prozac 40mg popliteal celexa 20mg cardiac concurrent clonidine 0.1mg test recovery buy exelon Healthy stories buyneurontinonlinehere.com buying abilify online school lipitor online no rx deoxyribonucleic

Blog do Desemprego Zero

A FARRA DA TAPIOCA

Escrito por NOSSOS AUTORES, postado em 31 dEurope/London janeiro dEurope/London 2008 Imprimir Enviar para Amigo

Bruno Galvão 

Mais vale um artigo do Arnaldo Jabour do que mil palavras. Por isso, escrevi poucas palavras antes de colocar três artigos dele, para que ele fale por si próprio. Analisando os textos do Arnaldo Jabour, percebemos que a única coerência dele é a defesa de FHC e o ataque a seus adversários.

Fiz alguns comentários e depois coloquei 3 artigos do Jabour com mostram sua estranha “coerência”. Seguem abaixo:

A FARRA DA TAPIOCA

          Ontem no Jornal das 10 vi o FHC, quer dizer o Arnaldo Jabour, in-dig-na-do, como só ele é capaz, com o escândalo da Tapioca. O Ministro dos Esportes usou o deplorável cartão corporativo para gastar R$ 8,30 em uma tapioca. “Com o dinheiro seu, meu, nosso dinheiro e não tivemos direito a nenhum pedacinho da tapioca que na verdade é nossa.” Como diz Arnaldo Jabour, “com a eleição de Lula, uma quadrilha se enfiou no governo e desviou bilhões de dinheiro público para tomar o Estado e ficar no poder 20 anos.” Imaginem os milhões de tapiocas que esses ladrões caipiras comeram!  

Falando sério é incrível a desfaçatez de parte da imprensa brasileira, nesse caso, particular do Arnaldo Jabour. Se o governo é tão corrupto e que desvia bilhões como diz, porque ele perde tanto tempo com R$ 8,30? Hoje tudo é motivo de se indignar. Já durante o governo Fernando Henrique, também. Mas, a indignação na época era contra a oposição que queria CPI para impedir a Revolução Modernizadora do Fernando Henrique. Foi essa Revolução que quebrou o Brasil três vezes, que levou o desemprego para quase um quarto dos trabalhadores, que fez com o poder de compra do salário caísse por 7 anos consecutivos, que vendeu o patrimônio nacional de empresas como a Vale com a desculpa de reduzir a dívida pública, mas a fez multiplicar em várias vezes, que obrigou um racionamento de 20% do consumo de energia elétrica, que fez o Brasil crescer sistematicamente menos do que a média mundial ou dos outros emergentes. Mas, segundo o Arnaldo Jabour o Fernando Henrique é mal avaliado por ampla maioria da população brasileira, a despeito da condescendência da grande imprensa, pois os brasileiros não estão a altura do Fernando Henrique e nem são capazes de entender a Grandeza de seu reinado, quer dizer, Governo. Mas, como se diz, uma coluna do Arnaldo Jabour vale mais do que mil palavras minhas. Pode-se observar, como quase todos os textos do Arnaldo Jabour, que existe apenas uma coerência nos textos dele: a defesa do Fernando Henrique e o ataque a seus adversários de ocasião. Será o PROER da mídia o cartão corporativo do Arnaldo Jabour?

Esse é um dos textos do Arnaldo Jabour, que sob diversas denúncias de corrupção do governo FH, ele se indigna com o falso moralismo e o oportunismo eleitoral das oposições, se esquecendo completamente das denúncias.

leia ainda: Mais comentários sobre a Tapioca (clique aqui)

CPI é o sonho do PT e o sabonete dos corruptos

Arnaldo Jabour, escrito em 08/05/2001 (ano do apagão)

Cenário ideal seria absolvição de ACM com CPI instalada

Aoposição não quer a CPI da Corrupção para apurar imoralidades. Quer a CPI para inviabilizar o que resta desta administração. Está escrito no programa do PT: “inviabilizar” o governo. Mais: querem acabar com um projeto político que ousou esquecer as besteiras ideológicas irrealizáveis e optou por um “novo pensamento progressista”. A velha esquerda não perdoa, chamando equilíbrio fiscal de “neoliberalismo” e corporativismo de funcionário público de “luta popular”.

Para isso, a oposição se une ao fisiologismo para preservar seu velho ideologismo capenga. É um “quanto pior melhor” tático: mantenha-se o atraso vivo para se criar uma zona geral que permita erupções “revolucionárias”. Por que nenhuma voz do PT se ergueu para reclamar do hesitante adiamento do relatório do incompetente ex-prefeito que quase destruiu o Rio, o honesto Saturnino Braga (“o homem que desmoralizou a honradez”, como disse Millôr)? Por que José Eduardo Dutra, do PT, que sabia da lista de ACM, não deu um pio sobre isso, antes do escândalo do painel? Resposta: porque a oposição prefere ACM a FHC.

ACM seria o “mal menor”, a “contradição secundária”, a ser usada contra a “contradição principal” (FHC), como um dia escreveu o vovô Mao Tse Tung.

É mentira que o PT queira a cassação de ACM e Arruda. O cenário ideal para a oposição é uma bela pizza no Senado combinada com a instalação desta CPI “panorâmica” sobre tudo. Por quê? Porque, assim, a opinião pública (cuja ignorância a oposição manipula) confundirá Executivo com Legislativo e tudo vai virar uma grande zorra comum, ajudando a “inviabilização revolucionária”. Oposição e oligarquia usam Mao ao avesso. Denunciam coisas secundárias para impedir a principal: moralismo vagabundo contra reformas estruturais.

O que a frente única utopia-oligarquia quer impedir no país é o fim do clientelismo e qualquer vitória da social-democracia. E veio na hora certa: porque havia e há “perigo” de crescimento econômico, diminuição do desemprego, progresso possível. Já imaginou se o país melhora? Que vão dizer para o Exército Vermelho?

Já na área dos fisiológicos e clientelistas, a adesão à CPI é por motivos mais singelos e torpes. No macro, a direita corrupta tem horror à modernização impessoal do país, interrompendo seu secular incesto com a coisa pública. No micro, há principalmente os parlamentares que assinam a lista para se limpar, de olho em seus curraizinhos eleitorais. Um corrupto que assina oculta a própria sujeira. A CPI é o sabonete dos canalhas. Há também vinganças fisiológicas pontuais. Muitos assinaram porque o governo não atendeu a seus pleitos e picaretagens. Dois deputados assinaram a lista pela CPI porque queriam a direção da BR Distribuidora e não conseguiram. Outro deputado assinou porque queria mais potência para sua FM em Osasco e não conseguiu, outro assinou porque queria mais verba publicitária para sua TV, outro assinou a lista porque nomearam seu inimigo interventor do Banespa para o Banco do Brasil, outro assinou porque tentou livrar o pai do imposto de renda e não deixaram, todos os quercistas (oh, suprema ironia…) votaram contra a corrupção, os barbalhistas assinaram para se vingar de ACM e os carlistas vice-versa.

Se a CPI fosse secreta, como na França, ninguém se interessaria por ela. Só a querem para fazer teatro e sabotagem. O artigo 58 da Constituição, onde se baseia o pedido da CPI, diz claramente: “para investigar um fato determinado e com prazo certo”. A CPI pretendida é uma mixórdia golpista que traz um balaio de denúncias frouxas: o que tem a ver a construção do Aeroporto de Salvador com a ridícula e magra “pasta rosa” de 1990? O desejo real é o golpe.

E o mais alarmante é ver que esta crise é analisada na mídia como se fosse apenas uma simples disputa de poder conjuntural, como se vivêssemos na Suécia e assistíssemos apenas a uma “substituição de gabinetes” num país normalizado. Não. Estamos vivendo um dos mais delicados momentos de nossa história. Vivemos a difícil passagem de adaptação de um país em transe à economia do século XXI, com a simultânea defesa de nossos interesses locais. Lá fora, a Argentina bambeia, os republicanos nos ameaçam com uma Alca imperialista, os financistas globais nos observam,vorazes. Um Brasil inviabilizado, como querem os filhos de Mao, nos desmoraliza internacionalmente e nos deixa sem estratégia de defesa contra crises e ataques especulativos.

Não se trata da derrota de uma facção pela outra. Trata-se da destruição de um processo, nesta guerra entre o velho e o novo, trata-se de nosso destino no século XXI.

Prepara-se uma pizza no Senado, sob a sombra do velho guerreiro ACM. Num clímax de ópera, ACM topou se imolar como um monge baiano, para tentar impedir com a própria carne o fim do coronelismo. É impressionante a força nefasta deste homem. Engana-se quem acha que ele esta caído. Continua temido, principalmente com a lista da votação guardada na gaveta. Ou vocês acham que a lista foi destruída? Ora… se ACM for cassado, muita gente boa vai aparecer na lista, inclusive nomes da oposição. A lista vai ser o próximo capítulo desta farsa. E o tempo vai passando com o Congresso paralisado.

A crise que vivemos é uma crise desejada. A finalidade de uma grande CPI moralista é impedir a verdadeira moralização prática do país. É preciso que tudo fique sempre abstrato, inofensivo, com as instituições arcaicas intactas. É preciso falar em “futuro” para inviabilizar o presente, falar em “moralidade” e ser contra a Lei de Responsabilidade Fiscal. O Brasil pode estar morrendo na praia, dando o passo em falso do qual vai se arrepender durante todo o século XXI. Enquanto isso, nossos intelectuais progressistas ficam caladinhos, com medo de serem chamados de “reacionários”.

Alguém disse outro dia: “Não é o Brasil que está em crise por causa da corrupção; é a corrupção que está em crise, porque diminuiu seu espaço de atuação”.

Esse texto, como ele faz quase sempre, glorifica o governo FH e diz que ele foi resultado de um  ”surto de sensatez realista”, mas que a tendência do Brasil é ser dominado pelo atraso, pelos “nossos desejos burros”. Por exemplo, nosso desejo burro de querer um mundo com menos desemprego.

Quanto mais bater, mais ele cresce

Arnaldo Jabour, escrito em O Globo, Segundo Caderno, 18 de abril de 2006
 

Nossa crise acontece dentro de um mundo cada vez mais difícil de entender, provocando o surgimento de populismos e simplismos em toda parte. Bush é o início desta revolta dos imbecis, o Hitler dos idiotas, lutando contra a democracia e o multilateralismo. A estupidez corporativa global, o fanatismo religioso e político tomaram o poder na Terra. Aqui, também vemos uma fome de simplismos e soluções mágicas. A crise se passa também numa região interior de nós mesmos chamada “Brasil”. Por isso penso: qual será a repercussão do trauma da era Lula sobre nós? E não há um só “nós”. Há os “nós” analfabetos, os escolarizados, os burgueses. O trauma-Lula reverbera de vários modos.

A quadrilha montada pelos bolchevistas com o consentimento de Lula, o aparelhamento do Estado com 40 mil enfiados nas brechas da República, o montante de grana desviado, nada disso mexe com o Lula, que se mantém firme nas pesquisas. Os crimes desse governo deixariam o Collor no tribunal de pequenas causas, ele que por muito menos foi impichado . Mas Lula se mantém inatingível. Por quê?

Bem, Lula é a figura mais legível para a imensa população de ignorantes do país (e não falo só dos grotões remotos…). Lula parece “fazer sentido”, em meio a uma fase política sem ideologias claras. As desilusões da hora permitiram-nos contemplar não só a vergonha do sistema político vigente, como o absurdo de complôs totalitários de um pseudoprogressismo tipo Dirceu e PT leninista. Eu cheguei a pensar que a crise seria boa para que parássemos de acreditar numa “solução” mágica, voluntarista, para o Brasil. Achei que ficaríamos menos babacas, que não votaríamos mais por brados demagógicos. Achei que tínhamos aprendido que a competência administrativa era mais importante que delírios utópicos. Achei que os intelectuais ficariam mais ativos, querendo conceitos novos para ajudar a pensar o país, em vez de ficarem chorando por mitos perdidos ou deslumbrados pelo “iluminismo proletário”. Eu achava isso. Mas creio que não está havendo desilusão da maioria. A persistência do fenômeno Lula mostra que não há como explicar para a população o tamanho do perigo que estamos correndo. Os escândalos “didáticos” que explodiram não são claros nem para muita gente boa, que fica chocada com a “corrupção” do governo, mas não entende que este perigo é institucional, regressivo. Não entendem que esta corrupção não é igual à boa e velha malandragem das oligarquias. Falam que “sempre foi assim” e deprimem. Não entendem que o plano da quadrilha do Dirceu, com anuência de Lula, visava à desconstrução de nossa frágil democracia para voltarmos a um Brasil atrasado, que nos corrói há seculos, não entendem que os bolchevistas estavam fazendo um burro serviço para a velha direita secular. Como explicar que queriam a volta do atraso, por um intervencionismo de ruptura, com a re-estatização da economia? Como explicar para o povo que é preciso desconstruir o Estado arcaico, diminuir os gastos públicos, para que um “choque de capitalismo” desfaça a solidez do sistema patrimonialista, como explicar que é justamente o Estado inchado que impede o crescimento e faz a miséria, como um câncer comendo a poupança nacional? Como explicar isso a um sujeito que está num barraco da periferia recebendo cem paus por mês de uma Bolsa Família ou então está de porre em Ipanema chorando por seus sonhos infantis? Como falar em globalização, modernização, diante das metáforas do Lula sobre futebol, se dizendo o melhor presidente “desde Pedro Álvares Cabral”? Como vencer a legibilidade da estupidez com palavras elegantes? Lula é óbvio, um sólido símbolo e está ficando até mais “claro” para o povão, pois, graças a Roberto Jefferson, seus maiores Judas foram extirpados, com a destruição do PT dirceuzista que o controlava. E, de certa forma, isso foi até bom para o Lula, que se livrou dos comunas que o usavam como símbolo e “cavalo”. Lula agora pode expor a plenitude de sua mediocridade, agradar às grandes platéias e cumprir a missão populista que nossa formação histórica demanda, almeja mesmo, há séculos: ter um “salvador” da pátria, um pai do povo, um pobre no poder, a luz santa da burrice. O “design” do Lula é muito mais gráfico que o dos tucanos. O tucano quer ter a elegância do pragmatismo, a beleza do bom senso, a tolerância crítica ao capitalismo inevitável… O tucano quer ser eleito porque se acha educado, complexo, mas o povo quer grossura, obviedades, estatuetas para adorar. E Lula é um perfeito orixá: tem a crescente arrogância das “vítimas das elites”, tem um layout nítido do herói operário de barba e sem dedo, é a figura perfeita para os menos instruídos se identificarem. Quanto mais batermos no Lula, mais ele cresce. Ele conseguiu se destacar da quadrilha que comandou e ficou como um resistente, sob as porradas dos brancos, dos finos da “zelite”. O Brasil profundo quer isto. Não temos maioria eleitoral para finas propostas. FHC e o surto de sensatez realista foi um intervalo casual, assim como Clinton foi na América o último suspiro da liberdade dos anos 60. FHC só foi eleito pelo sucesso do Plano Real, que o PT tentou impedir. Agora, assim como a América quis o Bush, estamos voltando à realidade atávica de nossos desejos burros, influenciados também pela onda de boçalidade que banha a AL, com Chávez e outros idiotas sendo eleitos na Bolívia, no Peru.

Uma vez reeleito, o “Lula 2″ será um sarapatel de concessões e alianças, será um pmdb com bravatas populistas, pondo em risco a estabilidade monetária e a responsabilidade fiscal, aumentando o aparelhamento do Estado.

E o mais assustador é que o pesadelo de seu segundo mandato fracassado não fará o povo desiludido buscar algo mais progressista ou novo. A desilusão com Lula não nos levará à busca de alguém melhor. Vamos querer algo pior, mais óbvio, mais enganador. Em 2010, o país pode cair nos braços de Garotinho.

Diferentemente da era FHC, o Arnaldo Jabour se indigna com a corrupção e parece que não existe mais falso moralismo ou oportunismo eleitoral nas oposições. Denúncias de corrupção, que antes eram ignoradas, agora são tratadas como a mais suprema verdade e generalizadas por todo o governo, quer dizer, quadrilha.

A verdade está na cara, mas não se impõe

Arnaldo Jabour, O Globo 25/4/2006

O que foi que nos aconteceu? No Brasil, estamos diante de acontecimentos inexplicáveis, ou melhor, “explicáveis” demais. Toda a verdade já foi descoberta, todos os crimes provados, todas as mentiras percebidas. Tudo já aconteceu e nada acontece. Os culpados estão catalogados, fichados, e nada rola. A verdade está na cara, mas a verdade não se impõe. Isto é uma situação inédita na História brasileira.

Claro que a mentira sempre foi a base do sistema político, infiltrada no labirinto das oligarquias, claro que não esquecemos a supressão, a proibição da verdade durante a ditadura, mas nunca a verdade foi tão límpida à nossa frente e, no entanto, tão inútil, impotente, desfigurada, broxa.

Os fatos reais: com a eleição de Lula, uma quadrilha se enfiou no governo e desviou bilhões de dinheiro público para tomar o Estado e ficar no poder 20 anos. Os culpados são todos conhecidos, tudo está decifrado, os cheques assinados, as contas no estrangeiro, os tapes , as provas irrefutáveis, mas o governo psicopata de Lula nega e ignora tudo. Questionado ou flagrado, o psicopata não se responsabiliza por suas ações. Sempre se acha inocente ou vítima do mundo, do qual tem de se vingar. O outro não existe para ele e não sente nem remorso nem vergonha do que faz. Mente compulsivamente, acreditando na própria mentira, para conseguir poder. Este governo é psicopata.

Seus membros riem da verdade, viram-lhe as costas, passam-lhe a mão na bunda. A verdade se encolhe, humilhada, num canto.

E o pior é que o Lula, amparado em sua imagem de “povo”, consegue transformar a Razão em vilã, as provas contra ele em acusações “falsas”, sua condição de cúmplice e comandante em “vítima”. E a população ignorante engole tudo.

Como é possível isso? Simples: o Judiciário paralítico entoca todos os crimes na fortaleza da lentidão e da impunidade. Só daqui a dois anos serão julgados os indiciados – nos comunica o STF. Os delitos são esquecidos, empacotados, prescrevem. A Lei protege os crimes e regulamenta a própria desmoralização. Jornalistas e formadores de opinião sentem-se inúteis, pois a indignação ficou supérflua. O que dizemos não se escreve, o que escrevemos não se finca, tudo quebra diante do poder da mentira desse governo. Sei que este é um artigo óbvio, repetitivo, inútil, mas tem de ser escrito…

Está havendo uma desmoralização do pensamento. Deprimo-me: “Denunciar para quê, se indignar com quê? Fazer o quê?”. A existência dessa estirpe de mentirosos está dissolvendo a nossa língua. Este neocinismo está a desmoralizar as palavras, os raciocínios. A língua portuguesa, os textos nos jornais, nos blogs, na TV, rádio, tudo fica ridículo diante da ditadura do lulo-petismo . A cada cassado perdoado, a cada negação do óbvio, a cada testemunha, muda, aumenta a sensação de que as idéias não correspondem mais aos fatos! Pior: que os fatos não são nada – só valem as versões, as manipulações.

No último ano, tivemos um único momento de verdade, louca, operística, grotesca mas maravilhosa, quando o Roberto Jefferson abriu a cortina do país e deixou-nos ver os intestinos de nossa política.

Depois surgiram dois grandes documentos históricos: o relatório da CPI dos Correios e o parecer do procurador-geral da República. São verdades cristalinas, com sol a pino. E, no entanto, chegam a ter um sabor quase de “gafe”. Lulo-petistas clamam: “Como é que a Procuradoria Geral, nomeada pelo Lula, tem o desplante de ser tão clara! Como que o Osmar Serraglio pode ser tão explícito, e como o Delcídio Amaral não mentiu em nome do PT? Como ousaram ser honestos?”.

Sempre que a verdade eclode, reagem. Quando um juiz condena rápido, é chamado de “exibicionista”. Quando apareceu aquela grana toda no Maranhão (lembram, filhinhos?), a família Sarney reagiu ofendida com a falta de “finesse” do governo de FH, que não teve a delicadeza de avisar que a polícia estava chegando…

Mas agora é diferente. As palavras estão sendo esvaziadas de sentido. Assim como o stalinismo apagava fotos, reescrevia textos para coonestar seus crimes, o governo do Lula está criando uma língua nova, uma novi-língua empobrecedora da ciência política, uma língua esquemática, dualista, maniqueísta, nos preparando para o futuro político simplista que está se consolidando no horizonte. Toda a complexidade rica do país será transformada em uma massa de palavras de ordem, de preconceitos ideológicos movidos a dualismos e oposições, como tendem a fazer o populismo e o simplismo. Lula será eleito por uma oposição mecânica entre ricos e pobres, dividindo o país em “a favor” do povo e “contra”, recauchutando significados que não dão mais conta da circularidade do mundo atual. Teremos o “sim” e o “não”, teremos a depressão da razão de um lado e a psicopatia política de outro, teremos a volta da oposição mundo x Brasil, nacional x internacional. A esquematização dos conceitos, o empobrecimento da linguagem visa à formação de um novo ethos político no país, que favoreça o voluntarismo e legitime o governo de um Lula 2 e um Garotinho depois.

Assim como vivemos (por sorte…) há três anos sem governo algum, apenas vogando ao vento da bonança financeira mundial, só espero que a consolidação da economia brasileira resista ao cerco político-ideológico de dogmas boçais e impeça a desconstrução antidemocrática. As coisas são mais democráticas que os homens.

Alguns otimistas dizem: “Não… este maremoto de mentiras nos dará uma fome de verdades!”. Não creio. Vamos ficar viciados na mentira corrente, vamos falar por antônimos. Ficaremos mais cínicos, mais egoístas, mais burros.

O Lula reeleito será a prova de que os delitos compensaram. A mentira será verdade, e a novi-língua estará consagrada.



  Imprimir  Enviar para Amigo  Adicionar ao Rec6 Adicionar ao Ueba Adicionar ao Linkto Adicionar ao Dihitt Adicionar ao del.icio.us Adicionar ao Linkk Adicionar ao Digg Adicionar ao Link Loko  Adicionar ao Google Adicionar aos Bookmarks do Blogblogs 

« VOLTAR

Faça um comentário

XHTML: Você pode usar essas tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>