Risco de inflação faz Copom não mexer com juros
Escrito por rubensteixeira, postado em 6 dEurope/London dezembro dEurope/London 2007
Fonte: Jornal Tribuna da Imprensa de 6 de dezembro de 2007
BRASÍLIA e SÃO PAULO – O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu ontem, por unanimidade, manter a taxa básica de juros em 11,25% ao ano, sem viés (tendência), pela segunda vez seguida. A novidade da reunião foi uma alteração no tradicional comunicado do Banco Central (BC), que retirou a frase “pausa no processo de flexibilização da política monetária” do texto. A mudança foi rapidamente interpretada pelos economistas como sinal de uma longa interrupção da queda da Selic.
Na nota, os dirigentes do BC explicam que “avaliando a conjuntura macroeconômica e o cenário prospectivo para a inflação”, o Copom decidiu manter a Selic no atual patamar. A paralisação no processo de queda dos juros começou em outubro deste ano, após 18 quedas seguidas em um período de dois anos. Durante esse tempo, o Copom cortou a Selic em 8,5 pontos porcentuais e tirou o País da liderança dos maiores juros reais do mundo.
Com exceção da mudança no texto, o resultado da última reunião do ano foi amplamente antecipado pelos analistas do mercado financeiro. “Mas a mudança no comunicado joga uma pá de cal na aposta de alguns analistas de que haveria um novo corte ainda no primeiro semestre de 2008. Quando o BC tira a palavra pausa ele sinaliza que é um viés de interrupção longa”, afirma o economista do Santander, Maurílio Molan.
Segundo ele, as condições terão de mudar sensivelmente para que o Copom retome o processo de redução dos juros. Na opinião dos economistas, apesar dos últimos índices de inflação terem vindo acima da expectativa, a preocupação dos dirigentes do BC é com o nível de atividade econômica do País.
Ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou um crescimento acumulado de 5,9% da produção industrial entre janeiro e outubro. Além disso, segundo dados Confederação Nacional da Indústria (CNI), a capacidade instalada do País atingiu 82,8%, o que representa um grande risco para a evolução dos índices de inflação, destaca o economista-chefe para América Latina do ABN Amro, Alexandre Schwartsman.
Para ele, a paralisação no processo de flexibilização da política monetária do BC veio por tempo indefinido, inclusive sem cortes durante o ano de 2008. “Temos uma perspectiva de que a demanda doméstica continue se acelerando no ano que vem. A queda promovida nos dois últimos anos ainda não apareceu totalmente na economia.”
O diretor de pesquisa do Goldman Sachs para mercados emergentes, Paulo Leme, aprovou a decisão do Copom. Na opinião dele, há riscos de o BC ter de elevar a Selic. Os bancos centrais dos países dos mercados emergentes não devem ser capazes de seguir a política contracíclica do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), avaliou ele. O executivo vê o Fed cortando o juro em direção a 3% em 2008. “O Brasil não será capaz de surfar a onda do Fed.”
Em 2008, avaliou ele, inflação e forte demanda doméstica deverão continuar no radar da política monetária brasileira. Leme pondera que o cenário para o próximo ano, no geral, está sendo um dos mais difíceis de projetar nos últimos 11 anos. O analista enxerga probabilidade, entre 40% e 45%, de recessão dos EUA em 2008.
Para os economistas, as apostas para as próximas reunião ficarão mais fáceis com a ata do encontro de ontem, que será divulgada na quinta-feira que vem. A próxima reunião do Copom será nos dias 22 e 23 de janeiro.










