O que é o DESEMPREGO ZERO e o que desejamos para 2008?
Escrito por Gustavo, postado em 25 dEurope/London dezembro dEurope/London 2007
“A crença conservadora de que existe alguma lei da natureza que impede as pessoas de conseguir emprego, de que é ‘imprudente’ empregar pessoas e financeiramente ‘saudável’ manter um décimo da população na ociosidade por um período indefinido é totalmente inverossímil – o tipo de coisa em que nenhum homem poderia acreditar se não tivesse a cabeça entulhada de idéias insensatas durante anos e anos (…) Nossa principal tarefa, portanto, será a de confirmar o instinto do leitor: o que parece sensato é sensato, e o que parece insensato é insensato. (…) colocar os desempregados para trabalhar em tarefas úteis terá as conseqüências que parece que deveria ter, ou seja, aumenta a riqueza nacional; e a noção de que, por tortuosas razões, vamos nos arruinar financeiramente se usarmos esses meios para aumentar nosso bem-estar é o que parece ser – um fantasma” (‘A treatise on money’. 1930).
O site do Desemprego Zero (desempregozero.org.br) surgiu em 7 de outubro de 2003. Quando a ortodoxia Paloccista (ou Palacciana) começava a comemorar com fogos de artifícios suas “conquistas”.
Aquele foi um ano histórico. Desde o golpe de 64, era a primeira vez que um partido de esquerda estava no poder. Poucos inícios de governo foram tão decepcionantes.
O Governo Lula procurou registrar sua chegada com demonstrações exuberantes de conservadorismo econômico. Tão exuberantes que fariam corar qualquer banqueiro, se é que eles têm esse tipo de sentimento. Tão exuberantes que o Ex-Mandarim Econômico da Ditadura, Delfim Netto, tentava puxar o governo para a esquerda com uma proposta que acabou sendo chamada de Déficit Zero. Para Delfim, era uma proposta menos conservadora do que a Meta de Superávit Primário. É verdade, Delfim estava à esquerda da política econômica do Partido dos Trabalhadores. Para o governo, os Juros pagos aos banqueiros eram primeira prioridade e a meta contábil a ser exibida nos salões financeiros internacionais era a segunda prioridade frente aos gastos e investimentos sociais. Para Delfim, não fazia sentido colocar os juros pagos aos banqueiros como primeira prioridade…
Para compensar a política econômica assumidamente desempregadora, o governo, com ajuda de Duda Mendonça, criou o Fome Zero. O programa era basicamente marketing. Não era e continua não sendo factível e racional para um governo distribuir alimentos fisicamente. Distribuir renda de assistência é o caminho. Felizmente o governo entendeu o óbvio e desenvolveu o Bolsa Família, que é um programa muito bom para o país. Hoje o governo Lula tem melhorado melhorando sensivelmente. Mas 2003 foi o ano do Desemprego e do Fome Zero.
Em contraposição a isso o economista e jornalista José Carlos de Assis criou o Desemprego Zero. “Em contraposição” é uma expressão adequada para explicar a inspiração para o nome do sítio. Mas não para explicar a proposta do mesmo. O Desemprego Zero é um site de proposição e não simplesmente de oposição, como tantos por aí.
O Desemprego Zero busca ser uma espécie de “jornal” progressista para internet. Mas algo diferente de certos sites notícias e opinião, que são na grande maioria anti-propositivos. Quem é anti-propositivo não tem “telhado de vidro” e acha que pode “surfar” bem entre os leitores de esquerda e ao mesmo tempo não assustar leitores conservadores, “indignados” em geral e “cansadinhos” em particular.
Entretanto, achamos que mais um local para “jogar pedra” em tudo e em todos não me parece ser muito útil. Com o perdão do chavão, isso seria no máximo “chover no molhado”.
Desde, a ditadura militar, toda a mídia, os partidos de esquerda (e de oposição) e mesmo a academia são basicamente organizações de protesto. Organizações para dizer NÃO. O caso da transposição do São Francisco foi exemplar…
Entretanto, alguém tem que dizer SIM para algo diferente do neoliberalismo. Caso contrário, a Caravana do Neoliberalismo vai continuar passando por nós enquanto continuaremos latindo como cachorro de roça.
Essa é nossa proposta. Oferecer aos brasileiros um canal de notícias e opinião cujo perfil analítico se baseie em um conjunto de propostas claras e pragmáticas para o país. Fazemos isso porque queremos mudar. E temos uma direção. Ela pode estar certa ou errada, mas temos algo para colocar à mesa. Temos crítica e somos criticáveis, pois temos uma proposta clara.
Em agosto deste ano de 2007, criamos o Blog para aumentar a interação com os leitores. Agradecemos a todos que nos acompanham e prestigiam com a leitura e que nos apóiam em nossa luta.
Desejamos a todos que o ano que está para começar seja cheio de alegrias e que possamos reencontrar um bom caminho para a Nação.










