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A vinda de D.João VI e a abertura do Resseguro

Posted By Imprensa On 25 janeiro, 2008 @ 12:50 pm In Desenvolvimento,Marcelo Henriques de Brito | 1 Comment

Marcelo Henriques de Brito (*)

Em 2008, comemoram-se duzentos anos do legado da chegada ao Brasil de D.João VI e sua corte, que incluiu a assinatura da Carta Régia de 28 de Janeiro de 1808, que abriu os portos brasileiros ao intercâmbio internacional. Ainda que inicialmente somente a Inglaterra fosse beneficiada – até por sua inegável contribuição na escolta marítima da corte portuguesa, a abertura comercial era irreversível e, por exemplo, em novembro de 1827, o Brasil e as cidades hanseáticas Hamburg, Bremen e Lübeck firmaram um Tratado Marítimo. Além de ampliar o comércio, os estrangeiros trouxeram para o Brasil novas idéias e inspiraram novas atitudes, sendo notável tanto a influência do britânico Richard Carruthers na formação empresarial do grande Barão de Mauá, quanto o empreendedorismo de inúmeros imigrantes no desenvolvimento de empresas brasileiras.

Grande parte do estrondoso desenvolvimento do Brasil resultou de inúmeros acordos e intercâmbios internacionais que aprofundaram a diversidade do Brasil, da mesma forma que a miscigenação em Portugal e o pioneirismo das navegações fizeram aquele pequeno território se tornar uma grande potência com mentalidade arejada. Ao contrário das elites em outras metrópoles, D.João VI e os portugueses que organizaram a vinda da corte para cá não temeram aumentar a importância do Brasil nem invejaram sua grandeza territorial, a qual posteriormente foi acolhedora para os inúmeros imigrantes com cultura lusíada que não puderam viver na terra natal. Abrir novas portas (ou portos como fez D.João VI) pode redundar em oportunidades imensas e impensáveis.

Deverá ser também ser muito benéfica ao Brasil a abertura do mercado de resseguros, iniciada agora em janeiro de 2008. Duzentos anos depois da abertura ao comércio de mercadorias, o Brasil liberta-se de uma amarra no mercado de serviços e permite a atuação de resseguradoras internacionais com capital e conhecimento para dar cobertura a inúmeras operações de seguros que são imprescindíveis para gerar investimentos e ampliar transações no mercado interno.

Ajuda a consumir e a viver com tranqüilidade contar com o apoio de seguradoras que gerenciam renda na velhice e reembolsam gastos decorrentes de acidentes, doenças ou morte de familiares. Já os empresários devem se concentrar nos riscos inerentes aos seus negócios e transferirem para as seguradoras os riscos daquelas perdas, cuja ocorrência futura é possível e incerta, como catástrofes naturais.

Cabe às seguradoras então estimar os futuros desembolsos e suas probabilidades de ocorrência para ratear de antemão as perdas entre os segurados, que devem pagar corretamente os ‘prêmios’. Como o valor arrecadado e as reservas técnicas das seguradoras podem se tornar insuficientes por motivos variados, há: o co-seguro (o risco de um segurado é compartilhado por mais de uma seguradora), o resseguro (“o seguro do seguro”), e a retrocessão (“o resseguro do resseguro”).

Quanto menos a iniciativa e a criatividade desses mecanismos de proteção forem tolhidas por protecionismo e regulamentação, maior é a possibilidade de surgir produtos diferentes e específicos, assim como as apólices de seguro podem baratear. Preços menores podem aumentar a quantidade comercializada a ponto de aumentar o faturamento e, assim, o montante à disposição das seguradoras para aplicação em títulos e em bolsas de valores. Mais capital no mercado financeiro é favorável a novos investimentos, que demandam novos contratos de seguro. Tal ciclo virtuoso é contudo prejudicado por problemas como fraudes, que prejudicam muito a atividade de seguros.

O desenvolvimento do seguro no Brasil deveu-se muito ao IRB-Brasil Re. Se é incorreto deixar de reconhecer seu legado, não se pode deixar de constatar que o crescimento do país tornou os investimentos mais complexos e variados e, portanto, com riscos mais vultosos e com muitas particularidades para serem transferidos a uma única resseguradora. Um aumento de resseguradoras deve até fomentar mudanças benéficas ao próprio IRB-Brasil Re com sede no Rio de Janeiro.

A antiga capital, que encantou D.João VI, sua corte e muitos estrangeiros, tem atributos inatos, mão-de-obra qualificada e até um protocolo de intenções assinado por representantes de governos, entidades de classe e empresários para oxalá vir a abrigar um Centro Internacional de Resseguros.

(*) Administrador e Engenheiro, Ph.D., diretor da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) e sócio da PROBATUS, www.probatus.com.br.

Este texto foi originalmente publicado na seção Opinião do Jornal do Commercio, edição de 24 de janeiro de 2008, página A-17.


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1 Comment To "A vinda de D.João VI e a abertura do Resseguro"

#1 Comment By isabel rodrigues On 3 novembro, 2008 @ 3:48 pm

é muito bonito ouvir o quanto d joao acrescentou para o brasil mas é importante lembrar que a vinda da corte pra cá foi contextualizada pela perseguiçao de napoleao na tentativa de expansao do seu imperio,em outras palavras d joao só veio para o brasil porque estava fugindo de napoeleao antes disso,os habitantes aqui n tinhan nenhum direito,nem mesmo os imigrantes que vieram de portugal, o brasil era tido como uma fonte de materias primas e mao de obra sem custo,reforçando a ideologia de superioridade dos europeus nessa epoca,somente quando o rei necessitou viver nesse fim de mundo, é que ele foi pensar em liberar tudo aquilo que tinha proibido,trazendo a evoluçao e o desenvolvimento com ele. estou fazendo um estudo sobre o preconceito contra os imigrantes na atualidade principalmente na Europa,é chocante ver como os imigrantes sofrem hj seus paises menos desenvolvidos hj sao menos desenvolvidos pelo fato de terem sido fortemente explorados por esses paises desenvolvidos que hj os rejeitam,no periodo da expansao imperialista eles eram os que mais imigravam para as americas e africa e ao contrario da recepcao que recebemos hj, eles é que nos recebiam como escravos e selvagens nao sao tao bonzinhos quanto parecem!!


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