A SEMANA A LIMPO
Escrito por leonunes, postado em 18 dEurope/London janeiro dEurope/London 2008
Léo Nunes – São Paulo
Brasil
O assunto mais polêmico desta semana é certamente a possibilidade de compra da BrT pela Oi, o que resultaria na criação de uma “super-tele” brasileira. Para os críticos (clique aqui para ler a interessante cobertura do blog Conversa Afiada), a operação atenderia apenas a demandas privas. Os empresários Sérgio Andrade e Carlos Jereissati assumiriam o comando da tele sem desembolsar qualquer recurso, pois a compra seria financiada pelo BNDES (leia-se dinheiro do contribuinte). Além disso, o Citibank, um dos principais acionistas da BrT, venderia sua parte para fazer fluxo de caixa com o objetivo de cobrir seu rombo. Já Daniel Dantas poderia também vender sua parte e fazer um acordo com Citi para remover uma ação do banco contra ele na justiça norte-americana. A acusação dos críticos é a de que o governo teria interesse em patrocinar esta operação (além de alterar a lei de telecomunicações para legalizar a operação) para favorecer Sergio Andrade, maior doador da campanha de Lula em 2006 e sócio do filho do presidente Lula na empresa Gamecorp. Para ter uma visão favorável à operação, ver qualquer órgão da grande imprensa.
Internacional
O principal acontecimento da semana foi o pedido feito pelo presidente norte-americano George W. Bush ao Congresso dos EUA de um pacote de isenção fiscal no valor US$ 145 bilhões com o objetivo de impedir uma recessão naquele país. A crise iminente tem como estopim a crise do mercado de crédito imobiliário podre (subprime). Clique aqui para saber mais.
Economia
O fato econômico mais relevante da semana foi o discurso do presidente do Federal Reserve (o Banco Central dos EUA), Ben Bernanke, que foi recebido com pessimismo pelos agentes do mercado financeiro. Bernanke afirmou que a economia norte-americana deve caminhar a passos lentos neste ano, como conseqüência da crise no mercado imobiliário dos EUA (clique aqui para ler mais).











18 dEurope/London janeiro, 2008 as 6:56 pm
Caro Léo Nunes,
não é tão simples.
O Lula poderia ter tomado o caminho mais cômodo. que seria ter como doadores principais o Itaú e o Bradesco.
como faz o PSDB.
ou do Carlos Slim (o homem mais rico do mundo), ou da telefônica. O projeto de união dessas empresas são contra eles.
eles são muito mais ricos, mais poderosos e influentes sobre a mídia.
bastava abrir (ainda) mais as pernas para os bancos (lembre-se ele não abre 100% as pernas para os bancos, como podemos ver pelo aumento SIGNIFICATIVO do CSLL somente sobre os bancos)
Coitado do Sergio Andrade perto dos bancos e das maiores empresas nacionais ou internacionais…
Se a opção do PT pelo Sergio Andrade tem alguma relação com a preocupação com interesse público em construir uma grande tele nacional, é positivo receber recursos dele.
não se engane, na democracia moderna não há política sem proximidade com algum empresário. principalmente no Brasil.
isso é inevitável. a diferença é se vc tem um projeto e busca o empresário que pode financiar suas campanhas, ou se vc busca o empresário que tem mais dinheiro e aceita qualquer “projeto” que ele lhe manda engolir.
É preciso diferenciar essas coisas, se não viraremos meros marionetes da mídia. Pois não é possível fazer política no Brasil sem dinheiro para as campanhas.
Portanto, quase sempre que alguém vem com essa história de “beneficiar os amigos” vejo como babaquice de classe média que é papagaio da mídia.
Ou será que a mídia, assim como os políticos, também não recebe bolada de empresário para defender seus interesses?
Dessa forma, essa história de financiar a campanha é palhaçada, o que importa é se o projeto interessa ao Brasil ou não. Isso que deve ser discutido.
Alguém sempre será beneficiado, faça o projeto, OU NÃO!!??????
Agora, de fato, Daniel Dantas não dá.
Se for possível barrar ele no projeto, seria ótimo!
18 dEurope/London janeiro, 2008 as 9:58 pm
Prezado José Henrique
Você tem razão. Política não se faz sem dinheiro. Nos EUA, até mesmo os livros básicos de econometria, como é o caso do texto do professor Jeffrey Wooldridge, registram que o grau de ajuste entre dinheiro gasto em campanha e sucesso eleitoral é 0,85. Simplificando, quem gasta mais tem 85% a mais de chances de ser eleito. O resto, os 15% restantes, pode-se chamar de carisma, propostas e/ou coisas do gênero.
Já para o caso brasileiro, infelizmente não contamos com estatísticas tão confiáveis. Existem por certo estimativas de que para cada real doado legalmente nove vão direto para o tal caixa dois. Não somos ingênuos neste site.
Queremos apenas que os encaminhamentos da parte do Estado brasileiro tenham alguma transparência. A história de se escolher os vencedores da arena econômica a partir dos bastidores do jogo político é antidemocrática, quando não muito suspeita. O governo Lula aposta que consegue travar uma possível venda da fusão consolidada se tiver algum poder de veto do tipo acionário (golden share). Com Daniel Dantas na jogada, todo cuidado é pouco.
Enfim, um pouco mais de transparência ajuda o aprofundamento do processo democrático brasileiro. A cooperação entre Estado e agentes privados nacionais precisa estar pautada em regras claras e na prestação de contas, as tais contrapartidas sociais de desempenho.
Cordialmente,
Rodrigo L. Medeiros
19 dEurope/London janeiro, 2008 as 11:41 am
Prezados,
A tese de que o governo Lula apóia a fusão para beneficiar um grande doador de suas campanhas, Sergio Andrade, não resiste a uma análise mais criteriosa.
Primeiro, a Andrade Gutierrez é e sempre foi um dos maiores doadores para campanhas eleitorais no país. E é também atualmente um dos maiores doadores da oposição política do governo – PSDB e DEM. Ou seja, os grandes doadores colocam dinheiro de acordo com as pesquisas. Como Lula e seu partido foram vitoriosos nas últimas eleições, é natural que sejam os maiores receptores de doações. O estranho seria se isso não ocorresse.
Outro ponto é que o outro beneficiado é o Grupo La Fonte, da família Jeressaiti. Embora a imprensa cite esse fato, ele se abstêm de fazer a análise. Quem se lembra do privatização sabe o que esse grupo representou na época. Conseguiu comprar uma boa parte da Telemar sem ter que desembolsar um tostão. E sabe também da immportância da família para o principal partido de oposição, o PSDB. E é também um dos grandes doadores deste partido.Então quer dize que o governo beneficia grupos que financiam sua oposição política para beneficiar outro grupo financiador de suas campanhas. Não faz o menor sentido isso. O governo certamente teria outros meios para beneficiar o Grupo Andrade Gutierrez.
O jornalismo atual está cheio de teses pouco críveis que são passadas para o público como se fossem “verdades”. Mas não passam de teses, muitas vezes discutíveis.
Grande abraço,
Jefferson
19 dEurope/London janeiro, 2008 as 3:03 pm
A princípio eu sou a favor dessa fusão, mas o Paulo Henrique Amorim e o Mino Carta me deixaram na dúvida.
http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/474001-474500/474035/474035_1.html
http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/474501-475000/474620/474620_1.html
http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/474001-474500/474234/474234_1.html
http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/474001-474500/474468/474468_1.html