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Blog do Desemprego Zero

Resposta de Letícia Sabatella a Ciro Gomes publicada no O Globo

Escrito por Imprensa, postado em 23 dEurope/London dezembro dEurope/London 2007 Imprimir Enviar para Amigo

LETÍCIA SABATELLA

Caro deputado Ciro Gomes, Antes de visitar frei Luiz Cappio em Sobradinho, tinha conhecimento desse projeto da transposição de águas do Rio São Francisco, através da imprensa, e de duas conferências sobre o meio ambiente, das quais participei a convite de minha querida amiga, a ministra Marina Silva. Há alguns anos, quieta também, venho escutando pontos de vista diversos de ambientalistas, dos movimentos sociais, de nossa ministra do Meio Ambiente e refletindo junto com o Movimento Humanos Direitos (MHuD), do qual faço parte.

Acompanho a luta de povos indígenas e ribeirinhos, sempre tão ameaçados por projetos de grande porte, que visam a destinar grande poder para um pequeno grupo em troca de tanto prejuízo para esses povos, ao nosso patrimônio social, ambiental e cultural.

Acredito que devam existir benefícios com a transposição, mas pergunto, deputado, quem realmente se beneficiará com esta obra: o povo necessitado do semi-árido ou as grandes irrigações agrícolas e indústrias siderúrgicas? Afinal, a maior parte da água (bem comum do povo brasileiro) servirá para a produção agrícola e industrial de exportação e apenas 4% dessa água serão destinados ao consumo humano.

Sabendo do desgaste que historicamente vem sofrendo o rio, necessitado de efetiva revitalização, sabendo do custo elevado de uma obra que atravessará alguns decênios até ser concluída e em se tratando de interferir tão bruscamente no patrimônio ambiental, utilizando recursos públicos, por que razão, em sendo sua excelência deputado federal, este projeto não foi ampla e especificamente discutido e votado no Congresso? Por qual motivo essa obra tão “democrática” foi imposta como a única solução para resolver a questão da seca no semi-árido, quando propostas alternativas, que descentralizam o poder sobre as águas, não foram levadas em consideração? No dia 19 de dezembro de 2007, o que presenciei na Praça dos Três Poderes, em Brasília, foi a insensibilidade do Poder Judiciário, a intransigência do Poder Executivo, e a omissão do Congresso Nacional. Será que não precisamos mesmo falar mais sobre democracia republicana, representativa? Ou melhor, praticar mais? Quanto ao gesto de frei Luiz, sinto que o senhor não age com justiça, quando não reconhece na ação do frei uma profunda nobreza. Sinto muito que o senhor ainda insista em desqualificálo. Por tê-lo conhecido e com ele conversado, participado de sua missa na Capela de São Francisco junto aos pobres, pude testemunhar sua alma amorosa e plena de compaixão humana, pastor de uma Igreja que mobiliza e não anestesia, que ajuda a conscientizar e formar cidadãos. Ele vive há mais de trinta anos entre ribeirinhos, indígenas, trabalhadores rurais, quilombolas e é por eles querido e respeitado.

Conhece profundamente as alternativas propostas pelos movimentos sociais, compostos por técnicos e estudiosos que há muitos anos pesquisam o semi-árido. Uma dessas alternativas foi proposta pela Agência Nacional de Águas, com o Atlas do Nordeste, que foi objeto de seu debate com Roberto Malvezzi, da Comissão Pastoral da Terra, cuja honestidade intelectual o senhor publicamente enalteceu em seminário realizado na UFF. Ele mostrou que o projeto da ANA custaria R$ 3,3 bilhões, metade do custo da transposição, beneficiando com água potável 34 milhões de pessoas, abarcando nove estados: então, por que o governo não levou em consideração esta opção mais barata e mais abrangente? Infelizmente, caro deputado, Dom Cappio não exagerou quando decidiu fazer seu jejum e fortalecer suas orações para chamar a atenção de todos à realidade do povo nordestino. O governo do presidente Lula optou por um modelo de desenvolvimento neocolonial que, dando continuidade à tradição de realizar grandes obras para marcar seus mandatos, sacrifica o povo com o custo de seus empreendimentos, enquanto o que esperávamos deste governo era a prática de uma verdadeira democracia.

Rio de Janeiro, 20 de dezembro de 2007

Letícia Sabatela,

Leia ainda:

ATORES da GLOBO CHORAM no SENADO FEDERAL com BISPO Cappio da GREVE de FOME para tentar barrar a obra da TRANSPOSIÇÃO DO SÃO FRANCISCO

Leia ainda:

Comentários sobre a troca de cartas entre Ciro e Letícia

Carta do Ciro Gomes à Letícia Sabatella

Texto de Bernardo Kucinski ajuda a compreender a Carta da Letícia Sabatella, em particular o “Atlas do Nordeste” CLIQUE AQUI



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25 Respostas para “Resposta de Letícia Sabatella a Ciro Gomes publicada no O Globo”

  1. Mocidade falou:

    Certo que são muito bem intencionados os gestos do Bispo e também as palavras de Letícia. Mas eles opõem argumentos que já estão plenamente explicados. Leticia diz que o projeto prestará ao agronegócio e às siderúrgicas. Ela com certeza desconhece que as terras que envolvem os canais (2 km e meio para cada lado em toda a extensão) já estão decretados para fins de reforma agrária. Por quê eles e boa parte dos que são contra, recusam-se sempre ao debate? O próprio Bispo já recusou inúmeras vezes a ir na CNBB e no Palácio. Ora, evadir-se de debater sobre um assunto, é mostrar-se pouco confiante no que acredita.

  2. Gustavo dos Santos (meus artigos clique) falou:

    Concordo,
    Eu acredito que são contra o projeto simplesmente porque isso parece ser uma boa maneira de chamar atenção para a crítica ao “estado geral das coisas”. Sabemos que o meio ambiente está sendo destruído, que há corrupção no país, que o povo continua pobre, que os coronéis do Nordeste sempre ganharam dinheiro apesar ou graças à miséria do povo, etc. O que adianta simplesmente reclamar? eles devem achar que é preciso parar alguma coisa importante para ser realmente ouvido. Como essa obra sofre muita oposição e é muito chamativa, encontrarão o alvo perfeito. Infelizmente escolheram o alvo errado, essa obra não prejudicará em nada o meio ambiente como explicamos aqui em outros artigos. Além disso, essa obra é fundamental para viabilizar uma sociedade capaz de gerar empregos de qualidade no sertão.
    E mais, ir contra algo não é solução para os problema, precisamos saber sobre o que eles são a favor.
    abraços,
    Gustavo

  3. Mocidade falou:

    Exatamente, Gustavo. Precisamos saber sobre o que eles são a favor. Pois eu me lembro, e você também se recordará, até 2002, 1º ano de Lula no Governo, o Nordeste não tinha, para além da falação e da indignação, projetos estruturais para acabar com o problema da seca.
    Onde estava esse pessoal que agora sabe de tudo, entende de tudo, tem as soluções para tudo? E exercem influência por que tem espaço na mídia, mas não possuem representatividade, tampouco constituem liderança. Não estou diminuindo ninguém, todos tem o direito de expressar suas opiniões, mas surpreende-me que um assunto de 500 anos vai sair do papel, e de repente cada um tem um projetozinho que vai ser a caixa de pandora a consertar o Nordeste.

    É necessário muita lucidez e imparcialidade, o que não está havendo.
    Um grande abraço,

  4. Paulo Andrade falou:

    Caros comentaristas.
    Há alguns pontos do projeto de transposição que gostaria de esclarecer. O primeiro, comentado acima por vocês, é o da desapropriação de terras às margens dos canais e rios que levarão a água: lembro que o solo da região é, em sua esmagadora maioria, muito zaso, cheio de pedras e com um desequilíbrio salino enorme. A irrigação destas terras vai levar à salinização em poucos anos. Outro ponto: o custo da água é imenso, levantar a água apens 50 m já a torna cara demais, perguntem a qualquer irrigante. Terceiro ponto: a capilaridade da distribuição é muito difícil. Vejam: a partir dos açudes, que são muito mais espalhados em todo o sertão, já não se distribui a água (é ESTE O PROBLEMA, e não a falta de água, pensem nisso), o que dizer de um canal que vai passar lá dentro do Sertão. Quarto: cada vez que o governo fala de números, eles são diferentes: Ciro começa com 26m3/s, passa para 60e depois admite chegar até a 300 m3/s. Com uma vazão média de 1.800 m3/ isso é muuuuito mais que 2%. Por fim, a Comisão Pastoral de Terra e aqueles que se opõem à transposição já se reuniram inúmers vezes com o Governo, mas em sido sempre um “diálogo de surdos”. Há inúmeros outros pontos que podemos discutir, basta escreverem.

    Cordialmente, Paulo Andrade (andrade@ufpe.br)

    Cordialmente

  5. Mocidade falou:

    Caro companheiro Paulo, é um grande prazer debater convosco. Compreendo suas colocações e gostaria realmente que todos os críticos fossem sensatos como você, ao invés de ficarem fazendo intrigas, politicagem, greve de fome, etc. Mas, vamos ao que interessa, por que só o debate é que importa.
    Na verdade, o próprio nome do projeto já não é o mais adequado, pois o correto não é “Transposição”, e, sim, “Integração de Bacias”. Partindo deste ponto, o impacto estruturante para o Nordeste vai muito além, pois não só leva a água do São Francisco, como ao mesmo tempo vai perenizar rios que se encontram secos no Nordeste Setentrional.
    Você comentou que o solo dos canais é deficiente. Veja, são 700 quilômetros de canais, e não duvido de que neste trajeto haja realmente solos em condições ruins. Mas veja, percorra toda a extensão do São Francisco e você verá o que estamos falando. Qualquer lugar em que se garanta água para abastecimento humano, e consequentemente, para a dessedentação animal, a qualidade de vida e índice de desenvolvimento humano, tudo melhora rapidamente. É disso que se trata. Não há outra alternativa. A única alternativa é levar água de onde existe para onde não existe. Essa é a questão.
    Os açudes não distribuem, você diz que o problema é este. Sim, mas veja, os açudes, da forma como são operados, não são eficientes, e mesmo que o fossem não garantiriam segurança hídrica para 12 milhões de nordestinos. E por que não são bem operados? Por que são mantidos o mais cheio possível, pois ninguém sabe se o ano seguinte vai ser uma seca ou cheia. Ao manter a vazão alta por insegurança hídrica, a evaporação é de 2.000 milímetros por ano. Eles estão por média meio cheios, Chove, ainda que periodicamente, vertem precocemente. Com este projeto não se precisa bombear para produzir em 100% do tempo, pois as bombas, administradas pela Chesf, eliminam essa insegurança hídrica e não há vertimento precoce.

    Quanto aos números, vamos lá. Dizer que 300 m3/s é muito mais que 2% de 1800 m3/s, é uma conta correta, porém impertinente. Veja, 1800 não é a vazão média, como tu afirmastes, mas a vazão mínima. A média é 2850 m3/s. Se o governo tirará 26 m3/s, logo, isso é 1% de 2850, uma conta quase exata. Em algumas ocasiões o volume de água captada será elevado a valores mais altos, você está com a razão. Mas isso acontecerá por que os pontos de captação estão em locais onde o rio é artificializado. Então quando, e somente quando, Sobradinho estiver vertendo, o volume de captação se ampliará, o que não afetará em nada no Rio. Entende? Por isso os canais são maiores e a capacidade de volume mais ampla do que a média apresentada de captação.

    Desculpe-me estender-me nos comentários, mas é que finalmente vejo um governo interessado em resolver os problemas da seca. E desde já, obrigado pela oportunidade de trocar idéias de forma franca e sadia convosco.

    Um grande abraço.

  6. Rodrigo Loureiro Medeiros falou:

    http://desempregozero.org/2008/01/07/uma-fragil-sudene-tenta-renascer/

  7. Gustavo dos Santos (meus artigos clique) falou:

    Rodrigo,
    parece que seu ex-orientador concorda comigo. veja:
    http://desempregozero.org/2008/01/09/para-lessa-nordeste-sera-california-brasileira/

  8. Emilio falou:

    Além de sua brilhante exposição caro Mocidade, qual é o problema de ter uma ou duas siderúrgicas a mais no Nordeste? Alguém é capaz hoje de viver sem metais? Algum ambientalista pode dizer que não precisa de nada que seja industrializado? Alguem que veste roupas e toma remédios ou simplesmente se alimenta, pode se recusar a usar qualquer coisa que foi produzido em uma indústria ou plantado em uma fazenda do tão malvisto agronegócio? A Letícia que é uma grande atriz, seria capaz de se recusar a usar luzes no teatro e câmeras na televisão? Precisamos defender o meio-ambiente para que possamos viver nele, recusar qualquer grande empreendimento econômico a priori, não pode ser uma atitude coerente. Viver consome recursos naturais, e o homem precisa viver…ou não?

  9. Gustavo falou:

    Emílio,
    você está certo. É fundamental termos muito cuidado com o meio ambiente. Mas realmente não faz sentido recusarmos a priori a agricultura e a indústria no Nordeste e ficarmos felizes e até darmos incentivos fiscais para o crescimento das mesmas em outros estados mais ricos como São Paulo.
    Ninguém abre mão de seus bons empregos aqui no Sudeste e no Sul. E ninguém abre mão de consumir esses produtos. Mas tem gente que acha que o nordestino pobre não tem direito a esses empregos e, por conseguinte, não tem direito a consumir esses produtos modernos que todos nós desejamos consumir. Você tem razão, é preciso industrializar o Nordeste. Caso contrário, se o país continuar crescendo, teremos novamente milhões de sertanejos desembarcando nas grandes cidades oferecendo trabalhar por qualquer salário na construção civil das grandes capitais e sendo obrigados a buscar moradia nas favelas. Caro Mocidade, estamos sentido falta de sua participação.
    abraços
    Gustavo

  10. raimundinha falou:

    Eles falam assim porque não conhecem a realidade dos nordestinos pobres, sofridos porque sempre viveram no Sul e Sudeste Ciro conhece a realidade de seu povo e é um homem íntegro e honesto sou testemunha disso mas é descriminado porque apesar de ter nascido em São Paulo é nobre dos nordestinos e sabe lutar pelo seu Nordeste descriminado.

  11. Gustavo dos Santos (meus artigos clique) falou:

    Prezada Raimundinha,
    concordo com você que, nessa questão, há uma insensibilidade, inclusive do bispo, com relação ao sertanejo que vive com poucas condições de sobrevivência no sertão.
    abraços

  12. Eduardo Alves falou:

    Caros amigos. É uma satisfação muito grande conversar convosco.

    Esse assunto do Projeto São Francisco é polêmico pela magnitude e impacto que atinge, mas se olharmos de forma prática e objetiva não deveria ser assim. O custo da obra é semelhante ao de outras e riscos ao meio ambiente não existem.
    Foi citado acima pelo companheiro Emilio (com muita clareza) a questão da industrialização, e há verdadeiramente um preconceito exacerbado contra o Nordeste. Essa região hoje é uma ficção política. Impressiona-me ver que os piores adversários do projeto estão no próprio Nordeste e o Sudeste nem sabe ao certo do que se trata.

    Pessoas mal informadas como o bispo de barra falam o que querem, agronegócio, rio que vai morrer, etc, etc, e todo mundo já está cansado dessas falsas argumentações. A mídia e as elites não dão a essa questão o espaço cultural que a mesma merece, e ficam abobalhadas alardeando que a violência e o desemprego saem de controle no Rio e São Paulo!

    Ora, meu Deus do céu, perguntem a esses desempregados ou bandidos se muitos não vieram migrantes, fugindo da seca! Qual a origem dos jovens que com menos de 23 anos morrem nas favelas do Rio?! É uma irresponsabilidade (permitam demonstrar aqui minha indignação!), ver os jornais todos os dias, a todo instante, falando de mortes, assaltos, drogas, chacinas, etc, e não cedem lugar à construção de novas soluções.

    O projeto São Francisco beneficia todo o Brasil, acaba com a seca e a migração, dinamiza toda a região, e se a mídia fosse mais democrática todo o processo seria facilitado. Ciro e Lula estão prestando grandiosos serviços ao país, e que o futuro saberá dar o devido valor.

    Um grande abraço a todos.

    Eduardo (ex- mocidade)

  13. Gustavo dos Santos (meus artigos clique) falou:

    Caro Eduardo,
    comigo está tudo bem. eu concordo com você. A tranposição do São Francisco é um projeto relativamente barato, o impacto ecológico positivo é muito maior do que o negativo (ele ajuda por exemplo a reduzir a destruição da amazônia) e é absolutamente fundamental para resolver o problema da pobreza no Brasil!
    abraços,
    Gustavo
    ps: ficaremos muito honrados com seu artigo
    por falar em artigo, coloquei um que escrevi com amigos hoje: http://desempregozero.org/2008/01/26/arranjos-produtivos-locais-apl-e-desenvolvimento/

  14. Eduardo Alves falou:

    Caro Gustavo,

    Vistes hoje o debate que houve no Senado sobre o projeto São Francisco?

  15. maria aparecida pontes falou:

    Leticia já visitou o sertão da Paraíba? Sou paulista de classe média e meu desejo sempre foi conhecer a vida do sertanejo. Nuca me preocupei em conhecer as praias. Sempre me preocupei com a vida do sertanejo.Vá lá Leticia, quem sabe assim você muda de opinião…

  16. maria aparecida pontes falou:

    Eu fui lá e senti na pele…

  17. Gustavo dos Santos (meus artigos clique) falou:

    Não, Eduardo. não tô sabendo de nada. trabalhei o dia inteiro. o que aconteceu?

  18. Eduardo Alves falou:

    Paasou na TV Senado. Deixei gravando para assistir à noite, pena que não deu tempo de avisá-lo, pois fiquei sabendo em cima da hora.

    O Eduardo Suplicy organizou um grande debate e chamou todo mundo envolvido na questão: Ciro, Geddel, Dom Cappio, Letícia, Osmar Prado, dentre muitos outros. Foi discurso para todo lado, era para acabar meio dia e só terminou 15h. Era para cada um falar 1 vez, mas ao Bispo e ao Ciro deram 2 oportunidades. Ciro, com a clareza de sempre retrucou tudo o que colocaram, inclusive a questão ridícula do tal Atlas do Nordeste, que Leticia tanto defende. Ela não sabe nem do que se trata. Ciro esclareceu a todos inclusive que ele ajudou a fazer o tal Atlas e que é um complemento do projeto de integração de bacias, não um projeto isolado. Falou ser aquela a primeira vez que estava de fato com o Bispo, pois todas as anteriores ele se recusou ao debate.

    Enfim, foi muito interessante, e eles sairam dali com o objetivo de retornar em outra oportunidade apenas com os mais envolvidos, para que tenham mais tempo de debater entre si.
    O que chamou minha atenção, embora já esperasse, foi a hora em que subiram ao plenário os 3 atores, Leticia, Osmar Prado e Carlos vereza. Cada um falou menos de 5 minutos, e não citaram nada do projeto. Exatamente o que já discutimos acima. Falaram da importância da água para a vida, que o governo não transmite confiança, que os cartões corporativos estão errados, etc, etc, que não convinham no momento. Do projeto, nada. Não sabem de nada. O Osmar Prado até chorou quando começou a falar (acho isso um sentimentalismo meio barato… não há racionalidade!).

    Enfim, gostei por que pela primeira vez todos estavam reunidos. Vamos ficar atentos para uma nova audiência. Para nós, que acompanhamos e conhecemos o projeto, não houve novidade do ponto de vista intelectual, mas foi prazeroso assistir. A maioria esmagadora foi a favor. Houve grandes discursos, como o do Tasso Jereissati. Oposicionistas se colocando contra o Lula e a favor do projeto.

    Um grande abraço,

  19. Gustavo dos Santos (meus artigos clique) falou:

    olha a maluquice: “3 atores, Leticia, Osmar Prado e Carlos vereza. Cada um falou menos de 5 minutos, e não citaram nada do projeto. Exatamente o que já discutimos acima. Falaram da importância da água para a vida, que o governo não transmite confiança, que os cartões corporativos estão errados, etc, etc, que não convinham no momento. Do projeto, nada.”

    Essa é uma discussão técnica e política séria. Se a resistência ao projeto precisa ser relatada por 3 ATORES GLOBAIS, só pode ser um projeto muito bom.
    abraços

  20. Prof. Paulo Rocha falou:

    Aos leitores desse site,
    Devo, por obrigação moral, dizer do ser humano especial que conheci em Sobradinho, quando lá permaneci, Dezembro passado, em solidariedade a D. Cappio, mas sobretudo em adesão à causa do São Francisco vivo e do povo beiradeiro.
    Me refiro a pessoa de Letícia Sabatella, até então conhecida como atriz, mas revelada como ser humano de alma absolutamente elevada. Testemunhei sua devoção, em nossa celebração à luz de velas, face falta de energia elétrica. Sua fé brilhava. Sua verdade reluzia.
    Pude sentir seu abraço absolutamente fraternal, trazendo a impressão de há muito nos conhecermos. Foi lindo vê-la recusar cadeira para dialogar com o povo humilde e seu pastor em condição de igualdade: sentada ao chão.
    Sempre primei pelo respeito à diversidade de opiniões, mas no caso de Letícia, sem pudores direi: quem contesta sua boa inteção e nobreza de princípios definitivamente não sabe o quê e nem de quem está falando.

    Obrigado , você ilumina mais do que telas, ilumina vidas.

    Prof Paulo Rocha – UNEB

  21. Miguel Vidal falou:

    Caros Maria Aparecida Pontes, Eduardo Alves, Gustavo dos Santos, Raimundinha:

    Tomo a liberdade de contrapor algumas colocações feitas neste Blog pelos companheiros citsdos.
    A miséria, o sofrimento, que mencionam, tem sua causa no conformismo, que é apesar de indesejável, natural em nosso povo. Acostumado em ser subserviente a um poder maior. Em viver sem procurar efetivamente melhorar suas condições. Na iniciativa individual narcotizada pelos subsídios e pela esperança da ajuda dos outros, na dependência do governo, passa pelo destino em viver no sertão, que não é ruim como se propala demagogicamente e que deve ter suas compensações.

    Pensem em mais de 60% da população do país que vive numa grande cidade, tendo que enfrentar a rotina do trabalho começando na madrugada, transporte demorado e incerto, nos riscos do asfalto, custo de vida, impostos sem retorno, insegurança, sem a certeza do retorno para casa, na compulsão pelo consumismo induzido pela vida urbana. Na criminalidade concentrada e sem controle. Bem diferente do sertanejo do semi-arido, que apesar de tudo também vive seus problemas, sabidamente de natureza diversa, mas em muito menor escala.

    O grande problema do nosso Sertão, pois é um pedaço do Brasil de todos nós, é o clamor da população sem informação, a acomodação entre os períodos de eleição, a indústria da seca, a demagogia do caminhão pipa, da camiseta-compra-de-votos, da facilidade com que o sertanejo se deixa usar pelo político, que o facina com demagiogia incontida para chegar ao poder.

    É o político lá votado que muda sua origem, vai para câmaras municipais ou para o Congresso Nacional desligando-se dos compromissos que o elegeram, num comportamento repetitivo e histórico que todos conhecem.

    É a aceitação incondicional e generalizada do sedativo das bolsas família, das bolsas esmola, agora estendida para anestesiar a capacidade de pensar dos jovens de 16 e 17 anos, na véspera das novas eleições municipais.

    É querer ganhar sem trabalhar, viver sem contribuir, culpar o sul pela seca, culpar outros pela natureza onde vive, achar em quem se encostar, decidir sem pensar, opinar sem conhecer, votar sem consciência.

    Aqui no sul existem problemas bem maiores. De envergadura enorme e que deveriam também preocupar o povo do nordeste, como nos preocupam os problemas de sua região.

    Mesmo assim é aqui que se gera a maior parte dos recursos que irão sustentar os programas sociais e econômicos espalhados pelo país afora.

    Onde se concentra a economia que dá sustentação à produção de bens e serviços inclusive daquela região. Que se investe em agricultura moderna, pesquisa tecnológica, geração de energia, em indústrias, nas políticas ambientais, nas alternativas energéticas que irão beneficiar todo o Brasil. São investidores do sul e recursos do sul carreados à sua região para gerar empregos e qualidade de vida.

    Porém o que acontece historicamente é o nordestino que reivindica e não se empenha na reciprocidade.

    Mas que imputa a outros as conseqüências naturais de viver em sua região.

    Considere como seria sem sentido se os Gaúchos se lamuriassem do vento pampeiro, os Catarinenses do excesso de trabalho, os Paulistas do apagão e dos congestionamentos, os Paranaenses da geada sobre os cafezais e a soja, os Esquimós reclamassem do frio do Ártico, os Africanos da mosca tsé-tsé, os Tuaregues da severidade do Saara, os Tibetanos dos ventos do Himalaia, os Mongóis das estepes geladas, os Russos da inclemência da Sibéria…

    Caros Maria Aparecida Pontes, Eduardo Alves, Gustavo dos Santos, Raimundinha: Difícil reconhecer legitimidade em opiniões de pessoas que as externam de forma particularizada e sem base sólida.

    Procurem se informar sobre pessoas da envergadura do bispo da Barra ou da Letícia Sabatella. E nos ajudem a ajudar a região em foco. Que precisa tanto quanto o resto do país de verdadeiros brasileiros.

    Não de dependentes profissionais.

  22. Alceu Tiller falou:

    Caros Mocidade, Angelo, Gustavo dos Santos,

    Letícia é contra a falta de clareza e discussão do projeto, como sempre menciona. E não precisa chamar atenção fazendo a crítica ao “estado geral das coisas”. É muito específica nos assuntos que trata. E não faz jogo de cena nem necessita deste tipo de divulgação. Não é seu caráter.

    O alvo que os que são contra escolheram é certo. A obra interfere sim com o meio ambiente e será insignificante sua contribuição à geração de empregos e qualidade de vida para os moradores do sertão, comparativamente às outras alternativas para levar água à região de forma permantente e sustentável.

    Se a vazão desviada é tão insignificante em relação à vazão média do rio, como se prestará a perenizar os rios que serão integrados? Não há consumo, perdas, desperdicios, entre a captação e o desague nos rios integrados?

    Fazendo referencia às vazões citadas: a vazão média de 2850 m3/s conforme Mocidade é a total da bacia do rio, correspondente a toda contribuição da área banhada concentrada no final do curso do rio, proximo da foz. Consequentemente não é a vazão disponível na captação para o canal de transposição, situada muito a montante e contando com uma fração da área da bacia mencionada.
    As vazões corretas, utilizadas no projeto de Transposição são as seguintes, conforme divulgado pela agencias envolvidas:
    1 – Consumo atual de água da Bacia do rio: 91 m³/s
    2 – Vazão firme na foz com garantia de 100%: 1.850 m³/s
    3 – Vazão média na foz: 2.700 m3/s
    4 – Vazão disponibilizada para consumos variados: 360 m³/s
    5 – Vazão mínima fixada após Sobradinho: 1.300 m³/s
    6 – Vazão firme para a integração das bacias: 26 m³/s ou 1,4% de 1.850 m³/s

    Com relação ao comentário do Mocidade que ir contra algo não é solução para os problema, contraponho que é certissimo ser contra algo em que se acredita ser errado, e é o inicio da solução para o problema, que será ampliado caso o projeto não seja interrompido em tempo. Cotrariamente ao seu comentário subsequente, os que são contra mostram com clareza de que são a favor.

    Por outro lado Leticia Sabatella demonstra conhecer muito bem o sertão, e saber do que fala.
    Leticia diz que o projeto prestará ao agronegócio e às siderúrgicas. Por saber que as terras que envolvem os canais são área de preservação permanente, Lei 4.771/65 do Código Florestal, Decreto nº 89.336/84, Resolução CONAMA 004/85, que não permitem a ocupação na zona marginal nos cursos d’água. A afirmação por “Mocidade” que já estão decretados para fins de reforma agrária até 2 km de área marginal não encontra sustentação na lei, além de, se implementqada, introduzir enorme potencial de poluição pelo consequente lançamento do esgoto sanitário decorrente do uso da água nesta zona.

    Com relação ao que Emilio comentou, considerando brilhante a exposição do Mocidade, um dos problemas de serem implantadas siderúrgicas a mais no Nordeste é a destruição final do que ainda resta de vegetação do cerrado. Ou este não é mais um problema? Brilhante será o resultado para os madeireiros e carvoeiros deslocados por curto tempo para a região.

    Com relação ao comentário sobre os que são contra, não é verdade que se recusam ao debate. Recusam-se ao debate desproporcional, pela simulação de seriedade com que este assunto vem sendo tratado pelo Congresso e pelos políticos engajados na imposição da Transposição, ou como preferirem, Integração de Bacias, a qualquer custo.

    De minha parte entendo a situação com base na teoria, e na pratica de muitos e muitos anos. Na realidade visivel aos que querem ver sem condicionamentos e ideologias castrantes. Um reconhecimento pela região traria mais informação sobre o absurdo da transposição com o objetivo de resolver o problema da água para o sertanejo.

    Mostraria que se mesmo a concentração de água nos inúmeros açudes existentes não permite a distribuição da água para as casas afastadas a poucas dezenas de metro, que solução seria dada para a distribuição isonômica a partir de um canal alinhado em uma única direção?

    Mostraria que o modo de vida do sertanejo é adaptado à região, nada tem a ver e pouco seria influenciado pelo artificialismo da transposição.

    Mostraria o desperdício de recursos através de programas sem sustentação que historicamente são iniciados e interrompidos nesta região, pois seu povo curva-se na indolência logo após as eleições e não cobra dos governos as promessas enganosas que conquistaram o seu voto.

    Mostraria a quantidade de reservatórios, cacimbas, pequenos e grandes açudes, e poços construídos pela Sudene, Sudam, DNOS, projetos sem continuidade financiados pelo BNB, e acima de tudo a enormidade de dinheiro desperdiçado em projetos demagógicos e questionáveis que não contribuiram em nada para minorar o problema em questão.

    Mostraria a grandeza e estoicismo real do verdadeiro nordestino e sertanejo, que precisa de apoio legítimo, e a miopia criminosa dos mal informados, ou mal intencionados que os dominam e parasitam.

    Com relação à opressão social que propalam, existe em todo o país. Não é exclusividade desta região. E a opressão é resultado de políticas criadas pelo próprio povo, por políticos aí gerados e mantidos, de políticos cassados, que ai são eleitos e reeleitos.

    Não se pode concordar que algum sertanejo esteja reduzido à condição sub-humana, de animal, como escrevem os demagogos e tutelados governamentais, somente por ser sertanejo…

    Claro que existem soluções mais eficientes, baratas e sustentadas para levar qualidade de vida aquela região.

    Que existem motivos sérios para pessoas formadas, que tem conhecimento da teoria e da pratica, se insurgirem contra este projeto de transposição.

    São pessoas que se preocupam com o Brasil, com a destinação do dinheiro público, com a qualidade efetiva de vida de seu povo.

    Leiam o que se estuda nas universidades sobre a Problemática da Seca, somente um pequeno exemplo:

    “O fenômeno natural das secas impulsionou o surgimento da política denominada “indústria da seca”. Onde os grandes latifundiários nordestinos valendo-se de seus aliados políticos interferem nas decisões tomadas em escala federal, estadual e municipal. Beneficiam-se dos investimentos realizados e dos créditos bancários concedidos.

    Os financiamentos obtidos são aplicados em outros setores que não o agrícola de subsistencia, e os tomadores aproveitam da divulgação dramática das secas para levantarem emprestimos não pagarem as dívidas contraídas.

    Os grupos dominantes têm saído fortalecidos quanto mais severa é a seca, enquanto são deixadas de lado as soluções para os problemas sociais e de oferta de trabalho às populações pobres.

    Um exemplo foi à construção de açudes pelo governo federal a mais de um século, que já consumiu enormes somas de recursos públicos.

    Como exemplo dramático só no atendimento emergencial da última seca de 1998 a 1999 foram gastos 2,2 bilhões de reais, de acordo com os dados da Sudene, órgão coordenador do programa de atendimento aos flagelados e hoje extinta pelas graves denúncias de desvio de recursos. Este valor é da ordem de grandeza do custo da Transposição do São Francisco, e foi gasto em um momento de emergência, sem resultar em nenhuma construção perene e duradoura!

    Desta forma, a prática do aproveitamento do drama dos desvalidos para se beneficiar dos recursos públicos, envolvem obras de todo porte e é tradição no Nordeste.

    Um relatório recente do Tribunal de contas da União mostra irregularidades sérias em 17 grandes obras hídricas em construção no Nordeste, que deveriam estar prontas a dez anos e já consumiram 834 milhões de reais.

    Já outro documento recente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco (Fetape) denuncia que as primeiras propriedades de uma lista para a construção de 25 cisternas pela Secretaria de Recursos Hídricos em uma cidade do Sertão são fazendas pertencentes a um secretário municipal.

    O problema do Nordeste se agrava pela introdução de culturas de difícil adaptação às condições climáticos, juntamente com inadequada utilização do solo, não se adaptando as condições ecológicas da região.

    Outro problema é o controle da propriedade da terra onde “alguns” detêm os recursos e grandes propriedades, tendo um político sobre os demais.

    A questão da seca não se resume à falta de água. A rigor, não falta água no Nordeste. Faltam soluções para resolver a sua má distribuição e as dificuldades de seu aproveitamento.

    É necessário desmistificar a seca como elemento desestabilizador da economia e da vida social nordestina e como fonte de elevadas despesas para a União…

    Desmistificar a idéia de que a seca, sendo um fenômeno natural, é responsável pela fome e pela miséria que dominam na região, como se esses elementos estivessem presentes somente aí.

    E sobressai a enormidade do dinheiro que vai ser jogado fora nesta Transposiçao inóqua e que não resultará em soluçao para a sede no semi arido.

    Este um dos fatores que desqualificam por completo a alegação que o Brasil do sul está querendo prejudicar o Brasil do nordeste. O que todos os Brasileiros deveriam querer é a correta aplicação dos recursos existentes, e não seu desperdicio. É esta a luta de Frei Cappio, de Letícia Sabatella e de todos os brasileiros bem informados.

  23. Eduardo Alves (ex-mocidade) falou:

    Caros companheiros, é com muita satisfação que contemplo este assunto sendo mais amadurecido neste blog, e com a participação de novos companheiros. O meu abraço fraterno a todos.
    Antes utilizava este codinome “mocidade”. Atualmente pelo meu nome, Eduardo.

    Digo-vos que em momento algum desmereci ou desqualifiquei a pessoa de D. Cappio e Leticia Sabatella, pelo contrário, ressalto neles o amor pelo povo e a boa intenção. Questiono apenas a forma de debater, invariavelmente vazia. Mas nunca os diminui, e peço a vocês que observem em todo o blog um comentário que eu haja feito dessa natureza. Não existe, pois acho que o respeito deve primar. Mas vamos por etapa, que o assunto é extenso.

    Miguel Vidal,

    O debate deve ser técnico e se pautar pela compreensão real, cáusica e sintomática do que há no país. Veja o que você escreveu (dentre os problemas do sertão): “É querer ganhar sem trabalhar, viver sem contribuir, culpar o sul pela seca, culpar outros pela natureza onde vive, achar em quem se encostar, decidir sem pensar, opinar sem conhecer, votar sem consciência.
    Aqui no sul existem problemas bem maiores.”

    Pense bem no que escreveu. Acho que você está se referindo aos políticos do Nordeste. Se for, concordo, mas se for do povo, pense melhor. Problemas há em todo o país, e o projeto não é a salvação da lavoura, apenas resolve parte significativa do problema da seca para o povo valoroso do sertão brasileiro.

    Alceu Tiller,

    Agradeço suas constantes referências à meus comentários. Prova que lhe tocaram de alguma forma.
    Afirmaste no 2º parágrafo haver outras alternativas para se levar água ao sertão. Porém, em toda a sua longa exposição, não apresentou nenhuma. Gostaria de saber quais são, para discutirmos com mais clareza.
    Você se opõe ao meu comentário dos 2850 m3/s dizendo que não é o disponível para a captação. Eu não disse isso. Esse número é a vazão média, como você colocou abaixo os valores. 2700 ou 2850, não importa, estamos falandio de média. Essa média significa que depois do rio já ter realizado tudo o que deveria, TUDO (no Nilo Coelho produzir uva, no Castanhão, etc) isso é o que sobra e será jogado fora no mar. Por um princípio de zelo e cuidado, em projetos de integração de bacias não se trabalha com média, mas com vazão mínima (embora este projeto possa trabalhar com média pois é modulável, já que as bombas podem ser ligadas todas ou só algumas). Então, 1850, vazão firme com garantia de 100% na foz, 1,4% dela será 26m3/s necessários ao projeto.
    Questionastes igualmente como outros rios serão perenizados com uma quantidade pequena de água. Você mesmo respondeu. Essa quantidade é insignificante se comparada à vazão média, mas é muita água, perfeitamente suficiente para perenizar rios secos do nordeste setentrional. Se eu fosse do tipo aproveitador, que não sou, eu poderia dizer a você que hoje o São Francisco está jogando 9000m3 na foz. Tirar 26m3 disso não seria nada, absolutamente nada.

    Criticou-me quando falei que ir contra não é solução. E o fez dizendo que é solução para se iniciar o debate. Ora, iniciar debate é muito bom, mas quando que um debate “iniciado” conserta alguma coisa? O que resolve é o debate amadurecido, e isso não se faz sem apresentação de propostas firmes e sólidas. Desculpe-me, mas, os que são contra não mostram clareza do que são a favor. Nem o Bispo, tampouco a Letícia. Não sei se tu viste o debate da TV Senado. Isso ficou muito claro.

    Os 2km a que me referi de desapropriação em cada margem, e tu dizes que não possui sustentação em lei, talvez não saibas, mas foi um decreto sancionado pelo Presidente da República.
    Quanto à recusa do debate, continuo a dizer-te que muitos se recusam sim. Dom cappio só agora aceitou debate, na TV Senado. Nunca ninguém o viu em público falar do projeto. Todas as vezes se esquivou. Ciro esteve mais de uma vez na CNBB, e ele, convidado, não foi. Na CNBB, casa ideológica dele, não é do Ciro. O próprio local estava mais apropriado a ele do que ao ministro.

    Estou tentando responder passo a passo tudo o que escreveu. Se esquecer algo, perdoe-me, não é intencional.
    Acho que você não leu muito bem o projeto, por isso são naturais algumas afirmativas. Veja, os canais não seguem em “uma única direção”. São dois eixos, norte e leste, que passam pelos locais mais críticos. Por isso ele não visa abastecer a população difusa, mas sim a que está NO CAMINHO dos canais. Isso muda completamente a região. Como dizer que não influencia na vida das pessoas? Ora, 1/3 dos paulistas ou é nordestino ou descendente. Isso é ou não resultado da seca? O mesmo acontece com o Rio de janeiro e outras capitais. E essa migração nasce dos estados pelos quais o Rio não passa. Veja que na Bahia e em Minas não há a miséria acentuada existente na Paraíba ou no Rio Grande do Norte. Lembro-te ainda que na periferia das grandes cidades existe pobreza, mas a miséria real no Brasil está majoritariamente concentrada no Nordeste.

    Quanto a questão de antigas obras não darem certo, ou terem se paralisado, não é argumento sério. A questão é essa obra atual. Ela foi estruturada sobre bases que as anteriores não se preocuparam, por isso resistiu a MAIS DE 20 LIMINARES, todas derrubadas pela justiça.

    A seca é um dos dramas mais graves do Brasil hoje. Não é a salvação, o paraísdo do Nordeste e ninguém disse isso aqui, apenas resolve grande parte do problema, mas não o problema inteiro.
    É necessário muita racionalidade, e nem sempre há. Quando escrevi que o Bispo (apesar de grande ser humano) não conhecia bem o que falava, me referia aos seus argumentos. Não se você assistiu ao debate último da TV Senado, mas D. Cappio afirmou para o país inteiro ouvir que “o habitante de Fortaleza tem mais água do que o de São paulo”. Isso é ou não é desinformação? Por que Fortaleza tem seca e São Paulo não? É um absurdo ele falar isso.

    E para concluir, com relaçãio aos órgão legais e instituições acadêmicas, lembro-te que o projeto está licenciado pelo IBAMA; sua hierarquia é o CNRH (Conselho Nacinal de Recursos Hídricos) e possui as outorgas da ANA (Agência nacional de Águas).

    Abraços e espero novos comentários.

  24. Gustavo dos Santos (meus artigos clique) falou:

    Caro Eduardo,
    você mais um vez foi muito feliz na argumentação. Gostaria de ser tão ponderado. Eu assisti o debate entre o César Benjamin e o Lessa, terça na ABI no Rio.
    Foi um senhor debate, dois grandes oradores extremamente inteligentes e combativos.
    dois estilos completamente diferentes. Os ânimos se acirram e a questão bateu no pessoal…
    Filmamos 90% do debate para que todos possam ver. E duas pessoas do público nos prometeram resumos. Um sairá amanhã. Outro na quinta. Provavelmente na quinta estaremos com os vídeos digitalizados.
    abraços
    Gustavo

  25. Eduardo Alves (ex-mocidade) falou:

    Que bom, Gustavo. Esse assunto vem sempre a tona. Não me lembro de nenhum grande projeto de infra-estrutura no Brasil nas últimas décadas que tenha suscitado tantos debates.

    Gostaria de ter ido na terça, mas não deu. Muito bom termos os vídeos e os resumos, quem sabe você não consegue disponibilizá-los no site?
    E eu fiquei te devendo o da TV Senado. Só hoje peguei o DVD com um amigo. Vou tentar enviar ao youtube algumas partes, ou então tento compactar e enviar-te por e-mail.
    Será que há algum blog com tanto material sobre este assunto? Creio que não. É satisfatório saber que estamos contribuindo de forma muito positiva para o debate nacional.

    Abraços, amigo.

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