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COMENTÁRIOS SOBRE AS TROCAS DE CARTAS ENTRE LETÍCIA SABATELLA E CIRO GOMES

Posted By NOSSOS AUTORES On 24 dezembro, 2007 @ 6:59 am In Desenvolvimento,Jefferson Milton Marinho,Política Brasileira,Transposição do São Francisco: redenção ou desastr | 17 Comments

Jefferson Milton Marinho do Blog do Jefferson [1]

Este texto começou com alguns comentários sobre a transposição do rio São Francisco que surgiram da leitura da carta do deputado Ciro Gomes à atriz Letícia Sabatella. Com a resposta da atriz ao deputado, resolvi desenvolvê-lo melhor, após reflexões sobre a transposição e a greve de fome de Dom Luis Cappio.

É certo que a greve de fome de Dom Cappio acabou, mas não a discussão sobre a transposição do Rio São Francisco. De início, não queria entrar muito nesse debate. Uma razão é que sou leigo no assunto, assim como a grande maioria dos brasileiros (inclusive dos que debatem fervorosamente). Mas a razão principal é que o debate fugiu à racionalidade, com pitadas de “messianismo puro”. Não sei dizer com certeza se vale ou não à pena fazer a obra. Se as alternativas colocadas com relação à transposição (ou integração de bacias) são realmente viáveis. Se elas teriam ou não o mesmo impacto para a população do semi-árido nordestino. Da mesma forma, não sei dizer com convicção se o dinheiro a ser gasto na transposição é muito elevado. Se não seria suficiente para atingir o mesmo resultado com outros projetos (e talvez gastando menos). Se o tal projeto alternativo da Agência Nacional das Águas (ANA) é mesmo viável, melhor, mais econômico e potencialmente obtém resultados equivalentes (ou maiores). Na verdade, o que se sabe até agora que não se trata de um projeto, mas simplesmente um levantamento em cada município do semi-árido nordestino dos seus recursos hídricos potenciais.

Para início de conversa, não gosto do argumento puramente econômico, pois apresenta um viés de origem. O governo gastar alguns bilhões para beneficiar 12 milhões de nordestinos da região pobre do semi-árido não é democrático (é gastança exagerada). Por outro lado, duvido que o mesmo questionamento estivesse sendo feito se a destinação do recurso tivesse como beneficiários uma parcela de moradores da região sul e sudeste. Seriam mais produtivos. Isso é no mínimo questionável. O que parece claro é que a transposição não inviabiliza outros projetos que poderiam amenizar o problema humanitário, como a construção de cisternas ou de reservatórios para guardar a água da chuva.

Parece-me pouco lógico a idéia de que tirar 1,5% do volume de água do rio, quando ele está quase desaguando no mar, em Sergipe – o Rio nasce em Minas Gerais -, pudesse levá-lo à ruína. Isso não tem o menor cabimento. E também fiquei sabendo que alguns contrários ao projeto justificam seu argumento sob o pretexto de que a água desviada do São Francisco não servirá para matar a sede dos nordestinos, mas para projetos agroindustriais (fruticultura, por exemplo) e siderúrgicos. Como supostamente a transposição não serviria para questões humanitárias (matar a sede), o que ela faz é beneficiar os mesmos de sempre (os velhos coronéis). Desconfio da tese. Quer dizer que se for para questões humanitárias o projeto não prejudicará o rio. O problema é o desvio da água ou sua destinação? Não entendi o argumento.

Na minha opinião, o problema do nordestino do semi-árido sempre foi de renda (ou melhor, aquela renda incapaz de suprir necessidades mínimas). Ele tem que escolher entre comprar água ou comida. Por isso, acaba vivendo com uma quantidade insuficiente de água e de comida. Se o projeto de transposição do rio ajudar a gerar renda na região do semi-árido (não estou falando que isso acontecerá), não tenho dúvida de que isso trará benefício para todos os que residem naquela região. Não há muito sentido assumir posição contrária a um projeto porque não servirá apenas para matar a sede, mas para gerar desenvolvimento na região. Sempre acreditei que desenvolver a região fosse interesse da maioria, que acabaria se beneficiando.

Agora, pensando politicamente na questão do rio (não do projeto).  Acredito ser bem mais viável uma solução para a preservação das nascentes do Rio São Francisco com a transposição do que sem ela. No meu entendimento, a transposição fortalece politicamente a defesa do rio (e de suas nascentes), não o contrário. Como sei que Dom Cappio é um líder religioso inteligente, bem informado e politicamente inserido, não consigo entender claramente suas razões (ou objetivos). O que estaria por trás de seu sacrifício? Não estou dizendo que ele não tenha razão. Apenas que não há clareza nesse sentido.

O que não pode acontecer é um assunto dessa importância ser discutido como um Fla x Flu. Ou um plebiscito sobre a atuação do governo junto aos movimentos sociais. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Nessa linha, acabam-se unindo gente que não tem qualquer ponto em comum. Ou nenhum motivo para caminharem juntos. Entram aqueles que são oposição ao governo (e só isso). Outros que não querem que o governo gaste tanto dinheiro na região nordeste (sei lá porque). E ainda legítimos movimentos sociais, inclusive alguns que não têm qualquer idéia sobre transposição. Realmente, o ponto de partida dos que se opõem ao projeto de transposição não é bom. Deveriam melhorar bastante seus argumentos. Não quero dizer que o projeto seja bom ou ruim. Apenas que precisam de justificativas mais aceitáveis. Não oposição pura e simplesmente.

ATORES da GLOBO CHORAM no SENADO FEDERAL com BISPO Cappio da GREVE de FOME para tentar barrar a obra da TRANSPOSIÇÃO DO SÃO FRANCISCO [2]

Jefferson Milton Marinho: Economista formado pela UFMG e Mestrado na mesma instituição. MBA em Finanças pelo IBMEC-BH. Meus Artigos [3]


17 Comments (Open | Close)

17 Comments To "COMENTÁRIOS SOBRE AS TROCAS DE CARTAS ENTRE LETÍCIA SABATELLA E CIRO GOMES"

#1 Comment By Rodrigo Medeiros On 24 dezembro, 2007 @ 11:44 am

Prezados colegas

Penso que os argumentos da atriz Letícia Sabatella merecem alguma reflexão. Existem outras soluções para a questão da transposição do São Francisco? Alguns preferem chamar o projeto de integração de bacias hidrigráficas. Que seja.

O deputado Ciro Gomes fala em 12 milhões de pessoas beneficiadas com o projeto do governo Lula e a atriz Letícia Sabatella fala em 30 milhões a serem beneficiadas com uma alternativa mais popular e democrática.

Cordialmente,

Rodrigo Loureiro Medeiros, D.Sc.

#2 Comment By Gustavo dos Santos (meus artigos clique) On 24 dezembro, 2007 @ 12:12 pm

Rodrigo, meu amigo,
é isso que estamos dizendo em todos os textos.
não há alternativa à transposição(que não deveria ter esse nome, pois o Rio não será transposto).
A tal alternativa que a Letícia alega é uma FARSA. Os 30 milhões dela são a população inteira da região! Esse tal Atlas do Nordeste é apenas um questionário que fizeram com os prefeitos da região. Como o próprio nome diz “Atlas”,
não é uma proposta de ação planejada ou factível. Nem é uma proposta de fato.
Não há alternativa para levar água para aquela região, pois lá não tem água subterrânea em quantidade ou é salobra. Dizer que as cisternas são solução é uma piada. Servem apenas para consumo residencial de famílias rurais. A região também é urbanizada, como o resto do Brasil.
A transposição é a única alternativa de viabilizar uma sociedade com qualidade de vida no Sertão.
Se você conhece alternativa, me diga, pois a Letícia Sabatella e o Bispo levantaram falsas alternativas.
abraços

#3 Comment By Mocidade On 24 dezembro, 2007 @ 1:07 pm

Caros companheiros, apesar de haver politicagem contra esse projeto, reconheço haver muita gente bem intencionada que se coloca contra, como o tal Bispo de Barra. O problema que vejo é que essas pessoas não sabem demonstrar suas opiniões. Falam em democracia sem saber o que ela representa. Que façam uma greve, uma passeata, discursos, debates, o que quiserem, mas greve de fome é um sentimentalismo que não tem cabimento em algo que deve ser bem racional, como é a política. Isso sem levar em conta que o Bispo já recusou inúmeras vezes a debater.
Impressiona igualmente que os contrários demonstram desconhecer o projeto, e toda crítica para ser séria deve-se conhecer muito bem o que está sendo o objeto da crítica. Leticia diz que o projeto será para o agronegócio. Não é verdade, pois o governo já decretou para fins de reforma agrária toda a faixa que vai 2 km e meio para cada lado dos canais; p/ fins de utilidade pública.
Poços artesianos, o Nordeste quase não tem.
Cisternas são domiciliares, não resolvem problemas estruturais de grande regiões.
Sendo superados então os argumentos, resta o do custo da obra. Dizem que 5 bilhões é muito. Ora, se é para acabar com a seca, que se gaste. A Régis Bitencourt, em São Paulo, está sendo duplicada e custará de 2 a 3 bilhões. Seria correto fazer greve de fome para a suspensão da obra e pedir para usar esse dinheiro para se urbanizar as favelas da São Paulo? É óbvio que não.

Basta ver o projeto no site do ministério [4], e ler tudo. Boa parte das críticas seriam dissipadas, pois o projeto foi aprovado pelo IBAMA, pela Agência Nacional de Águas(ANA) e pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos. Isso, por si só, já é um extraordinário argumento para a sua realização.

#4 Comment By Bruno On 24 dezembro, 2007 @ 4:34 pm

Vcs viram a coluna do Gilberto Dimenstein hoje? Além de uma afronta aos trabalhadores brasileiros e a inteligência dos leitores, é o argumento do conservadorismo que quer deixar o Brasil cada vez menor no cenário mundial. Dá onde ele tirou isso? ´Vamos perguntar pro recem formados de todas as areas e ver se isso é verdade. O absurdo disso é impressionante.

24/12/2007
A descoberta do pior apagão

2007 entra para a história como o ano em que descobrimos o pior de nossos apagões: o apagão dos trabalhadores. É uma terrível e maravilhosa descoberta. Maravilhosa porque, ao contrário dos anos de baixa, os empresários precisam encontrar mão-de-obra qualificada e remunerá-la melhor. Terrível porque mostra um das maiores incompetência brasileiras: ser um país de alto desemprego, mas incapaz de preencher vagas.

Vimos, em detalhe, como o capital humano significa mais empregos e renda, ou seja, menos miséria, e como pagamos um preço alto pelo descuido com a formação dos brasileiros. Todos perceberam, com clareza, que, se quisermos crescer, teremos de ser mais sérios com a educação pública.

A nota positiva é que nunca se falou tanto do apagão de professores para o ensino médio. E também nunca se falou da necessidade de ampliar cursos técnicos. A rapidez com que enfrentaremos essas carências será a melhor medida da seriedade de todo um país com seus cidadãos.

Até os mais tapados já estão percebendo que a falta de mentes é tão grave como a falta de energia.

#5 Comment By blogdojefferson On 24 dezembro, 2007 @ 6:15 pm

Caro Rodrigo e Gustavo,

Quero agradecer inicialmente pelos comentários. Ajudam a enriquecer o debate. Não sou conhecedor do projeto (e seus impactos) como meu amigo Gustavo, mas concordo com seus argumentos.

No tocante às alternativas ao projeto, realmente não vi nenhuma clareza. O que a atriz Letícia Sabatella fala não é de um projeto, mas idéias que estão longe de ter conseqüência. E sinceramente, não colide com o projeto. Já o bispo, eu pessoalmente só sei que ele é contra, assim como a maioria dos moradores dos Estados que não se beneficiam do projeto. Ficar chutando idéias que estão distante de ter alguma conseqüência (como fez Letícia Sabatella), dá aquela impressão de que faz parte da política da “não solução”. Todos os atores envolvidos fingem que fizeram algo, mas nada é feito de fato. Politicamente, pode ser até mais interessante, ficam todos relativamente satisfeitos. E o governo veste melhor a carapuça de democrático.

Caro Rodrigo, não entendi o por que de relacionar Paulo Renato e José Dirceu no debate. Caso relacionou esse último por entender que o projeto é caro, o que poderia redundar em corrupção, não entendi menos ainda. Vamos aos pontos.

Primeiro, dizer que o projeto não é democrático – como alguns sugerem – é uma interpretação errônea da democracia. Na democracia também não se ganha sempre. Aliás, isso é comum na ditadura, onde os ganhadores são sempre os mesmos. Naturalmente, numa democracia, o governo pode tomar decisões que não lhe agrade, mas não quer dizer que não são democráticas.

No caso da transposição, eu nunca vi nada ser tanto debatido. Agora, muita gente contra o projeto não quer debater nada. São contra e pronto. Falam em alternativas. Mas, sinceramente, não as apresentam com a devida clareza. Cada hora tem um motivo diferente para serem contras. Eventualmente, talvez tenham até razão. Poderia haver alternativas melhores para o projeto. Mas não venham com idéias que são “não solução”.

Rodigo, você falou em transparência. No caso da transposição, a transparência é bem maior que na maioria das grandes obras nacionais. Ninguém sabe nada sobre o Rio Madeira ou sobre as obras de duplicação das estradas. Provavelmente só quem sabe é o governo e as empresas. Mas isso não acontece em relação à transposição.

Além disso, a transposição tornou-se uma obra muito visada pela oposição (e opositores ao projeto). No meu entender, é bem mais fácil a corrupção agir quando a obra é menos vigiada do que o contrário. Nesse sentido, das grandes obras nacionais, talvez a que tenha mais gente fiscalizando é justamente essa. Se o problema da obra for corrupção, isso não estaria adstrito à transposição. Não faz o menor sentido ser contra a obra por mera suspeita de possível corrupção, mas não ter a mesma atitude em relação a outros projetos.

É isso que tenho a dizer.

Abraços,

Jefferson

#6 Comment By Mocidade On 24 dezembro, 2007 @ 9:19 pm

Caros amigos. É com muita satisfação que tenho a oportunidade de debater convosco. O que precisamos é exatamente disso: racionalidade. Um debate sem fanatismos, sem preconceitos, sem interesses outros que não sejam os do povo. Isso é o mais importante. O que mais me chama a atenção não é o fato de pessoas estarem contra o projeto, pois isso faz parte, é da natureza da democracia. Aliás, é até necessário que assim aconteça para qualificar o debate e não tornar unilateral a visão. O que mais me incomoda é a forma como isso é apresentado.
Apresentam-se argumentos sem pé nem cabeça. Essas pessoas nunca leram o projeto, pelo menos é o que parece.
Estão preocupadas com o povo, mas isso só não basta. No primeiro mandato do Lula inteiro foi debatido este projeto, chefiado pelo então ministro Ciro Gomes. Como é que vêm agora dizer que não houve debate? Se é para esperarmos unanimidade, nada sairá nunca do papel!
Pergunto ainda: antes do Governo Lula, alguém lembra de algum projeto para o semi-árido que saiu do papel? Algo estrutural a fim de combater a seca? Havia alguma revitalização? Ninguém falava do assunto. Agora, depois que o IBAMA, a ANA, o CNRH e todos os órgãos especialistas aprovam e a justiça autoriza a execução, aparecem bispos, artistas, jornalistas, todo mundo com a mágica solução para seca?

Repito: quem quiser ser contra pode ser, aliás, deve ser, se julgar que assim é o correto. Mas por favor, não utilizar um sentimentalismo populista que, como todos sabemos, não resolve nada.

Um grande abraço a todos os meus amigos preocupados com a questão: Jefferson, Bruno, Gustavo e Rodrigo.

#7 Comment By Gustavo dos Santos (meus artigos clique) On 25 dezembro, 2007 @ 8:51 am

Penso exatamente o mesmo!
abraços

#8 Comment By Paulo Andrade On 25 dezembro, 2007 @ 9:15 pm

Caros colegas desta discussão. Fiquei encantado com a serenidade e aclareza com que cada um expôs a sua posição, por isso também me esforço a lançar alguns dados a esta discussão.

Entendo a perplexidade dos brasileiros frente à atitude do bispo em relação à transposição e concordo que a transposição, se mantido o volume de 28 m3/s para uso humano exclusivo, não vai secar o São Francisco. Mas vejam um pouco do que o Ciro Gomes diz, comentado por mim e por outros que vêm analisando esta questão há muito tempo:

Ciro defende a transposição e sempre desqualifica os opositores da idéia. Tudo bem, faz parte do jogo político. Mas quando se trata de esclarecer e entender a questão, o comportamento é inadequado. Vamos tomar um ponto frequente usado pelo Ciro: a transposição vai atender a demanda de água para consumo humano. No início das suas apresentações, esta é a argumentação. Mas logo aparece uma demanda de 1500 litros por dia para cada cidadão (do contingente de 11 milhões a serem atendidos), nas planilhas da obra. Por que este consumo tão alto? Porque é o consumo social, e não apenas para água, banho, etc. Envolve também os usos indiretos, na indústria e no comércio. Tudo bem vá lá que seja. Mas logo adiante aparecem canais para captar muito mais do que os 28 .000 litros por segundo necessários (com vasta sobra) para atender a população planejada. No limite os canais podem levar até 300.000 litros por segundo. E porque este aumento de mais de 10 X o planejado? Aí o Ciro explica que, quando for possível vai se captar do rio este volume para a agricultura. Aí a coisa muda de figura: primeiro – a água, passando sobre a serra do Araripe e andando quase 1500 km, vai ser tão cara que nenhum agricultor poderá pagar. Basta levantar a água 50 m de altura e ela já fica muito cara, todo agricultor sabe disso. Se for subsidiada, está errado: há milhões de hectares na beira do próprio São Francisco que não são irrigadas porque o curto da água é proibitivo, a menos que se subsidie… segundo – A água vai servir para irrigar o quê, se os terrenos por onde passam os canais e rios aproveitados são na sua maioria rasos demais, com terras de pouquíssima aptidão agrícola? terceiro – de que adianta produzir, se fosse possível, naquelas paragens, se os grandes centros consumidores estão a muitas centenas de km de distância? quarto – Ciro diz que as águas só vão ser captadas em grande volume quando houver volume guardado em Sobradinho. Mas o reservatório só ultrapassa os 90% durante três ou quatro meses. E fora disso, como o felizardo agricultor que vai receber água subsidiada se vira? O reservatório só vai permitir uma retirada significativa entre maio e agosto… Enfim, se fosse só para uso humano, não precisava de canal, só de adutora. Agora, a gente se pergunta: tem gente morrendo de sede no sertão de PE, PB, CE ou RN? Quando alguém precisa de água pega uma mula, anda kms e vai buscar. Volta sem água? Nunca. O que ocorre é que, água, há. O que é péssima é sua distribuição, manipulada por políticos corruptos há séculos, que vão fazer o mesmo com as águas da transposição.

Por fim, colegas, a CPT (e mais meio mundo de gente) é contra a transposição muito mais por causa do custo absurdo desta água, da dificuldade (ou mesmo impossibilidade) de uma distribuição justa e da falácia de que ela vai resolver o problema do sertão, que não vai nem a pau. Há alternativas em forma de projetos? Sim, a começar pelo programa de 1 milhão de cisternas, que já está em operação. Vai dar segurança hídrica ao morador isolado no Sertão. Segundo, a construção das redes de distribuição das águas dos açudes e a construção d novos açudes, tudo projetado e com orçamento. Não se faz porque não se quer.
Cordialmente.
Paulo Andrade
[5]

#9 Comment By Gustavo dos Santos (meus artigos clique) On 25 dezembro, 2007 @ 11:21 pm

Caro Paulo Andrade,
obrigado pelos esclarecimentos. Você está certo. O sertanejo em geral não passa sede a ponto de morrer (com exceção dos casos de infecções intestinais causadas por água de açude secando). Essa água será na maior parte um uso social e não individual. Mas mesmo para uso individual a água disponível hoje no sertão é muito pouca. O sertanejo típico tem hoje condição de ter coisas simples como uma privada, uma máquina de lavar e permitir sua filha adolescente ficar 30 minutos tomando banho? Não. É certo privá-los desse desejo? Ou seria “direito”?

além disso, tem a questão do uso social.
Água é infra-estrutura básica do desenvolvimento. É possível desenvolvimento sem luz elétrica? Ou com suprimento inconstante e incerto de luz elétrica? Não. O mesmo acontece com a água. O São Francisco tem capacidade para suprir esses 28 metros cúbicos por segundo, portanto, eles serão tirados para a transposição ou para projetos à beira do Rio (que estão na fila só esperando a transposição ser “desistida”).
é preciso atentar que a construção civil está começando a crescer como não se via há décadas. Se não for ofertado empregos de qualidade no sertão, veremos um grande êxodo para as grandes cidades nos próximos anos. O crescimento da agricultura e a demanda por madeira puxada pelo crescimento e pela construção civil vai aumentar a demanda de operadores de serra elétrica na amazônia.
é melhor que a região se esvazie e dobre a população da amazônia legal ou aumente ainda mais as favelas e periferias dos grandes centros? o que é mais racional, transportar água ou pessoas, casas e infra-estrutura urbana e econômica? o que é pior para o meio ambiente?
A pergunta que se faz então é:
para onde deve ir a água? ficar em projetos na beira do Rio ou ir para o Nordeste Setentrional?
eu tentei explicar nos artigos seguintes que é melhor levar a água para o Nordeste setentrional:
[6]
[7]
Você leu?
Me baseio em duas premissas: 1) no Nordeste setentrional há utilizações mais nobres para essa água. Por isso (em parte) o custo maior não seria um problema, pois para essas utilizações mais nobres a água continuará muito barata, mesmo sem subsídio (e mais, se houvesse subsídio qual é o problema? quando a indústria paulista e especuladores internacionais recebem subsídios centenas de vezes maiores ninguém reclama, mas para dar água ao sertanejo, fazem até greve de fome, olha que vc disse que a CPT era contra por causa do custo elevado…)
2) Lá esse fluxo contínuo de água e a possibilidade de fluxo extra em cheias mais intensas permitirá uma melhor administração dos grandes açudes, o que permitirá quase triplicar o aumento da disponibilidade de água (segundo os estudos do projeto) em relação à quantidade de água tirada do Rio. só isso faz com que o custo médio caia para quase um terço.
O programa 1 milhão de cisternas deve ir pra frente! Alguém comentou no Blog que o governo já fez 200 mil nos últimos anos.
ele é complementar à transposição. A transposição é mais para uso urbano ou uso rural localizado. As cisternas são adequadas para residências rurais ou comunidades muito pequenas ou isoladas.
Outra coisa importante sobre o que você falou: o sistema de captação funciona com capacidade ociosa para permitir que seja retirado um volume de água superior à média nos momentos de cheia do Rio. Se um dia quiserem ampliar o projeto terão que passar por todos os órgãos ambientais, ministério público, ANA, promotorias estudais e federais, imprensa e sociedade civil, que como podemos perceber é extremamente desconfiada de propostas de tirar água do Rio.
Não há motivo para se preocupar com hipóteses que estão longe de estar em pauta. Além disso, qualquer ampliação do projeto sofrerá a mesma fiscalização e oposição. A questão é: o projeto é bom ou não?
cordialmente,
Gustavo

#10 Comment By Gustavo dos Santos (meus artigos clique) On 25 dezembro, 2007 @ 11:54 pm

Caro Paulo Andrade,
(Esse comentário está complementando o que está logo acima. Melhor começar lendo o de cima primeiro.)

Em geral o solo da região é raso mesmo (por isso que a Tranposição é a solução e não a água subterrânea). Mas isso não acontece em 100% da terra. Nas baixadas e vales não é. E não se imagina que se irá irrigar 100% do Sertão. Apenas uma fração mínima do território poderá ser irrigado. Faz sentido que seja nos solos mais adequados à cultura de irrigação. Ainda assim pode causar salinização? Sim. Mas isso decorre ´pela irrigação em sim e não pela transposição. Irrigação na beira do São Francisco, como você prefere, também pode causar salinização.
Portanto, a salinização é uma falsa questão no debate sobre o São Francisco.
e mesmos se fosse…
ainda que fosse (e não é) a salinização hoje não é um grande problema, pois existem técnicas baratas de desanilização (que já são muito usadas no Nordeste). E mais, a pluviosidade do Nordeste é suficientemente alta e concentrada para permitir uma desanilização natural em muito poucos anos do terreno se ele for deixado descansando. E mais, essas terras hoje são inapropriadas para atividade agrícola por falta de água, se ficar alguns anos descansando para desanlização natural em decorrência de anos de irrigação, não haveria nenhum problema em relação a isso.
e por último, a água também terá uso humano, comercial e industrial. Possíveis problemas (que ainda não vi) com relação à irrigação, não são suficientes para justificar a negação de água para esses outros usos.
(Esse comentário está complementando o que está logo acima. Melhor começar lendo o de cima primeiro.)
abraços,
Gustavo

#11 Comment By Rodrigo Loureiro Medeiros On 26 dezembro, 2007 @ 8:13 am

Prezados colegas

Fico feliz com o debate. Creio que só assim se pode construir uma sociedade mais democrática e equitativa. Não existem atalhos sustentáveis pela via da autocracia “dos incorruptíveis”.

Reconheço que o debate chegou aos jornais nos tempos em que o deputado Ciro Gomes foi ministro de Integração. Lembro-me de que a Folha de São Paulo publicou o projeto na íntegra, com os devidos espaços para as críticas que hoje aparecem em nosso site.

Não há mal algum em revisitarmos o debate. Penso que a desconfiança faz parte do processo que vivemos. Trata-se inclusive de uma postura científica recomendada por Descartes. Saiu uma nota recente na imprensa sobre uma pesquisa da ONG Transparência Brasil. Ela tem um site e vem procurando levantar uma séria de estatísticas que revelam a incredulidade do brasileiro frente ao seu quadro político-partidário. Gastos abusivos dos políticos, mordomias, verbas disso e daquilo, relacionamentos promíscuos com os financiadores de campanha… Um rosário de itens que poderia levantar algumas reflexões interessantes para uma reforma política. É preciso reduzir o grau de oligarquização da política brasileira, incluindo o peso do poder econômico no processo eleitoral. Sem exceções para os partidos ditos de esquerda. Alguém ainda defende fórmulas do tipo “centralismo democrático” ou mesmo uma espécie de governo dos sábios à la Francis Bacon, por serem incorruptíveis?

Sou favorável ao desenvolvimento das regiões Norte e Nordeste. Quem conhece um pouco da história da SUDENE sabe o que fizeram com o projeto estruturante do Celso Furtado para a região. Creio que há textos da Tânia Bacelar disponíveis no site [8] sobre isso.

Os debates respeitosos e democráticos são saudáveis e devemos exercitá-los mais nesse espaço.

Um abraço,

Rodrigo Loureiro Medeiros, D.Sc.

#12 Comment By Cabral Neto On 26 dezembro, 2007 @ 6:47 pm

Caros Amigos,
Comentar os argumentos pífios da atriz e de outros que estão contra o projeto nessa altura já se mostra desnecessário. Nem ela nem nenhum outro ator ou atriz se mostram realmente sabedores das vantagens e desvantagens do projeto. Fizeram suas opiniões aparecerem na mídia há muito pouco tempo – não podem, então, reclamar por debates.
Mas digo com muita certeza de que enquanto Dom Luis Cappio ameaçava morrer (por vontade sua), milhares de outros brasileiros realmente (aí sim) morrem, e não porque querem, não para aparecerem. Aliás, sequer são ouvidos. Sequer têm opção. Morrem de cede, morrem pela falta d’água. Morrem pais, mães e crianças.
Portanto abraço o projeto e peço, encarecidamente, que a atriz (nem o Bispo) não use de sua imagem para atacar de modo sensacionalista o projeto. É egoísmo. Há modos mais respeitosos de o fazer. Respeite a decisão do Supremo e seus Ministros. Eles sim estudaram o caso, tiveram conhecimento de dados e informações para tomarem a decisão correta. E em minha humilde opinião, tomaram.
Se a atriz diz ser conhecedora das condições dos pobres cidadãos que moram na região que será beneficiada pelo projeto e mesmo assim é contra este, eu, Cabral Neto, nordestino, também vos digo que sou igualmente conhecedor dessas condições e, independente da quantidade de alternativas que possam existam ou possam existir, jamais seria aquele que atrapalharia essa iminente e parcial solução.

#13 Comment By Gustavo dos Santos (meus artigos clique) On 26 dezembro, 2007 @ 11:11 pm

Caro Cabral,
obrigado pelos comentários. Eu concordo com vc. A maioria das críticas dos opositores do projeto mostram desconhecimento sobre o mesmo. Na minha solução, esse projeto vai oferecer a fonte de água mais segura para a região um vez que a região atendida não possui água subterrânea em volume e qualidade. Desanilizar a água do mar é extremamente caro e induzir chuvas também. Claro que o projeto não será a solução para todos os males. Em regiões mais isoladas as cisternas são a melhor solução e podem complementar o projeto da transposição.
Eu particularmente acredito que o Nordeste será outro depois desse projeto e de outros que estão sendo implantados.
abraços,
Gustavo

#14 Comment By Rodrigo Loureiro Medeiros On 27 dezembro, 2007 @ 9:44 am

Prezados

Defendemos o debate e o diálogo suprapartidário construtivos. Certamente existem diversos pontos de vista para uma determinada questão. O pluralismo é importante em qualquer sociedade que se deseja democrática. Não devemos aceitar desqualificações de grupos, entregando o Brasil ao incondicional “governo dos sábios”. Que se prestem contas.

Se a privataria da dupla PSDB-DEM passou impune, isso não significa que se deva aceitar tudo do governo Lula. O centralismo democrático do núcleo duro de Lula já demonstrou seus limites dentro do próprio PT. Respeitamos o mais alto mandatário brasileiro, pois sua escolha emanou do povo. No entanto, exigimos que ele cumpra com os compromissos históricos de um partido que emergiu dos escombros do regime militar. O pleno emprego é a nossa bandeira.

Os argumentos expostos com clareza e equilíbrio são importantes para que possamos ensaiar um processo de construção mais democrático de nação. Tenho muito receio de que a pressa de acelerar o crescimento econômico nos faça cair nas garras de uma aliança entre uma parcela da tecnocracia voltada para o atendimento de suas próprias demandas e um empresariado oportunista ávido por ganhos inquestionáveis do tipo “interesse nacional”. Em síntese, ninguém discute nada porque seria antipatriótico debater e exigir esclarecimentos. Conhecemos bem esse filme.

Não estou falando no senhor Hugo Chávez que recentemente disse que caso alguém votasse contra o “SIM” no último referendo, este ou aquela estaria votando contra o povo venezuelano. Lembro que o senhor George W. Bush praticou uma espécie de cala-boca na crítica norte-americana. O resultado é que o presidente norte-americano tem dificuldades para explicar certos gastos ao povo de seu país. Para o complexo industrial-militar tratou-se apenas de mais um business. A questão é que nos EUA há uma tendência ao surgimento de forças democráticas que equilibram o jogo político. Arhur M. Schlesinger e John K. Galbraith descreveram com maestria esse fenômeno. Recomendo o livro “Ataque à razão” do Al Gore (2007).

Reitero minha satisfação com o debate presente neste espaço e renovo minhas esperanças de que iremos avançar.

Um abraço,

Rodrigo Loureiro Medeiros, D.Sc.

#15 Comment By Mocidade On 28 dezembro, 2007 @ 12:25 am

Caros amigos e compatriotas, é um imenso prazer debater convosco um assunto tão importante. Dirijo meus comentários a todos os companheiros, mas especialmente a Paulo Andrade, que nos deu a honra de participar deste diálogo.

Ciro Gomes sempre afirma, com toda a justiça, que o uso da água será prioritariamente para uso humano, e, nesse propósito, satisfaz não só o bom senso, como também obedece a Constituição Brasileira, pois a mesma reza que em caso de falta dágua todos os gastos serão sacrificados para que o uso humano seja garantido. Ou seja, para garantir o uso humano, gasta-se o que for necessário.
Os 1.500 litros diários são informações da ONU para um ser humano adulto, e independe, diferentemente do que disse o nobre companheiro, do fato de se estar em uma fábrica ou comércio, pois o gasto humano é o mesmo, seja em casa ou em ambiente profissional.
Afirmaste igualmente que os canais estão “a centenas de quilômetros dos centros consumidores”. Perdoe-me, isso não é argumento contrário. Veja, os centros consumidores, e a própria expressão já o diz, possui como manter-se de alguma forma, e o objetivo deste projeto é garantir uso humano. Entendamos bem, uso humano e, consequentemente, dessedentação animal. Para pessoas pobres ou, em vias gerais, miseráveis. Observe os Estados pelos quais já passam o Rio e verás a diferença. Compare Minas Gerais com Paraíba, Bahia com Rio Grande do Norte.

Outro ponto colocado, a questão de Sobradinho. Apresentaste repetidas vezes a questão da agricultura, que é importante. Porém, não percamos de vista que esse não é um projeto de irrigação, mas sim de segurança hídrica. Não importa como esteja Sobradinho, os 26 m3/s estão garantidos. Quando sobrar água em Sobradinho, o que acontece em 40% do tempo, guarda-se o excedente nos açudes do Castanhão, do Armando Ribeiro Gonçalves, enfim, mas aí se otimiza a água, pois os açudes por si só não resolvem, já que a evaporação é elevadíssima. Represa-se 4 m3/s para se ter 1, pois a média de evaporação é de 3m3.

Vamos às demais questões “uso humano não necessita de canal, só de adutora”. Ora, um estudo mais bem atento foi feito e percebeu-se que , para este projeto, os canais são mais viáveis e mais econômicos.
Disseste “quem precisa de água anda quilômetros e vai buscar”. Não é tão fácil assim. Estamos falando de 12 milhões de brasileiros, dos 30 milhões que vivem no Nordeste. Se fosse tão óbvio assim, não teríamos a migração em massa para o Sudeste e o Sul do país. Um terço dos paulistas ou é nordestino ou descendente.

Por último, sua afirmação: “o programa de cisternas vai dar segurança hídrica”. Não vai (e aqui faço coro com o companheiro Gustavo dos Santos), pois as mesma são para uso domiciliar, localizado, e mais, cisternas dependem de água também, não nos esqueçamos disso. SE NÃO CHOVER, DE ONDE VIRÁ ÁGUA PARA AS CISTERNAS? SÃO IMPORTANTES, MAS NÃO TRAZEM SEGURANÇA HÍDRICA. São complemento. O governo Lula já fez 200.000. Irá fazer 1 milhão. Faz parte do projeto.
E quanto ao custo da água, SAIRÁ A 0,11 CENTAVOS, ENQUANTO SÃO PAULO, O EPICENTRO DO PAÍS, PAGA MAIS DE 1 REAL POR ÁGUA TRATADA.

Reitero aqui a satisfação de debater com todos vocês. É de debates assim que a nossa democracia precisa.

Um grande abraço a todos,

#16 Comment By Philemon Brito On 2 janeiro, 2008 @ 1:30 am

Gostaria de fazer pequenas observações sobre essa polêmica do projeto de integração de bacias a partir do rio São Francisco.

Não posso deixar de enxergar, na atitude desses que se posicionam contra o projeto, um viés discriminatório para com o povo do semi-árido. Até parece que as águas do rio São Francisco são exclusivas daqueles que já se beneficiam dele.

Falam que defendem os pobres, como escreveu Letícia Sabatela, sobre o bispo Cappio: “pude testemunhar sua alma amorosa e plena de compaixão humana…” Isto é: compaixão humana só para os povos que vivem às margens do São Francisco, quem for do semi-árido que morra de sede… Também, ora, eles nem humanos são.

Outra coisa. A greve que o bispo Cappio deveria ter feito era greve de sede; aí sim ele poderia avaliar como se sentem aqueles que vivem em regiões com escassez hídrica. Mas essa não é a praia dele…

Jefferson, parabéns pela forma equilibrada com que você trata esse assunto.

Abraços.

#17 Comment By Miguel Vidal On 6 julho, 2008 @ 10:16 pm

A água de um rio deságua em seu destino final, que pode ser outro rio, lago, mar ou qualquer grande reservatório natural, após ter cumprido um imenso papel ambiental característico de seu curso e bacia, e outros papeis, decorrentes da utilização pelos seres vivos, inclusive o homem. Não se perde simplesmente. Realizou sua missão e volta ao destino final para ser reciclada. Qualquer mudança neste regime irá modificar este destino, melhorando ou piorando a contribuição do rio às regiões por onde passa.
Não é necessário ser sertanejo para conhecer em profundidade o problema da seca e antever suas reais soluções. Existem muitas outras formas para se aprender sobre a situação do sertão no semi-árido. Letícia muito antes de fazer teatro de alto nível, é formada, estuda e vive estudando sobre estes temas, é destituída de corporativismo e regionalismos, e conhece bem do que trata. Não se limita a fazer novela, mas a trazer a cada trabalho a mensagem de credibilidade que faz questão de preservar em sua carreira. Realiza com grande cuidado a conformação dos papeis que representa, para não prostituir sua missão, que estende à defesa das populações menos favorecidas, ao caráter, à verdade, à compaixão pelos sem terra, sem sorte, sem esperança.
Precisa-se sim ser inteligente para compreender que a água para chegar ao consumidor tem inicialmente que existir, em seguida ser bombeada e passar por estações de tratamento, encaminhada por um completo sistema de distribuição por encanamentos, válvulas, reguladores de pressão, reservatórios. E depois de instalado o sistema de distribuição deve ser mantido por empresas qualificadas. Com custeio que se perpetua para sempre.
Este custo multiplicado pela quantidade de pessoas que terão acesso a Água da Transposição deve ser comparado com o investimento que está sendo anunciado e os números apresentados no programa do governo não são consistentes.
Cidades bem desenvolvidas como Campinas, Londrina, Curitiba, Salvador etc. e que contam com serviços de empresas do governo com verbas substanciais, não conseguem atender mais que 70 % da população concentrada no perímetro urbano, e no caso de casas espalhadas por grandes áreas do cerrado e longe dos canais que serão abertos e rios que serão perenizados. Grande parcela desta água que está sendo canalizada será perdida em infiltrações, evaporação, poluição, mau uso, e o custo total do investimento para atender à população divulgada pelo projeto do governo não distribui-se pelos serviços que serão necessários no curto e longo prazos.. Numa cidade é comum mais de 40 % de perda por vazamentos, e valores de investimento elevados, que exigem cobrança de tarifa de água e financiamentos vultosos para se sustentar, e isto com sistemas concentrados com tubulações enterradas, protegidas e constantemente mantidas!

De fato basta um simples exercício de bom senso e um pouquinho de aritmética para concluir-se sobre o resultado desastroso deste projeto.


Article printed from Blog do Desemprego Zero: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero

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URLs in this post:

[1] Blog do Jefferson: http://blogjefferson.blogspot.com/

[2] ATORES da GLOBO CHORAM no SENADO FEDERAL com BISPO Cappio da GREVE de FOME para tentar barrar a obra da TRANSPOSIÇÃO DO SÃO FRANCISCO: http://desempregozero.org/2008/02/15/atores-da-globo-choram-no-senado-federal-com-bispo-da-greve-de-fome-para-tentar-barrar-a-obra-da-transposicao-do-sao-francisco/

[3] Meus Artigos: http://desempregozero.org/category/todos-nossos-autores/jefferson-milton-marinho/

[4] : http://www.integracao.gov.br

[5] : mailto:andrade@ufpe.br

[6] : http://desempregozero.org/2007/12/17/frei-cappio-vamos-debater-a-transposicao-do-sao-francisco/

[7] : http://desempregozero.org/2007/12/12/a-mais-importante-obra-da-nossa-historia-transposicao-do-rio-sao-francisco-pros-e-contras/

[8] : http://www.centrocelsofurtado.org.br

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