Produção industrial dá maior salto em 4 anos
Escrito por rubensteixeira, postado em 6 dEurope/London dezembro dEurope/London 2007
Fonte: Jornal Hoje em Dia de 6 de dezembro de 2007
RIO – A produção industrial superou as mais otimistas expectativas em outubro e registrou o melhor desempenho em quatro anos. Houve expansão de 2,8% ante setembro – variação só superada nessa base de comparação em setembro de 2003 – e crescimento de 10,3% na comparação com outubro do ano passado. De janeiro a outubro, a indústria acumula crescimento de 5,9%.
O forte aquecimento do mercado interno impulsionou os investimentos, o consumo dos bens duráveis e as encomendas do varejo para o final do ano, garantindo os bons resultados. Analistas do mercado financeiro projetavam, em média, um aumento de 1,3% na produção, ante setembro, ou seja, menos da metade do número divulgado.
Sílvio Sales, coordenador de indústria do IBGE, disse que a produção industrial chegou mais uma vez ao nível recorde em outubro, superando o pico anterior, de agosto último. Ele destacou os efeitos do aquecimento da demanda doméstica. «A dinâmica da produção industrial em 2007 está muito mais associada à força da demanda interna, ainda que as exportações continuem dando contribuição positiva», disse.
Segundo Sales, «há uma predominância de estímulos internos», como ampliação do investimento, aumento da oferta de crédito e expansão da renda e do emprego. Ele admitiu que as encomendas de final de ano, tradicionalmente, têm um efeito forte sobre os resultados de outubro. Mas neste ano, esse efeito veio particularmente forte, acompanhando o aquecimento do consumo.
Automóveis
A produção de veículos automotores representou o principal impacto positivo nos resultados de outubro, em todas as bases de comparação. Esse setor, que tem forte peso na pesquisa, cresceu 7% ante setembro; 29,5% na comparação com outubro do ano passado e 14,3% no acumulado do ano. Sales lembrou que a ampliação do mercado de trabalho e a manutenção das condições favoráveis de crédito têm sido os principais fatores a impulsionar a produção de bens de consumo duráveis (automóveis, eletrodomésticos), que cresceu 1,4% ante setembro e 18,2% ante outubro de 2006.
No que diz respeito aos eletrodomésticos (aumento de 13,9% em outubro, ante outubro de 2006), até mesmo os modelos de linha marrom (TV, rádio e som), que amargavam uma queda acumulada de 15,1% de janeiro a setembro, reagiram em outubro e registraram alta de 12,2%, ante igual mês do ano passado. Segundo Sales, essa reação está relacionada às encomendas do varejo para o final do ano.
Ele destacou que a demanda doméstica é tal que até mesmo segmentos que vinham sendo castigados pela queda nas exportações e pela concorrência dos importados, como os semiduráveis (vestuário e calçados), começam a mostrar sinais consistentes de reação.










