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Crescimento do PIB chega aos 5% – desempenho acima do que previam especialistas

Posted By rubensteixeira On 13 dezembro, 2007 @ 9:57 am In O que deu na Imprensa | No Comments

Fonte: Jornal Tribuna da Imprensa de 13 de dezembro de 2007

O Brasil já chegou ao crescimento de 5% do Produto Interno Bruto (PIB), o objetivo anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início do segundo mandato. Os números do PIB do terceiro trimestre de 2007 mostram que aquele nível já foi atingido em todos os tipos de medidas, e é provável que 2007 feche com um crescimento acima de 5%. O PIB brasileiro do terceiro trimestre mostrou a economia em um ritmo de crescimento superior ao das projeções do mercado, e acompanhado por um espetacular aumento dos investimentos.

Outros destaques positivos do PIB do terceiro trimestre, além dos investimentos, foram a agropecuária e o setor financeiro. O aspecto preocupante é o crescimento muito maior das importações do que o das exportações, que fez com que, pela primeira vez desde 2001, a economia apresentasse um trimestre com “necessidade de financiamento” – conceito das contas nacionais aproximadamente equivalente ao de déficit em conta corrente.

O PIB do terceiro trimestre cresceu 1,7% em relação ao trimestre anterior, na série dessazonalizada. Anualizando este número, como fazem os Estados Unidos e vários outros países, o crescimento é de 6,98%. Na comparação com o mesmo período de 2006, o crescimento do terceiro trimestre foi de 5,7%, o maior desde o segundo trimestre de 2004 (quando atingiu 7,8%). As projeções do mercado de crescimento para este indicador no terceiro trimestre de 2007 variavam de 4% a 5,35%. O PIB vem crescendo nesta base de comparação há 23 trimestres, ou desde o início de 2002.

Nos 12 meses terminados em setembro, a economia expandiu-se 5,2%. E, no acumulado de 2007, o crescimento é de 5,2%. Em valores o PIB do terceiro trimestre de 2007 atingiu R$ 645,2 bilhões, sendo R$ 551,6 bilhões de valor adicionado, e R$ 93,5 bilhões de impostos.

Os investimentos (formação bruta de capital fixo, FBCF) cresceram, no terceiro trimestre, 14,4% em relação a igual período de 2006, a maior expansão trimestral de toda a série, iniciada em 1996, e a 15ª alta trimestral consecutiva. O Boletim de Conjuntura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) de setembro projetava um crescimento dos investimentos de 8,8% no terceiro trimestre.

Em quatro trimestres consecutivos, a menor taxa de crescimento dos investimentos foi de 8,8%, no primeiro de 2007. No segundo trimestre deste ano, a taxa foi de 13,9%. Com este ritmo fortíssimo, os investimentos acumulam uma expansão de 12,1% nos 12 meses até setembro, o que é mais do que o dobro do PIB.

“O crescimento dos investimentos tem sido sistematicamente muito bom”, comentou Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), durante a divulgação do resultado do terceiro trimestre ontem, no Rio.

Ela observou que o investimento vem sendo induzido pelo aquecimento do consumo interno, e que ele está fortemente calcado nos bens de capital, tanto os produzidos no Brasil quanto os importados (neste segundo caso, o câmbio valorizado tem sido um estímulo).

Rebeca notou ainda que a queda da Selic (taxa de juro básica) média de 14,6%, no terceiro trimestre de 2006, para 11,5%, no mesmo período de 2007, contribuiu para os investimentos. O mesmo tipo de efeito foi proporcionado pelo aumento de 25,3% do crédito com recursos livres para empresas, entre o terceiro trimestre de 2007 e o de 2006.

Segundo a economista, o crescimento dos investimentos é generalizado, mas está fortemente baseado nas aquisições de máquinas e equipamentos pela indústria e agropecuária. Os dados da produção industrial de bens de capital do IBGE mostram um crescimento de 20% no terceiro trimestre, em relação a igual período de 2006.

Já os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) revelam um crescimento de 30% nas importações de máquinas e equipamentos (em valores) de janeiro a setembro deste ano. Em contraste, a construção civil, o outro componente dos investimentos, vem se recuperando, mas cresceu a um ritmo mais modesto, de 5%, no terceiro trimestre de 2007.

Na análise setorial do PIB, a agropecuária foi o setor que mais cresceu no terceiro trimestre de 2007 (em relação ao mesmo período do ano passado), com taxa de 9,2%. Rebeca observou que culturas com mais de 50% da safra colhida no terceiro trimestre, como cana-de-açúcar e trigo, estão crescendo fortemente em 2007. Segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de outubro, a safra de cana deve crescer 13,1% este ano, e a de trigo, 59,3%.

A indústria, por sua vez, cresceu 5% no terceiro trimestre, comparado com igual período de 2006, com destaque para a indústria de transformação, com taxa de 5,7%. Os destaques da transformação foram máquinas e equipamentos (puxados pelo forte ritmo dos investimentos), setor automotivo (que está batendo todos os seus recordes de produção neste ano), material elétrico e produtos químicos. Os serviços, por sua vez, cresceram 4,8%.


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