Amazônia serve para Desenvolvimento Social?
Escrito por NOSSOS AUTORES, postado em 17 dEurope/London janeiro dEurope/London 2008
Eduardo Kaplan Barbosa*
O Ministro do Longo Prazo, Mangabeira Unger, manifestou interesse em incluir a região da Amazônia na agenda de desenvolvimento brasileiro, e por isso tem recebido diversos ataques (clique aqui para ler a reportagem em ” O Globo “).
Desenvolvimento Ecologicamente Sustentável
Depois de décadas em que o Brasil privilegiou o crescimento econômico a qualquer preço, sem considerar os impactos ambientais, o senso comum atual a respeito da Amazônia parece caminhar na direção oposta: transformá-la num “parque para deleite da humanidade “, nas palavras do próprio ministro Mangabeira Unger. Essa proposta para a Amazônia, comumente chamada de ” santuarista “, peca por deixar de lado qualquer preocupação com o desenvolvimento social da região, manutenção dos interesses brasileiros ou minimização das disparidades regionais.
Em sua apresentação, o ministro aponta para duas estratégias que, complementarmente, pretendem quebrar essa falsa oposição entre ” preservar ” ou ” destruir “. Em primeiro lugar, as áreas onde já existe desmatamento podem ser utilizadas pela mineração, sob a condição de realizar a transformação industrial na própria região, contribuindo para a apropriação local de empregos e renda.
Em segundo lugar, Mangabeira defende o uso sustentável da floresta. Esta proposta, originalmente trazida para o governo pela ministra Marina Silva, defende que a preservação da Floresta Amazônica é economicamente viável. Para isso, a extração de madeira, óleos vegetais, sementes etc. deve ser feita de acordo com o ciclo reprodutivo da floresta. Os estudos do Greenpeace (clique aqui para ler) sobre essa forma de gestão vêm apontando grandes benefícios ambientais e econômicos. Aliás, esse modelo de desenvolvimento sustentável constitui a principal justificativa para a Lei de Gestão de Florestas Públicas, apresentada pela Ministra Marina Silva em 2006. No entanto, segundo a reportagem abaixo, ela preferiu se desvincular da agenda do Ministro Mangabeira Unger e não se manifestar a respeito de suas idéias…
Aqueduto ?
A idéia apresenta uma lógica coerente: um dos maiores potenciais aqüíferos do mundo se encontra na Amazônia, enquanto o vizinho Nordeste procura, há mais de um século, uma solução definitiva para a falta de água, necessária não apenas ao consumo humano, mas também à oferta de serviços públicos e ao desenvolvimento de atividades econômicas. Transferir á água amazônica excedente para o nordeste carente pode ser uma boa idéia.
Mas o que leva o Ministro a propor este plano, quando o Projeto de Integração do Rio São Francisco com as Bacias Setentrionais do Nordeste, apelidado pela mídia de ” Transposição do Rio São Francisco ” vem se mostrando como a melhor alternativa para resolver o problema social e econômico da seca no semi-árido? (clique aqui para ler artigo de Carlos Lessa “Nordeste será Califórnia Brasileira” e aqui para ler artigo de Gustavo dos Santos ” Transposição é a Solução para o Nordeste e o Brasil“)
Por se tratar de um projeto relativamente novo, ainda não se conhecem os detalhes a respeito de sua viabilidade técnica e econômica. Como vencer a grande distância e o diferencial de altitude? (essa é uma questão polêmica clique aqui )
Mas, como disse o ministro, “o Brasil precisa deixar de ter medo de idéias”.
* Economista pela UFRJ










