Quase 7 milhões de jovens não estudam nem trabalham
Escrito por rubensteixeira, postado em 20 dEurope/London dezembro dEurope/London 2007
Fonte: Jornal Hoje em Dia de 20 de dezembro de 2007
BRASÍLIA – Quase 7 milhões de brasileiros de 15 a 24 anos, o equivalente a 19,9% da população nessa faixa etária, não estudam nem trabalham. É o que mostra estudo divulgado ontem pela Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla). Ao todo, apenas 47% dos 34 milhões de jovens do país freqüentam a escola ou a universidade. O Relatório de Desenvolvimento Juvenil cruza informações de educação, saúde e renda, dando origem a um índice que tenta medir a qualidade de vida da juventude nos estados.
O Distrito Federal lidera o ranking nacional, com o índice 0,666, na escala de 0 a 1, semelhante à usada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Minas Gerais está em 5º lugar, com 0,567, atrás de Santa Catarina (0,647), São Paulo (0,626) e Rio Grande do Sul (0,616). Alagoas ficou em último lugar, com 0,367.
O Rio de Janeiro ficou em último lugar no subindicador de saúde, puxado pela mortalidade de jovens por causas violentas, em que também ocupa a última posição. O Maranhão tem a menor taxa de mortalidade por causas violentas. Em termos nacionais, a taxa de homicídios caiu, mas vem aumentando o número de jovens mortos no trânsito.
O autor do estudo, Julio Jacobo Waiselfisz, disse que a desigualdade de renda é uma das principais causas da violência. Ele lembrou que, no Rio, as favelas ficam dentro da cidade e que os jovens pobres se espelham no padrão de consumo da população com maior poder aquisitivo.
O Índice de Desenvolvimento Juvenil (IDJ) calculado para o Brasil como um todo foi de 0,535, o mesmo do relatório anterior, divulgado em 2005, e menor do que o de 2003 – 0,537. Os dados do relatório de 2007 são de 2005 e 2006 e têm como fonte a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, o Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde, e o Sistema de Avaliação da Educação Básica, do Ministério da Educação.
No item educação, a taxa de analfabetismo entre jovens caiu para 2,4%. Waiselfisz disse que, em números absolutos ainda é muita gente, mas o índice já é suficiente para se falar em quase erradicação do analfabetismo entre jovens. O problema maior da educação, segundo ele, é a falta de qualidade. Entre 1995 e 2005, o nível de conhecimento dos alunos brasileiros ao final do ensino fundamental e do ensino médio piorou em português e matemática.
O diretor-executivo da Ritla, Jorge Werthein, defendeu a adoção de políticas públicas duradouras nos três níveis de Governo – União, estados e municípios – para enfrentar o problema. «Já temos todos os indicadores. O que falta é uma política de longo prazo que não mude a cada quatro anos, com a troca dos governantes», advertiu Werthein. Cresce educação a distância
BRASÍLIA, 19 (AG) – Os resultados do Censo da Educação Superior de 2006, divulgados ontem, mostram um grande crescimento nos cursos de educação a distância (EAD). De 2003 a 2006, houve um aumento de 571% em números de cursos de 315% no número de matrículas. Em 2005, os alunos de EAD representavam 2,6% do total de estudantes. Em 2006 passaram a ser 4,4%.
Segundo o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Reynaldo Fernandes, os números mostram que é preciso dar atenção ao ensino a distância, que teve mau desempenho no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade). «Não dá mais para se tratar ensino a distância como algo residual. O Enade já havia mostrado que o desempenho desses alunos é o pior», disse.
Participaram do censo 2.270 instituições, das quais 248 públicas e 2.022 privadas. Segundo os dados, 37,1% das instituições públicas têm status de universidade. O mesmo ocorrem em apenas 4,3% das escolas particulares. O Inep chegou à conclusão de que no Brasil existe um predomínio de pequenas instituições de educação superior, já que 67,5% delas têm até mil alunos. A região Sudeste concentra 48,1% das instituições do país:
- É importante destacar, no entanto, que essa concentração já foi maior – analisa Fernandes.
O censo registrou um aumento de 6,6% no número de matrículas, quando comparados 2005 e 2006, um salto de 4,580 milhões para 4,883 milhões de novos alunos. O número de doutores do país atingiu 70.616. A região Sudeste têm o maior número desses pós-graduados, com um doutor para 61 alunos, euquanto a região norte tem um doutor para 133,2 graduandos.
PERFIL DOS JOVENS
Condições de vida da população mais nova
ESTADO ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO JUVENIL
1) Distrito Federal 0,666
2) Santa Catarina 0,647
3) São Paulo 0,626
4) Rio Grande do Sul 0,616
5) MINAS GERAIS 0,567
24) Pará 0,438
25) Piauí 0,43
26) Maranhão 0,429
27) Pernambuco 0,394
28) Alagoas 0,367
2) TAXA DE ANALFABETISMO ENTRE JOVENS
2001 4,2%
2006 2,4%
3) DESIGUALDADES
Somente jovens entre os 10% mais pobres da população
Somente jovens entre os 10% mais ricos da população
Total dos jovens (15 a 24 anos)
Percentual de jovens ainda no ensino fundamental
60,9%
7,3%
29,2%
Percentual de jovens já no ensino superior
0,8%
53,8%
18,9%Anos de estudos completos
6,1
11,2
8,5
Percentual de jovens que não trabalham nem estudam
34,8%
7,6%
19,9%
Fonte: Ritla, a partir da Pnad/IBGE










