prozac 40mg popliteal celexa 20mg cardiac concurrent clonidine 0.1mg test recovery buy exelon Healthy stories buyneurontinonlinehere.com buying abilify online school lipitor online no rx deoxyribonucleic

Blog do Desemprego Zero

Carta do deputado Federal Ciro Gomes à atriz Letícia Sabatella publicada no O Globo

Escrito por Imprensa, postado em 21 dEurope/London dezembro dEurope/London 2007 Imprimir Enviar para Amigo

  20/12/2007

Letícia,

ando meio quieto por estes tempos, mas, ao ver você visitando o bispo em greve de fome no interior da Bahia, pensei que você deveria considerar algumas informações e reflexões. Poderia começar lhe falando de República, democracia, personalismo, messianismo… Mas, sendo você a pessoa especial que é, desnecessário. O projeto de integração de bacias do rio São Francisco aos rios secos do Nordeste setentrional atingiu, depois de muitos debates e alguns aperfeiçoamentos, uma forma em que é possível afirmar que, ao beneficiar 12 milhões de pessoas da região mais pobre do país, não prejudicará rigorosamente nenhuma pessoa, qualquer que seja o ponto de vista que se queira considerar.

Séria e bem intencionada como você é, Letícia, além de grande artista, peço-lhe paciência para ler os seguintes números: o rio São Francisco tem uma vazão média de 3.850 metros cúbicos por segundo (!) e sua vazão mínima é de 1.850 metros cúbicos por segundo (!). Isto mesmo, a cada segundo de relógio, o Rio despeja no mar este imenso volume de água.

O projeto de integração de bacia, equivocadamente chamado de transposição, pretende retirar do Rio no máximo 63 metros cúbicos por segundo. Na verdade, só se retirará este volume se o rio estiver botando uma cheia, o que acontece numa média de cada cinco anos. Este pequeno volume é suficiente para garantia do abastecimento humano de 12 milhões de pessoas.

O rio tem sido agredido há 500 anos. Só agora começou o programa de sua revitalização, e é o único rio brasileiro com um programa como este graças ao pacto político necessário para viabilizar o projeto de integração.

No semi-árido do Nordeste setentrional, onde fui criado, a disponibilidade segura de água hoje é de apenas cerca de 550 metros cúbicos por pessoa, por ano (!). E a sustentabilidade da vida humana pelos padrões da ONU é de que cada ser humano precisa de, no mínimo, 1.500 metros cúbicos de água por ano. Nosso povo lá, portanto, dispõe de apenas um terço da quantidade de água mínima necessária para sobreviver.

Não por acaso, creia, Letícia, é nesta região o endereço de origem de milhões de famílias partidas pela migração. Converse com os garçons, serventes de pedreiros ou com a maioria dos favelados do Rio e de São Paulo. Eles lhe darão testemunhos muito mais comoventes que o meu.

Tudo que estou lhe dizendo foi apurado em 4 anos de debates populares e discussões técnicas. Só na CNBB fui duas vezes debater o projeto. Apesar de convidado especialmente, o bispo Cappio não foi. Noutro debate por ele solicitado, depois da primeira greve de fome, no palácio do Planalto, ele também não foi. E, numa audiência com o presidente Lula, ele foi, mas disse ao presidente, depois de eu ter apresentado o projeto por mais de uma hora (ele calado o tempo inteiro), que não estava interessado em discutir o projeto, mas “um plano completo para o semi-árido”.

As coisas em relação a este assunto estão assim: muitos milhões de pessoas no semi-árido (vá lá ver agora o auge da estiagem) desejam ardorosamente este projeto,esperam por ele há séculos. Alguns poucos milhões concentrados nos estados ribeirinhos ao Rio não o querem. A maioria de muitos milhões de brasileiros fora da região está entre a perplexidade e a desinformação pura e simples. Como se deve proceder numa democracia republicana num caso como este?

O conflito de interesses é inerente a uma sociedade tão brutalmente desigual quanto a nossa. Só o amor aos ritos democráticos, a compaixão genuína para entender e respeitar as demandas de todos e procurar equacioná-las com inteligência, respeito, tolerância, diálogo e respeito às instituições coletivas nos salvarão da selvageria que já é grande demais entre nós.

Por mais nobres que sejam seus motivos – e são, no mínimo, equivocados -, o bispo Cappio não tem direito de fazer a Nação de refém de sua ameaça de suicídio. Qualquer vida é preciosa demais para ser usada como termo autoritário, personalista e messiânico de constrangimento à República e a suas legítimas instituições.

Proponho a você, se posso, Letícia: vá ao bispo Cappio, rogue a ele que suspenda seu ato unilateral e que venha, ou mande aquele que lhe aconselha no assunto, fazer um debate num local público do Rio ou de São Paulo.
Imagine se um bispo a favor do projeto resolver entrar em greve de fome exigindo a pronta realização do projeto. Quem nós escolheríamos para morrer? Isto evidencia a necessidade urgente deste debate fraterno e respeitoso. Manda um abraço para os extraordinários e queridos Osmar Prado e Wagner Moura e, por favor, partilhe com eles esta cartinha. Patrícia tem meus telefones. Um beijo fraterno do Ciro Gomes

Ciro Gomes é deputado federal (PSB-CE) e foi ministro da Integração Nacional

Leia ainda:

ATORES da GLOBO CHORAM no SENADO FEDERAL com BISPO Cappio da GREVE de FOME para tentar barrar a obra da TRANSPOSIÇÃO DO SÃO FRANCISCO

Comentários sobre a troca de cartas entre Ciro e Letícia

Resposta da Letícia Sabatella à carta do Ciro Gomes

Original em: http://www.integracao.gov.br/saofrancisco/noticias/noticia.asp?id=3043



  Imprimir  Enviar para Amigo  Adicionar ao Rec6 Adicionar ao Ueba Adicionar ao Linkto Adicionar ao Dihitt Adicionar ao del.icio.us Adicionar ao Linkk Adicionar ao Digg Adicionar ao Link Loko  Adicionar ao Google Adicionar aos Bookmarks do Blogblogs 

« VOLTAR

17 Respostas para “Carta do deputado Federal Ciro Gomes à atriz Letícia Sabatella publicada no O Globo”

  1. Josemar Rabêlo falou:

    Acho que já passava da hora de alguém, da importãncia e conhecimnto de causa, como o Deputado Ciro Gomes, trazer a tona a verdade dos fatos.
    O projeto de integração das bacias hidrográficas é a REDENÇÃO do povo, sofrido e querido, do sertão. Vide o que é feito em Petrolina. Aqui em minha Cidade tem um projeto de uma barragem, Barragem de Cachoerinha, que já passa de 50 anos.
    Todo ano dizem que vão construir, já chegaram até a começar mas não existe nada de certo ainda.
    Deputado, eu como sertamejo que conheço de perto a vida dura do povo sertanejo somos eternamente grato ao que o senhor tem feito por nós. Feliz Natal e Próspero Ano Novo!!!

  2. Rodrigo Loureiro Medeiros falou:

    http://desempregozero.org/2008/01/07/uma-fragil-sudene-tenta-renascer/

  3. Gustavo dos Santos (meus artigos clique) falou:

    Caro Josemar Rabelo,
    tenho a mesma visão com relação ao projeto da transposição.
    abraços,
    Gustavo

  4. Gerhard Erich Boehme falou:

    Apenas leiam:

    http://www.mail-archive.com/ambiental@grupos.com.br/msg02249.html

    Gerhard Erich Boehme
    gerhard@boehme.com.br

  5. Gustavo dos Santos (meus artigos clique) falou:

    Caro senhor Gerhard Erich Boehme,
    contra a indústria da seca,
    nada melhor do que a Transposição do São Francisco.

  6. Rodrigo Loureiro Medeiros falou:

    Não seria melhor repensar o Nordeste a partir do texto da experiente Tânia Bacelar?

    http://desempregozero.org/2008/01/07/uma-fragil-sudene-tenta-renascer/

    Não sei se a tal transposição do São Francisco, integrando as bacias hidrográficas, bastaria para engendrar um impulso progressista na região. Desconfio que não. Certamente ações complementares são necessárias. Tirando a ferrovia Transnordestina, que está com as obras atrasadas, estímulos adicionais são necessários. Existe neste site um exemplo do que está sendo feito no Rio Grande do Norte em termos de construção de uma infra-estrutura de P&D. Pessoas qualificadas precisam de condições para se fixar na região e apoiar um processo progressista de desenvolvimento econômico. Este foi um dilema enfrentado por Celso Furtado na SUDENE.

    Um abraço,

    Rodrigo Loureiro Medeiros, D.Sc.

  7. Gustavo dos Santos (meus artigos clique) falou:

    Caro amigo Rodrigo,
    qual a contradição entre o texto dela e a transposição do são francisco?

  8. Rodrigo Loureiro Medeiros falou:

    Nenhuma contradição. Apenas penso que o texto da Tânia Bacelar é mais rico para se pensar a região. Apenas isso. Os problemas são complexos e não devemos cair na tentação à la “aquedutos” do Mangabeira Unger, um intelectual interessante. Reconheço que este não é o nosso caso.

    Um abraço fraternal,

    Rodrigo Loureiro Medeiros

  9. Mocidade falou:

    Caro Rodrigo,

    Essas ações complementares ao projeto de transposição que você defende sejam realizadas, na verdade são parte integrante do próprio projeto. Não é levar a água e ponto final. Isso seria fácil, ideologicamente pensando, mas não é o caso do projeto, que se trata de algo muito mais estruturante a nível de país.

    O que o governo Lula fez pelo Nordeste em sua primeira gestão foi extraordinario. E isso, justiça seja feita, deve-se em grande parte ao então ministro Ciro Gomes. O Pronaf era aplicado 78% no Rio Grande do Sul e Paraná, e hoje tem 54% aplicados no semi-árido. Incentivo fiscal do biodiesel, agricultura familiar, bolsa-família priorizou o semi-árido. Na infra-estrutura, BR 101, Transnordestina, ferrovia no tronco do semi-árido, reestruturação do Denocs, reestruturação da Sudene, mais de 5000 km de adutoras, 200.000 cisternas domiciliares.

    Tudo isso e mais que poderíamos dizer é o resgate e a salvação do Nordeste brasileiro, e o projeto de transposição é a culminância, o ápice, o eixo de toda essa integração. Mas não é só ele que resolverá todos os problemas, por isso as ações reguladoras.

    Grande abraço,

  10. Gustavo dos Santos (meus artigos clique) falou:

    E ainda tem o bolsa família e o aumento do salário mínimo que forma muito bons para o Nordeste. vai também criar universidades federais no semi-árido e o Gasene, a refinaria, o estaleiro, o pólo de importação de GNL. são muitas ações…
    a maioria dos nordestinos está vendo muito positivamente e não é porque eles seriam supostamente ignorantes, como diz a mídia.

  11. Rodrigo Medeiros falou:

    Esperamos que tudo ande bem para o Nordeste. Precisamos associar o que temos discutido com as possibilidades de se construir um mercado de massas no Brasil. Certamente o jogo político poderia ser equilibrado com o aumento do poder econômico de parcelas expressivas da população.

    Além disso, provavelmente a política econômica seria democratizada e as pressões inflacionárias mais fáceis de se administrar.

    Um abraço,

    Rodrigo L. Medeiros, D.Sc.

  12. Eduardo Alves falou:

    Caros amigos,

    antes apresentava-me como Mocidade, um pequeno pseudônimo. De hoje em diante apresentar-me-ei como Eduardo.

    Em verdade o Nodeste brasileiro é péssimo politicamente. Péssimo.
    O Lula fez muito, e creio que daqui por diante será feito ainda mais, mas o Brasil precisava de uma reforma de base Administrativa e política para consertar esses desatinos. Um exemplo claro disso é o próprio projeto de Transposição, que estamos sempre debatendo aqui no site. Quem são os piores adversários? Os políticos do próprio Nordeste. Seria cômico senão fosse trágico, mas é a triste realidade.

    Vamos ver. Estamos caminhando, e muito mais promissores do que em um passado não muito distante.

    Grande abraço,
    Eduardo.

  13. Gustavo dos Santos (meus artigos clique) falou:

    Bem vindo, Eduardo.
    Concordo que os políticos do Nordeste são os maiores culpados, mas a culpa também é da forma desequilibrada da federação brasileira. Escrevi alguns artigos sobre isso aqui no blog. Tem um do Mangabeira também.
    abraços

  14. Eduardo Alves falou:

    Perfeito, Gustavo. E é essa forma desequilibrada que inibe o desenvolvimento regional e estimula a macroeconomia hostil, pois não há base sólida de construção de um novo Brasil sem a integração das regiões que nos compõem.

    Quem olha para São Paulo e depois para a Paraíba, ou Rio Grande do Norte, ou Roraima, tem a impressão de que está em outro país. As desigualdades são fortíssimas e não serão resolvidas sem uma integração nacional, conforme idealizada há 60 anos por Juscelino. Aliás, antes dele já havia essa percepção.

    Creio fortemente já tenhamos avançado muito, e avançaremos cada vez mais.
    Abraços,

    Eduardo.

  15. Gustavo dos Santos (meus artigos clique) falou:

    Sou fã do Juscelino também.
    um dos artigos que eu falo disso:
    http://desempregozero.org/2007/07/23/a-esperanca-pode-vir-de-sao-paulo/

  16. Rodrigo Loureiro Medeiros falou:

    Caro Gustavo

    JK não teria feito cinqüenta anos em cinco sem as estruturas construídas por Vargas. Certamente se tratou de um fenômeno político. Menino pobre que cresceu em Diamantina (MG), filho de uma professora primária e que ascendeu pela via dos estudos.

    Formou-se médico em Belo Horizonte, onde trabalhou concomitantemente nos Correios para custear os estudos. Freqüentou a nata da tradicional sociedade mineira e casou-se com a dona Sara. Trabalhou como médico da PM mineira e foi recrutado para servir nas tropas fiéis à Revolução de 1930. Viu de perto o que seria uma guerra civil entre brasileiros. Nesse tempo conhece Benedito Valadares, que seria nomeado por Vargas interventor nas Minas Gerais. Fortuna e virtude…

    Médico por profissão e político por vocação. Quando se buscou eleger o brasileiro do século XX, JK triunfou em todas elas. Não foi Pelé, Sena ou mesmo Vargas. Herdou o governo em condições extremamente delicadas. Driblou um golpe de Estado com o apoio do marechal Henrique Teixeira Lott, um legalista e honrado militar. Triunfou sobre o denuncismo de Carlos Lacerda, realizou o Programa de Metas, construiu Brasília (DF) e criou a SUDENE. Para fazer com que seu governo desenvolvimentista funcionasse, apelou para a administração paralela, os grupos executivos coordenados pelo Conselho de Desenvolvimento.

    Recorreu ao imposto inflacionário porque o aumento da tributação seria impopular e as camadas mais abastadas da sociedade não o aceitariam. Foi um mestre na arte da política e soube se cercar de ótimos colaboradores.

    Um empreendedor que, segundo Celso Furtado, diferia de muito da maioria dos seus congêneres. JK acreditava no Brasil e no seu povo.

    Um abraço,

    Rodrigo L. Medeiros, D.Sc.

  17. milton bezerra campos falou:

    boa noite aqui em sao paulo precisamos de um governador como o dep. ciro gomes porque jose serra e um covarde mentiroso sao paulo e uma terra sem lei ele so governa para os ricos jose serra esta acabando com nosso estado o psdb nao sabe governa so sabe critica o governo do presidente lula mas com fe em deus no proximo ano vamos ficar livre desse jose serra ass. milton campos butanta sao paulo

Faça um comentário

XHTML: Você pode usar essas tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>