apurados em 2006. Desde 1982, início da série histórica do BC, não há registro de superávit tão robusto como o do ano passado.
Na era Lula, o dólar já acumula desvalorização de 49,87%. Em 2007, teve a segunda maior desvalorização anual da história da economia brasileira – queda de 17,15%, segundo estudo da consultoria Economática. A maior desvalorização ocorreu em 2003, quando a moeda americana caiu 18,23%.
São boas essas notícias? Economistas como o ex-presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Dércio Garcia Munhoz, ressalvam que boa parte do capital que está entrando – e jogando o dólar para baixo – é especulativo, inclusive o Investimento Estrangeiro Direto (IED), que vem para a bolsa, isento de impostos, e pode ser repatriado do dia para a noite – “levando filhotes“.
Além disso, as aplicações estariam concentradas em papéis de empresas exportadoras de commodities, ajudando a acentuar a perda de competitividade da indústria de transformação, inclusive no mercado interno.
“Dólar baixo leva à desindustrialização no longo prazo”, observa Miguel Bruno, da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence/IBGE). Para ele, os efeitos da sobrevalorização cambial ficarão mais claros em 2008.
“Detalhe“: na primeira semana do ano, o BC já acrescentou US$ 1 bilhão às reservas internacionais, que agora somam US$ 181,378. Devido aos juros altos, o custo de carregamento dessas divisas levou o prejuízo do BC a R$ 58 bilhões somente até outubro de 2007.










