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SÓ O BRASIL PODE PARAR A CHINA e salvar o Planeta ! a DIPLOMACIA ambiental brasileira está profundamente equivocada

Posted By Gustavo On 10 dezembro, 2007 @ 1:09 pm In A POLÍTICA AMBIENTAL externa está equivocada?,Desenvolvimento,EDITORIAIS,Gustavo Santos,Internacional,Propostas | 9 Comments

Gustavo Antônio Galvão dos Santos* 10/12/2007

Rubens Ricupero alerta que a política brasileira de não aceitar imposição de metas de emissão de gás carbônico a países em desenvolvimento é suicida. Suicida e atrasada mais de uma década em relação à nova realidade econômica mundial.

Hoje 73% do aumento da emissão de gás carbônico provêm dos emergentes, basicamente das usinas a carvão chinesas. Permitir que a China continue expandindo velozmente a produção dessa energia tão suja é um perigo para o clima do planeta. Temos que lembrar que os países tropicais são aqueles onde se prevê maiores prejuízos em decorrência do aquecimento. O Brasil é o maior país tropical do planeta.

Porém a pergunta de quem não conhece a nova realidade chinesa ainda é:

Mas o Brasil não pode ser prejudicado se os emergentes forem obrigados a cumprir metas de emissão?

Certamente que não. Muito pelo contrário. Podemos reduzir com muita facilidade e baixíssimo custo nossa emissão de gás carbônico. Porque:

1) A maior parte da nossa emissão provêm das queimadas da Amazônia. Uma fração de redução nas mesmas terá um impacto imenso na redução de nossas emissões. Somente essa medida já é capaz de reduzir significativamente nossa emissão de efeito estufa, mesmo se aumentarmos muito a emissão de gases de outras fontes.

2) Ainda queimamos muita palha de cana, que poderá ser transformada em energia com a ampliação da mecanização das lavouras.

3) O Brasil ainda tem um enorme potencial hidroelétrico.

4) Podemos ainda aumentar a participação do Álcool e Biodisel na nossa matriz energética.

5) A grande expansão da produção de Álcool para exportação produzirá imensas quantidades de bagaço de cana que poderão ser transformados em energia.

Além disso, impor metas sobre a China fará explodir a demanda por biocombustíveis brasileiros. E mais, também nossa indústria poderá se beneficiar muito da imposição de metas de emissão sobre os chineses. O carvão mineral permite à China a produção de energia muito barata que alimenta sua grande competitividade industrial. Com a imposição de metas o custo de produção de energia na China aumentará sobremaneira.

Como explicamos acima, esse aumento de custo não ocorrerá no Brasil. Portanto, nossa competividade será aumentada. Além disso, a punição aos chineses para o não cumprimento de metas só pode se dar via elevação de tarifas de importação na Europa e EUA, tarifas anti-dumping ambiental. Tal política favorecerá ainda mais a competitividade da nossa indústria.

A imposição de metas de emissão de gases de efeito estufa à China, será a grande chance de darmos um salto no nosso processo de desenvolvimento. Como efeito colateral, daremos uma grande ajuda para salvar o planeta e a própria China, que já está passando por um desastre ecológico crônico.

Clique para ver ainda o artigo que nos inspirou:

Mãos de Gato: Artigo do Rubens Ricúpero [1]

Clique ainda para ver:

Déficit comercial com a China não para de crescer [2]

* Doutor em Economia UFRJ


9 Comments (Open | Close)

9 Comments To "SÓ O BRASIL PODE PARAR A CHINA e salvar o Planeta ! a DIPLOMACIA ambiental brasileira está profundamente equivocada"

#1 Comment By Rodrigo Loureiro Medeiros On 10 dezembro, 2007 @ 2:23 pm

Caro Gustavo

Li esse artigo do ex-ministro Rubens Ricúpero. Concordo com a linha de argumentação dele. Sabemos que os países mais desenvolvidos não praticam o discurso que pregam. Friedrich List, em seu Sistema Nacional de Economia Política (1841), já havia descrito essa contradição a partir do caso britânico.

O problema é que não podemos fechar os olhos para o descaso com as políticas sócio-ambientais. Escrevi um artigo acadêmico sobre a sustentabilidade sócio-ambiental das metrópoles brasileiras e o publiquei numa revista da Universidade de Málaga, Espanha. Tratei de como a má gestão dos recursos hídricos, o ouro azul do século XXI, poderá comprometer áreas urbanas em nosso país. Isso para não falar na Amazônia brasileira e no Aqüifero Guarani.

Com base em experiências internacionais e em consonância com programas do próprio governo federal brasileiro, propus uma série de medidas incrementais e estruturais que poderiam ser adotadas por gestores preocupados com essa temática.

Apresentei com um colega do Departamento de Engenharia Ambiental da UFES esse trabalho na Presidência da Câmara Municipal de Vitória (ES), ocupada por um vereador do PT, e a acolhida foi muito boa. Ressalto, no entanto, que alguns setores da sociedade estão à frente dos nossos políticos. A construção civil descobriu que ganha dinheiro vendendo “prédios verdes”, os green buildings. Estes consomem menos recursos naturais e ainda reciclam recursos hídricos que podem ser aproveitados na instalação predial. A conta fica mais barata para quem precisa pagar o custeio do lar… Em termos de custo total da obra, tais medidas representam apenas 1,5% do total.

Vale a pena investir em inovações tecnológicas para o desenvolvimento sustentável. Se pode tranquilamente reduzir custos, eliminar desperdícios e reduzir a necessidade de recursos naturais em diversos tipos de processamento. E isso com a tecnologia disponível.

Um abraço,

Rodrigo Loureiro Medeiros, D.Sc.

#2 Comment By Gustavo dos Santos (meus artigos clique) On 10 dezembro, 2007 @ 2:54 pm

Caro Rodrigo,
achei o tema do seu artigo interessante.
acho que seria legal vc enviar esse artigo para o blog.
abraços,
Gustavo

#3 Comment By Rodrigo Loureiro Medeiros On 11 dezembro, 2007 @ 11:20 am

Já coloquei no site uma versão do trabalho.

Um abraço,

Rodrigo Loureiro Medeiros, D.Sc.

#4 Comment By Gustavo On 12 dezembro, 2007 @ 4:31 pm

Rodrigo,
o que vc achou da proposta deste artigo?
devemos pedir metas de emissão de carbono também para os emergentes?
abraços,
Gustavo

#5 Comment By Rodrigo Medeiros On 13 dezembro, 2007 @ 6:40 pm

Caro Gustavo

Penso que os maiores poluidores históricos, as nações mais desenvolvidas, precisam arcar com o grosso da fatura. O mecanismo de desenvolvimento limpo previsto no Protocolo de Kyoto era uma esperança há tempos atrás. Sir Nicolas Stern, ex-economista do Bird, vem trabalhando nessa questão seriamente. O relatório dos impactos econômicos das mudanças climáticas do governo britânico esteve sob a responsabilidade desse economista. Um interessante trabalho…

Agora já falam em um pós-Kyoto. Certamente devemos ter metas de redução das emissões de gases poluentes a partir da estruturação de acordos de cooperação tecnológica e transferência de tecnologias. Tudo isso passando pelo sistema multilateral.

A ONU deve ser resgatada do limbo que os EUA a colocaram quando passaram por cima do Conselho de Segurança para invadir o Iraque. Creio que Al Gore, entre muitos democratas norte-americanos, está de acordo com isso. Ele escreveu um livro que merece alguma atenção: “Ataque à Razão” (Manole, 2007).

Podemos aproveitar essa onda para renovar setores da nossa economia, o que certamente geraria efeitos multiplicadores bem interessantes. Veja o caso dos nossos deficientes sistemas de saneamento básico. (As perdas nos sistemas de abastecimento de água são escandalosas em diversas áreas do Brasil.) Nossas instalações prediais residencias são muito ineficientes no uso de água. Se consumirmos menos água reduzimos o consumo de energia. Essa correlação é internacionalmente reconhecida pela respectiva comunidade científica.

Temos experiências interessantes no Brasil. Cito o caso do programa PROSAB, do governo federal. Nisso o Roberto Mangabeira Unger está correto. Precisamos alargar os horizontes do debate economicista.

Um abraço,

Rodrigo Loureiro Medeiros, D.Sc.

#6 Comment By Gustavo On 13 dezembro, 2007 @ 7:06 pm

E a China?
já é o maior emissor de carbono e sua emissão cresce mais de 10% ao ano.
abraços

#7 Comment By Rodrigo Medeiros On 14 dezembro, 2007 @ 10:00 am

Caro Gustavo

Alguns dizem que a história só se repete como tragédia e farsa. Se for o caso, a China vem crescendo rapidamente e de forma expressiva a partir de um paradigma do século XIX.

Há estudos sérios que indicam que caso sejam debitados os danos econômicos irreversíveis ao meio ambiente, o PIB chinês diminuiria muito. Mas muito mesmo… Além disso, muitas coisas que rolam por lá nós simplesmente desconhecemos.

A revista CartaCapital publicou uma matéria bem interessante sobre a China intitulada “O futuro do dragão”. Se não estou enganado na edição de setembro.

Um abraço,

Rodrigo Loureiro Medeiros, D.Sc.

#8 Comment By Gustavo dos Santos (meus artigos clique) On 14 dezembro, 2007 @ 10:32 am

vou ver se acho a matéria.
valeu
abraços

#9 Pingback By Banco Mundial concorda com o Desemprego Zero « Blog do Desemprego Zero On 18 fevereiro, 2008 @ 5:36 pm

[...] Escrito por Gustavo dos Santos (meus artigos clique) em fevereiro 18, 2008 Em um artigo de dezembro passado escrevemos um artigo dizendo que o Brasil é o país que pode fazer a diferença para tirar o planeta de inércia e colocar em prática políticas efetivas de combate ao efeito estufa (clique aqui para ler). [...]


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[1] Mãos de Gato: Artigo do Rubens Ricúpero: http://desempregozero.org/wp-content/uploads/2007/12/ricupero.pdf

[2] Déficit comercial com a China não para de crescer: http://desempregozero.org/wp-content/uploads/2007/12/deficit-comercial-com-a-china1.doc

[3] A VERDADE sobre as PLANTAÇÕES DE EUCALIPTO: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/01/a-verdade-sobre-as-plantacoes-de-eucalipto/

[4] Vazamento de petróleo nas metrópoles: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/01/vazamento-de-petroleo-nas-metropoles/

[5] MANGABEIRA E OS AQUEDUTOS DA AMAZÔNIA: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/01/mangabeira-e-os-aquedutos-da-amazonia/

[6] Amazônia serve para Desenvolvimento Social?: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/01/amazonia-serve-para-desenvolvimento-social/

[7] EUA: dando adeus à Hegemonia?: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/01/eua-dando-adeus-a-hegemonia/

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