Rentismo inibe reinvestimento
Escrito por Rogério Lessa, postado em 26 dEurope/London dezembro dEurope/London 2007
Durante o “milagre econômico”, nos anos 70, cerca de 60% da massa de lucro médio das empresas eram reinvestidos na formação bruta de capital fixo (máquinas, equipamentos e infra-estrutura). Em 2003, o rentismo fez esse percentual cair à metade, apesar de “os empresários estarem felizes e com lucros crescentes”. A comparação é do economista Miguel Bruno, da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence/IBGE).
As afirmações foram feitas ao comentar dados do Banco Central (BC) de que, entre ADRs (ações de empresas brasileiras negociadas no exterior) e investimentos diretos no Brasil, os estrangeiros detinham US$ 361,41 em ativos brasileiros, no fim de setembro (90% em ações). Para ele, a financeirização da economia desviou parte dos recursos, antes alocados na produção e na geração de empregos, para as aplicações financeiras (títulos públicos e ações).
No fim de 2006, essas carteiras somavam US$ 210,12 bilhões. Em termos líquidos, os estrangeiros investiram mais US$ 35,794 bilhões no mercado financeiro brasileiro (ações e renda fixa), nos primeiros nove meses do ano. Ou mais quase 300%, sobre os US$ 9,051 bilhões, em igual período de 2006.
A informação confirma a advertência feita pelo economista Dércio Garcia Munhoz, da Universidade de Brasília (UnB), para quem a Bovespa vive na realidade um ataque especulativo equivalente ao sofrido em 1993. Para Munhoz, “há uma lógica para o país estar no fim da fila da economia mundial e, ainda assim, haver grande ingresso de dólares.”
Já Miguel Bruno acrescenta que o fenômeno está relacionado às remessas recordes de lucros: “O rendimento de uma ação tem um componente vinculado à especulação (preço) e o dividendo (lucratividade produtiva). Para a economia crescer de maneira sustentada, é preciso que a parte do lucro reinvestida cresça.”










