CAÇADORES DE ANTA
Escrito por NOSSOS AUTORES, postado em 21 dEurope/London dezembro dEurope/London 2007
Rogério Lessa, Editor-Chefe
Até bem pouco tempo, comemorar explicitamente uma notícia implicava em grande prejuízo à credibilidade de qualquer veículo de comunicação. Desenvolveu-se agora uma tese de qualidade duvidosa segundo a qual, ao reconhecer a plena imparcialidade como algo inatingível para o ser humano, jornais, revistas e TVs estariam autorizados a assumir posição sobre os mais variados temas. Este é o caso de publicações como o diário americano pró-Bush, USA Today.
No Brasil isso não é nada. A falta de ética já derrubou governos democráticos e ajudou a prolongar ditaduras. Esta semana, as capas de duas conhecidas revistas trazem inverdades sobre a CPMF, cuja extinção – está cada vez mais claro – teve como objetivo único manter asfixiado o governo Lula. Por sinal, o presidente, antes tarde do que nunca, acaba de descobrir que “se não gastar, não governo”.
Enquanto o cartel da mídia posa de moderno, mas dá voz a caçadores de antas e outras práticas medievais, a sociedade segue desinformada sobre temas de fundamental importância. Ao contrário do que “deu na revista”, o fim da CPMF não injetará R$ 40 bilhões na economia real. Um cidadão que movimente R$ 100 mil por ano certamente não precisará destinar os R$ 380 que serão liberados em sua conta bancária para elevar o padrão de consumo. Provavelmente essa quantia será acrescentada ao que ele aplica no overnight, aumentando a despesa financeira do governo – o corretor do word reconhece a palavra overnight!
O leitor aposta que as empresas aproveitarão a pequena folga nos custos para reduzir preços ou para engordar os lucros?
Além da receita de 1,4% do PIB, a CPMF permitiu até agora que a Receita Federal lavrasse autos de infração de R$ 35 bilhões de pessoas jurídicas e físicas que realizaram movimentação incompatível com a renda declarada ao Fisco.
De acordo com pesquisa do jornalista (ético) Paulo Henrique Amorim, a CPMF pagava 9,3 milhões de sessões de hemodiálise por ano. Do montante arrecadado, 51% eram destinados à Saúde, 25% para a Previdência e 24% para o Desenvolvimento Social (aí incluído o programa Bolsa Família). Tudo isso, é claro, já descontados os 20% da Desvinculação das Receitas da União (DRU), percentual que vai para o pagamento de juros.
Mas a prorrogação da DRU foi aprovada pelos mesmos que derrubaram a CPMF. Afinal esta é uma anta que não pode ser caçada.










