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TRISTEZA EM MIRAFLORES

Posted By leonunes On 3 dezembro, 2007 @ 11:45 am In Internacional,Leonardo Nunes,Rive Gauche | 2 Comments

 O projeto de Reforma Constitucional proposto pelo Presidente Hugo Chávez foi rejeitado por 51% dos venezuelanos que compareceram às urnas neste domingo 02/12. O que se vê, pela cobertura da “Mídia Iluminada” = Vanguarda (?) do Retrocesso, é uma campanha violenta que visa convencer a “opinião publica (?)” de que a revolução bolivariana está em crise.

Léo Nunes – Ao Sul do Equador

São Paulo – O projeto de Reforma Constitucional proposto pelo Presidente Hugo Chávez foi rejeitado por 51% dos venezuelanos que compareceram às urnas neste domingo 02/12. O que se vê, pela cobertura da “Mídia Iluminada” = Vanguarda (?) do Retrocesso, é uma campanha violenta que visa convencer a “opinião publica (?)” de que a revolução bolivariana está em crise.

(Clique http://desempregozero.org/2007/12/03/propedeutica-contra-ideologos/ [1] para ver a seção Propedêutica contra Ideólogos; importante para se vacinar)

Senão, vejamos. A Reforma Constitucional englobaria a mudança de 69 artigos a serem votados em dois blocos (A e B). A despeito da não extinção da propriedade privada, pode-se dizer que a Reforma avançaria em diversos pontos no sentido da ampliação da democracia. Esta não pode ser definida por atributos metafísicos (e incompreensíveis), tão caros à “Mídia Iluminada” = Vanguarda (?) do Retrocesso. Democracia tem de incluir crescimento econômico, melhoria do bem estar da população, liberdade de imprensa, ampliação da participação popular no poder e respeito às instituições.

Os dois primeiros pontos são indiscutíveis. Para se ter idéia, segundo o FMI!!!, a Venezuela deverá crescer 6,2% neste ano, contra os 4,4% previstos para nossa economia (os “cientistas” do nosso Bacen poderiam fazer um estágio em Caracas). Já a III Pesquisa de Orçamento Familiar do Banco Central da Venezuela (BCV), em parceria com o Instituto Nacional de Estatísticas, aponta melhoria em indicadores como moradia, educação, renda e gastos entre 1997 e 2005. A liberdade de imprensa, por sua vez, não pode ser contestada num país em que quase todos os canais de televisão privados fazem oposição sistemática ao governo. A não renovação da concessão PÚBLICA (e não o fechamento) à RCTV não pode ser vista como antidemocrática, dado que a concessão PÚBLICA compreende o cumprimento de normas básicas da democracia. Dentre estas normas, está o respeito aos princípios democráticos, que compreende o repúdio (e não a articulação e apoio) a qualquer tentativa de golpe de Estado. Um grupo oligárquico que utiliza uma concessão PÚBLICA para apoiar um golpe que fere uma Constituição (veja que a questão não é a oposição sistemática ao governo Chávez) não pode ter sua concessão renovada.

(Clique http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=3628 [2] para entender o papel das mídias oligárquicas na América Latina)

A ampliação da participação popular no poder está diretamente ligada ao plebiscito, pois o mesmo previa a consolidação dos “conselhos comunais”, que são organizações de bases com liberdade de gestão e verbas disponíveis. Além disso, a nova constituição permitiria a gestão de empresas por trabalhadores. Ademais, as “comunas” ou “células sociais territoriais” teriam autonomia para construir obras, criar empresas e explorar recursos. Por fim, a Reforma previa o fim da autonomia do Banco Central (um grande avanço!!), a proibição de latifúndios e a redução da jornada de trabalho.

O Presidente Chávez, em mais uma demonstração de apreço à democracia, declarou que acatará serenamente o resultado do plebiscito (para desespero da “Mídia Iluminada” = Vanguarda (?) do Retrocesso). Isto reflete o seu respeito às instituições. Por todos estes motivos, a Venezuela, ao contrário do que sugerem os arautos dos interesses oligárquicos, caminha para a ampliação (e não para o retrocesso) da democracia. A derrota nas urnas representa uma interrupção temporária (e não permanente) no processo de democratização, inclusão e humanização do povo venezuelano. Nas palavras do Presidente Chávez, o processo foi interrompido, “por enquanto”.


2 Comments (Open | Close)

2 Comments To "TRISTEZA EM MIRAFLORES"

#1 Comment By Gustavo On 3 dezembro, 2007 @ 12:13 pm

Caro Leonardo,
gostei muito do seu artigo!
abraços,
Gustavo

#2 Comment By Leonardo Nunes On 6 dezembro, 2007 @ 9:47 am

Rodrigo,

Concordo que nossos pontos divergentes já ficaram claros. Mas a discussão foi realmente produtiva a meu ver. Quando tiver tempo (está um pouco difícil agora) vou olhar a bilbiografia que vc recomendou. Eu recomendaria a vc o seguinte:

Florestan Fernandes – A Revolução Burguesa no Brasil (sobre a discussão de padrão de luta de classes)
Caio Prado Jr. – A Revolução Brasileira (sobre a questão da possibilidade ou não d eum projeto burguês)
Celso Furtado – Pequena Introdução ao Desenvolvimento (sobre a diferença entre crescimento e desenvolviemnto)
Jean-Paul Sartre – Crítica da Razão Dialética (sobre objetividade x sibjetividade)
Kant – Fundamento da Metafísica dos Costumes
Jonh Rawls- Uma Teoria da Justiça
J. Habermas (quase todos) – estes três autores sobre a questão da universalização da ética. todos criticam, por motivos diferentes, o Rousseau. Vale a pena!!

Abs, Léo.

PS: Obrigado pelas boas vindas.


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[2] http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=3628: http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=3628

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