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Blog do Desemprego Zero

Abusando da sorte

Escrito por Imprensa, postado em 28 dEurope/London janeiro dEurope/London 2008 Imprimir Enviar para Amigo

O Estado de S. Paulo

25/1/2008

Rogério L. Furquim Werneck

A esta altura já está mais do que claro que, nos próximos meses, o governo vai ter de lidar, ao mesmo tempo, com dois grandes desafios. De um lado, terá de evitar que a escassez de energia comprometa o crescimento econômico do País. De outro, terá de enfrentar os desdobramentos da desestabilização dos mercados financeiros internacionais e da perda de dinamismo da economia mundial. O que preocupa é a leveza com que o governo se vem preparando para lidar com tais desafios.

Já faz parte do folclore político nacional a idéia de que Lula tem tido muita sorte. O próprio presidente costuma se gabar da sua boa estrela. E bem sabe que muito do que conseguiu nos últimos cinco anos não teria sido possível, tivesse sido aquinhoado com menos sorte. O que impressiona, no entanto, é que, agora, se defrontando com dificuldades tão sérias, Lula pareça pronto a pôr desnecessariamente em risco boa parte do que conquistou. Dirão seus detratores que não sabe dar o devido valor ao que amealhou de forma tão fácil. O mais provável, contudo, é que o presidente não esteja percebendo com a devida clareza o que estará de fato em jogo nos próximos meses.

Evitar que a escassez de energia ponha fim ao crescimento da economia é hoje o principal desafio com que se defronta o governo. O natural, portanto, seria que o governo mobilizasse o que o País tem de melhor para dar racionalidade às decisões que terão de ser tomadas nessa área. Não é o que vem ocorrendo. Tem sido motivo de compreensível espanto na mídia a tranqüilidade com que o governo, em meio à delicada crise que enfrenta na área, se dispôs a entregar ao PMDB o Ministério de Minas e Energia. Mas há outro aspecto da inconseqüência do governo nessa questão que tem recebido menos atenção. É preocupante que a alternativa à entrega do setor ao PMDB seja deixar a gestão da crise a cargo da mesma equipe que, liderada pela ministra Dilma Rousseff, montou, peça a peça, ao longo dos últimos cinco anos, o lamentável quadro que hoje se tem na área energética.

O agravamento da escassez de energia mostra como pode ser difícil a correção de rumo, quando o desastre a ser evitado advém de excesso de voluntarismo e insensatez. Políticas concebidas ao arrepio do bom senso e levadas teimosamente à frente, sob ampla e permanente barragem de críticas, deixam pouca margem para reconhecimento de falhas. À medida que se acumulam evidências de que a política foi de fato impensada, os responsáveis por sua concepção tendem a se entrincheirar em posições defensivas extremadas e a se entregar à mistificação, ao auto-engano e à procrastinação.

Lidar com o quadro de escassez de energia vai exigir gestão de risco complexa, fatalmente pautada por alto grau de subjetividade. Sobram razões para se temer que, nas difíceis decisões que terão de ser tomadas, uma equipe comprometida até o pescoço com os equívocos cometidos nos últimos anos e, portanto, empenhada em encobrir erros e salvar reputações não seja capaz de levar devidamente em conta os melhores interesses do País e do próprio governo.

Fatos concretos recentes bem ilustram essas dificuldades. Nos últimos meses, o governo atrasou, enquanto pôde, um manejo mais prudente dos reservatórios do sistema hidrelétrico, para tentar evitar a desgastante explicitação dos graves problemas no mercado de gás que o acionamento das térmicas implicaria. Agora, simplesmente para salvar as aparências, o Planalto resiste a todo custo ao lançamento de um programa ambicioso de racionalização preventiva da demanda de energia elétrica no País. Resta saber se o presidente tem consciência do que está de fato em jogo nas apostas arriscadas que decisões dessa natureza vêm implicando.

Por último, cabe breve menção à leveza com que o governo também se dispõe a enfrentar a turbulência externa. Em 2006, cansado das restrições que lhe impunha o doutor Palocci, Lula achou que já podia se permitir ter um ministro da Fazenda que jamais lhe dissesse não. Agora, quando o céu de brigadeiro afinal deu lugar à tempestade, se vê com uma equipe econômica frágil para enfrentar o intrincado quadro de incerteza e instabilidade que vai rapidamente ganhando força na economia mundial. Mas Lula parece não se importar. Confia na solidez das contas externas e, se necessário, na sua boa estrela.

Rogério L. Furquim Werneck, economista, doutor pela Universidade Harvard, é professor titular do Departamento de Economia da PUC-Rio



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