AINDA VULNERÁVEIS
Escrito por Rogério Lessa, postado em 18 dEurope/London janeiro dEurope/London 2008
A crise imobiliário-financeira que afeta a economia dos Estados Unidos desde o ano passado terá repercussões no Brasil. A advertência foi feita, em entrevista à Agência Brasil, pelo economista Reinaldo Gonçalves, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).Para ele, existe consenso de que a crise norte-americana afeta o Brasil e o mundo todo: “Só que afeta o Brasil mais do que o conjunto da economia mundial frente às vulnerabilidades do Brasil, que são muito grandes”, salientou. Gonçalves afirmou que o Brasil é um país vulnerável, porque não construiu, ao longo do tempo, os elementos necessários para protegê-lo de fatores desestabilizadores externos. Além disso, o país, nesse passado recente, em vez de melhorar suas condições internas, fragilizou-se em áreas importantes, ficando em pior situação relativa do que o restante do mundo.
Segundo o economista, o risco de o Brasil ser afetado pela crise dos EUA existe, apesar do crescimento do crédito registrado ano passado. Ele explicou que, como o crescimento brasileiro é impulsionado por crédito, essa expansão tem “fôlego curto”, especialmente quando o país não tem condições de manter um crescimento sustentável.
Gonçalves avaliou que o grande problema da crise do mercado imobiliário norte-americano é que o crédito se expandiu de forma muito rápida, entre 2003/2004, com juros elevados, e isso não se sustentou por muito tempo.
“E começou a dar problemas na área financeira. No caso do Brasil, o problema financeiro ainda não está aparecendo de forma tão séria, embora já surjam problemas sociais de gente que se endividou – pensionistas, aposentados, trabalhadores, que estão com a corda no pescoço. O problema é que as condições de oferta não acompanharam. Daí a pressão inflacionária que a gente está tendo, que tem a ver com essa expansão de demanda sem a correspondente expansão da oferta”, explicou.










