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A lógica do sistema elétrico

Posted By Imprensa On 19 janeiro, 2008 @ 8:05 pm In Conjuntura,Desenvolvimento,Haverá outro APAGÃO? | 5 Comments

Blog do Nassif [1]

Coluna Econômica – 13/01/2008

Vamos entender um pouco melhor a lógica da matriz energética brasileira e a discussão sobre a possibilidade ou não de um racionamento.

Há várias formas de consumo de energia no pais, como a industrial, a residencial, a automotiva. O que se discute é o chamado Sistema Interligado Nacional, a rede elétrica na qual se encaixam vários tipos de energia: a hidrelétrica, a termoelétrica a gás, a termoelétrica a óleo etc.

Nesse sistema, 92.79% da energia consumida é hidráulica, 2,56% de térmicas a gás natural, 1,7% de térmicas convencionais (incluindo carvão), 2,81% de térmica nuclear e 0,13% de energia eólica.

Só que a capacidade instalada é diferente. São 78,6% de hidráulica, 11,3% de térmica a gás natural, 7,8% de térmica convencional, 2,1% de térmica nuclear e 0,2% de eólica.

O que significa essa diferença? Que a prioridade maior é para energia hidráulica. Só quando há riscos de ela faltar, se recorre a um aumento nas demais forças de energia.

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As usinas térmicas são “despachadas” (isto é, autorizadas a vender a energia produzida) quando seu custo variável unitário for menor ao custo marginal da operação (o custo sem considerar depreciação do investimento e sem rateio de despesas), ou quando a água dos reservatórios caem abaixo dos limites de segurança.

A medida dessa vulnerabilidade é dada pela Curva de Aversão ao Risco (CAR), que leva em conta os níveis dos reservatórios e a vazão dos rios que alimentam as usinas hidrelétricas, assim como o volume previsto de chuvas.

Quando a energia armazenada em um subsistema bate na CAR, são “despachadas” todas as térmicas necessárias para a recuperação dos reservatórios, permitindo voltar a um nível de armazenamento superior à curva.

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No último dia oito, era a seguinte a relação Energia Armazenada Equivalente por subsistema, em relação à máxima energia armazenada:

SudesteE/Centro Oeste: 44,7%
Sul: 74%
Nordeste:27,1%
Norte: 29,9%.

***
Mais: nos últimos meses houve um aumento considerável no consumo de energia. Em novembro o consumo total foi de 32.687 GWh, 6,7% sobre novembro do ano anterior, e 5,3% de crescimento acumulado no ano. E esse aumento vem ocorrendo em todos os setores.

Até novembro, o consumo de energia industrial cresceu 4,9%, o maior aumento desde 2004. Na residencial, foram incorporados à rede 1,8 milhões de novos consumidores. Em todas as regiões, a expansão do consumo vem sendo liderada pelo setor comercial – incluindo comercio, aeroportos, hotelaria.

No ano, o consumo brasileiro deverá aumentar em cerca de 19 TWh. Para 2008, as previsões são de um aumento para 396 TWh.

***

É aí que entra o gás. Nos últimos anos o governo incentivo bastante o uso do gás. Em 2006 sua participação na matriz energética era de 5,4%; no ano passado foi de 9,6%, com parte expressiva indo para o consumo veicular.

A rede de segurança se dará por aí. Com o avanço dos carros flex, grande parte da frota a gás poderá migrar para gasolina ou álcool em caso de necessidade de utilizá-lo para geração de energia. Por isso mesmo, não faltará energia. Mas os preços deverão subir.

LEIA: O PROBLEMA ESTÁ NO “MODELO” DO SETOR ELÉTRICO [2]


5 Comments (Open | Close)

5 Comments To "A lógica do sistema elétrico"

#1 Comment By Roberto Araujo On 20 janeiro, 2008 @ 10:07 am

Todo o problema está contido em 3 parágrafos:

“Nesse sistema, 92.79% da energia consumida é hidráulica, 2,56% de térmicas a gás natural, 1,7% de térmicas convencionais (incluindo carvão), 2,81% de térmica nuclear e 0,13% de energia eólica.

Só que a capacidade instalada é diferente. São 78,6% de hidráulica, 11,3% de térmica a gás natural, 7,8% de térmica convencional, 2,1% de térmica nuclear e 0,2% de eólica.”

As hidráulicas geram no lugar das outras baseado num modelo de simulação. Se as hipóteses, parâmetros e a conexão com o real estiverem com problemas, teremos problemas. Simples!

#2 Comment By Gustavo dos Santos (meus artigos clique) On 20 janeiro, 2008 @ 10:51 am

Roberto,
não sei se entendi o problema. Esse Ronaldo Bicalho escreveu um outro texto para o Nassif, mas foram 5 páginas sem muito conteúdo, na minha opinião. Só vi uma idéia interessante (mas politicamente ainda complicada): usar o gás veicular como resíduo do efeito sanfona do consumo de gás para termoelétricas. Ou seja, em termos mais simplórios, ele está propondo que o gás veicular seja usado basicamente no verão. No mais ele me pareceu muito confiante no modelo…

#3 Comment By Roberto Araujo On 20 janeiro, 2008 @ 8:51 pm

Só estava chamando atenção da diferença dos dados de potência instalada e energia gerada. Se 92,79% da energia vem de 78,6% de hidraulica é porque elas geram no lugar da outras formas.
Quanto ao GNV como “pulmão” para o gás das térmicas, acho que não há escala para tanto. Não tenho muito atualizado o consumo de GNV, mas as necessidades das térmicas é muito maior.
Sem garantir precisão, as necessidade das térmicas é de + ou menos 50 milhões de m3/dia. Todo o GNV brasileiro gira no entorno de 6 milhões de m3/dia.

#4 Comment By Gustavo dos Santos (meus artigos clique) On 20 janeiro, 2008 @ 11:03 pm

Obrigado Roberto,
então o Ronaldo Bicalho se equivocou também nisso.
Ele não acha que a culpa é do modelo…

#5 Comment By Ronaldo Bicalho On 17 abril, 2008 @ 3:14 pm

Prezados Gustavo e Roberto,

Como só agora tomei conhecimento dos comentários de vocês, me sinto na obrigação de responder algumas questões levantadas pelos senhores. Até por que respeito as opiniões diferentes da minha.
É evidente que o GNV não resolve o problema, mas pode dar uma contribuição importante. Destruí-lo seria um equívoco em termos de política energética de longo prazo; já que é o potencial de interruptibilidade mais barato de ser explorado. Portanto, barrar o seu crescimento é um erro.
Se todas as térmicas a gás fossem despachada seriam necessários 48 Mm3dia.
Mesmo que fosse possível obter todo esse gás, restaria um problema.
Ele não seria utilizado todo o tempo. O que se faria com esse gás quando ele não tivesse sendo usado pelas térmicas? Seria usado por outros setores que teriam contratos interruptíveis de gás.
O GNL pode garantir 22 Mm3dia. Restariam 26 Mm3dia, que teriam que ser interruptíveis. Onde arrumá-los? Os 7 Mm3dia do GNV são os mais fáceis e baratos para serem conseguidos. Restariam 15 Mm3dia. Que é exatamente o que a Petrobrás está conseguindo hoje, através de um racionamento interno.
É evidente que o despacho de todas as térmicas é um caso particular.
Provavelmente a demanda de gás para a geração será menor do que os 48 Mm3dia. Neste caso, o GNV adquire uma papel mais importante. Já que o máximo que você pode arrumar na indústria é uns 5 Mm3dia de interruptível.
Com relação ao despacho no verão, isto não é correto. Com o despacho fora do mérito, Curva de aversão ao risco e níveis-meta; o despacho de segurança pode ocorrer em qualquer época do ano.
Só levantei a questão do GNV porque acho que ele faz parte da solução, e não do problema. Como estva sendo visto em janeiro.
Por fim, achei muito bom os comentários dos senhores e lamento só tê-los visto agora.
Me desculpe o atraso na resposta, porém achei que os senhores mereciam essa consideração.
E, a propósito, eu não acho que o modelo não tenha problemas. Acho que tem e nisso corcordo com os senhores.


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[1] Blog do Nassif: http://www.projetobr.com.br/web/blog/6#6040

[2] LEIA: O PROBLEMA ESTÁ NO “MODELO” DO SETOR ELÉTRICO: http://desempregozero.org/2008/01/18/voces-vao-ver-os-modelos-que-eles-vao-adotar-la/

[3] Sobre o papel do Estado: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/sobre-o-papel-do-estado/

[4] Tem São Paulo demais: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/tem-sao-paulo-demais/

[5] EDITORIAL do Cadernos do desenvolvimento do centro Celso Furtado: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/editorial-do-cadernos-do-desenvolvimento-do-centro-celso-furtado/

[6] País perdeu os 'anos de ouro' da economia mundial: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/pais-perdeu-os-anos-de-ouro-da-economia-mundial/

[7] Espantando o vôo de galinha: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/espantando-o-voo-de-galinha/

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