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A mais IMPORTANTE obra da nossa HISTÓRIA: TRANSPOSIÇÃO do Rio SÃO FRANCISCO: prós e contras
Posted By Gustavo On 12 dezembro, 2007 @ 7:38 pm In Desenvolvimento,Gustavo Santos,Propostas,Transposição do São Francisco: redenção ou desastr | 5 Comments
Opiniões sobre a transposição:
O projeto pelo Ministério da Integração [1]
Descrição Técnica resumida do projeto [2]
Para Carlos Lessa, Nordeste pode ser a Califórnia Brasileira [3]
Outros artigos [5]
Entrevista de Paulo Canedo sobre a Transposição [6]
Vídeo [7]
Uma conversa sobre a Transposição [9]
O Natal da discórdia [12]
Gustavo Antônio Galvão dos Santos *
A Transposição do São Francisco é a grande solução para o desenvolvimento equilibrado do país. Ela é uma condição estritamente necessária para viabilizar a geração de um bom volume de empregos de qualidade no sertão e assim permitir que a perspectiva de crescimento futura não gere o mesmo padrão de desenvolvimento regional e social desequilibrado tão característico da nossa história.
O Nordeste em 1900 era a ainda a região mais populosa do país e São Paulo tinha uma população inferior à metade de Minas Gerais. Hoje a população de São Paulo se aproximada da população de todo o Nordeste e Minas tem uma população que é menos da metade da paulista. Isso foi o resultado de um século de desenvolvimento desigual. A manutenção da desigualdade social e a grande dificuldade de impedir a deterioração da qualidade de vida nos grandes centros foi o maior problema do processo de desenvolvimento do país entre 1930 e 1980.O desenvolvimento econômico se concentrou nas regiões metropolitanas. Ele não foi capaz de gerar empregos suficientes no interior e principalmente no Nordeste. Conseqüentemente, o crescimento gerou um brutal êxodo rural. Dezenas de milhões e pessoas migraram dentro do país em busca de emprego. Elas sobrecarregaram a infra-estrutura urbana e os serviços públicos. Criou-se assim o grande mundo das favelas brasileiras.Esse profundo êxodo é conseqüência da alta concentração das atividades produtivas. Concentradas em poucas regiões essas atividades não poderiam empregar a todos. Assim, o êxodo permitiu que os salários permanecessem baixos apesar do crescimento da demanda por trabalho.
Nos últimos anos, a atividade produtiva se desconcentrou. O Sul é hoje quase tão industrializado e agrícola quanto São Paulo, o Centro, Sul e Oeste de Minas busca. acompanhar. O Rio de Janeiro se beneficiou da grande expansão da produção petrolífera. O Espírito Santo está se desenvolvendo rapidamente devido a condições logísticas e naturais propícias ao desenvolvimento industrial, extrativo e agrícola. O Centro-Oeste segue um crescimento veloz amparado por uma agricultura empresarial bastante eficiente. Em muitas de suas regiões está alcançando renda per capita próximas à paulista. O Norte ainda está atrasado, mas a pequena população e seu grande potencial econômico levam a crer que os avanços econômicos das últimas décadas pode gerar qualidade de vida, se o êxodo para a região se reduzir.
O desequilíbrio regional brasileiro está deixando de ser uma questão de São Paulo X Brasil para se tornar Brasil X Nordeste. O Nordeste continua a ser uma região sem grandes perspectivas de desenvolvimento econômico e social mais significativo, apesar dos avanços decorrentes dos programas assistenciais.
Por que? Normalmente considera-se que o Nordeste é pobre em decorrência dos latifúndios e da oligarquia política. Isso não é verdade. Todo o Brasil, incluindo São Paulo foi a terra dos latifúndios e da oligarquia política. Os latifúndios do Centro-Oeste sempre foram e continuam sendo incomparavelmente maiores do que do Nordeste. O que mudou nas outras regiões? As condições propícias ao desenvolvimento econômico viabilizaram uma espécie de “revolução capitalista”, nessas regiões, que permitiu a melhoria das condições sociais, políticas e econômicas. Claro que algumas regiões avançaram mais do que outras.
O problema é que sem infra-estrutura hídrica não é possível o desenvolvimento de atividades produtivas modernas e, portanto, o Nordeste não consegue desenvolver uma “revolução capitalista”. A velha oligarquia mantêm assim sua força baseada no poder de controlar votos de cabrestos e assentos no congresso. Quanto mais alienado e dependente for o eleitor melhor.
A transposição é o passo que falta para viabilizar a infra-estrutura produtiva mínima que garantirá vida aos bolsões de desenvolvimento capitalista no sertão que aliados aos bolsões do litoral poderão alterar a correlação de forças que sustenta o atraso econômico, social e político da região.
Se o Nordeste for capaz de gerar um grande volume de empregos de qualidade quando o Brasil voltar a crescer e demandar mão-de-obra não qualificada na construção civil, as favelas das grandes capitais não terão uma reposição contínua de migrantes e a infra-estrutura urbana e os serviços públicos de qualidade poderão ser universalizado em todo o país. Poderemos assim acreditar realmente no sonho de uma vida digna, saudável e feliz para todos nós. Brasileiros.
* Doutor em Economia UFRJ
Transposição do Rio São Francisco: prós e contras
Planeta Coppe
Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2007
O projeto da transposição, integrando o Rio São Francisco às bacias do Nordeste Setentrional vai beneficiar cerca de 12 milhões de pessoas. No entanto, para que o projeto se concretize, os estados de Minas Gerais e Bahia, juntos, precisam ceder 2% do volume de água do rio que banha suas regiões. Uma quantidade de água desprezível, segundo o professor Paulo Canedo, coordenador do Laboratório de Hidrologia da COPPE/UFRJ. Na opinião do pesquisador, que integra o grupo de especialistas que assina a elaboração da versão preliminar do Plano Decenal de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (PBHSF) para a Agência Nacional de Águas (ANA), esse percentual é pequeno, se compararmos o que esses estados perderão em relação ao enorme ganho que significará para o Polígono da Seca. Por outro lado, o especialista considera pertinente a oposição feita pelos representantes de Minas Gerais, Bahia e Sergipe. Antes de mais nada, é preciso deixar claro que a água tem valor e que esses estados precisam receber pela água que será transportada”, ressalta o pesquisador.
Segundo Canedo, o principal ponto da discussão não está no percentual de água a ser transferido. A transposição do Rio Paraíba do Sul para o Rio Guandu, no estado do Rio de Janeiro, por exemplo, é de 70% do volume da água. Apesar de o projeto de transposição do rio São Francisco implicar num volume de água pequeno, o pesquisador defende que os estados que vão ceder a água têm todo o direito de reclamar, pois o que se pede deles é uma renúncia hídrica, que deverá significar um futuro sacrifício em termos de desenvolvimento. “Além disso, não estão sendo contempladas na discussão as várias cidades desses estados que também apresentam problemas de abastecimento e são carentes de infra-estrutura hídrica, mesmo estando às margens do Rio São Francisco”, ressalta.
O aproveitamento hídrico do projeto de transposição do Rio São Francisco foi aprovado pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), ligado ao Ministério do Meio Ambiente, no dia 17 de janeiro de 2005. De acordo com o Plano Decenal, a transposição propiciará aos estados do Nordeste Setentrional um consumo adicional imediato de 25 m3/s (25.000 litros por segundo), podendo chegar a 65m3/s de água em 2025. Segundo o professor, o semi-árido nordestino tem centenas de reservatórios que são capazes de atender a vazões de até 77m3/s. Com a transposição, no futuro essa região poderá ser beneficiada com um volume de água de 180m3/s. Portanto, um total superior a simples soma da capacidade atual dos reservatórios com o volume de água transportado. “Não se trata do milagre da água. O adicional de 38 m3/s deve-se a uma economia gerada pelo fato de que só estará exposto ao tempo o volume suficiente para o consumo, evitando assim, perdas por evaporação e transbordamento nos reservatórios”, explica o professor.
A seca no semi-árido nordestino é causada pela má distribuição do volume de chuva: na região chega a chover 700 mm por ano, durante uma média de apenas três meses. “Como o solo da região é raso, não há retenção e a água da chuva escoa rapidamente. Outro problema é que muitos dos açudes nordestinos são largos e rasos. Para se ter uma idéia, um açude precisa conter quatro litros de água para viabilizar o uso de apenas um litro. A água evapora com facilidade”, explica o professor que defende a transposição como uma boa solução para o semi-árido brasileiro.
A escassez de recursos hídricos em algumas regiões do nordeste está muito abaixo do limite mínimo estabelecido pela ONU, que é de 1.000 metros cúbicos de água por habitante/ano. Atualmente, a disponibilidade em algumas áreas dos sertões do Nordeste Setentrional é de aproximadamente 500 metros cúbicos por habitante/ano. Neste cenário de carência hídrica, que traduz – se em pobreza e baixos índices de desenvolvimento humano, o São Francisco responde por cerca de 70% da água disponível na região, o que o torna o oásis do nordeste brasileiro.
OUTRA ENTREVISTA [13]
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[1] O projeto pelo Ministério da Integração: http://www.integracao.gov.br/saofrancisco/integracao/index.asp
[2] Descrição Técnica resumida do projeto: http://desempregozero.org/wp-content/uploads/2007/12/transp1-sao-francisco-paulo-bezerril.pdf
[3] Para Carlos Lessa, Nordeste pode ser a Califórnia Brasileira: http://desempregozero.org/2008/01/09/para-lessa-nordeste-sera-california-brasileira/
[4] Artigo de Cássio Borges: http://www.integracao.gov.br/saofrancisco/opinioes/opiniao.asp?id=26131
[5] Outros artigos: http://www.integracao.gov.br/saofrancisco/opinioes/index.asp
[6] Entrevista de Paulo Canedo sobre a Transposição: http://video.globo.com/Videos/0,,GOD0-5633-programa-4230,00.html
[7] Vídeo: http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM764848-7823-TRANSPOSICAO+DO+RIO+SAO+FRANCISCO,00.html
[8] O RAMADÃ DO SÃO FRANCISCO: http://desempregozero.org/2007/12/14/o-ramada-do-sao-francisco-religiao-politica-e-um-rio-de-nome-santo/
[9] Uma conversa sobre a Transposição: http://desempregozero.org/2007/12/17/frei-cappio-vamos-debater-a-transposicao-do-sao-francisco/
[10] CPMF e a Transposição: http://desempregozero.org/2007/12/15/a-cpmf-a-transposicao-do-sao-francisco-e-a-luta-contra-o-populismo/
[11] Dom Cappio quer morrer: http://desempregozero.org/2007/12/21/o-bispo-de-barra-dom-cappio-quer-morrer/
[12] O Natal da discórdia: http://desempregozero.org/2007/12/21/texto-fabuloso-de-bernardo-kucinski-o-natal-da-discordia-e-agora-dom-cappio/
[13] OUTRA ENTREVISTA: http://www.planeta.coppe.ufrj.br/artigo.php?artigo=635
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5 Comments To "A mais IMPORTANTE obra da nossa HISTÓRIA: TRANSPOSIÇÃO do Rio SÃO FRANCISCO: prós e contras"
#1 Pingback By Amazônia serve para Desenvolvimento Social? « Blog do Desemprego Zero On 17 janeiro, 2008 @ 9:59 am
[...] problema social e econômico da seca no semi-árido? (clique aqui para ler artigo de Carlos Lessa e aqui para ler artigo de Gustavo dos [...]
#2 Pingback By Vídeo do You Tube: Ciro Gome X Letícia Sabatella e Bispo Dom Cappio no Congresso Nacional. « Blog do Desemprego Zero On 24 fevereiro, 2008 @ 3:29 pm
[...] LEIA AQUI SOBRE OS ASPECTOS TÉCNICOS E MERITÓRIOS DO PROJETO [...]
#3 Pingback By VÍDEO DO DEBATE LESSA (a favor) X César Benjamin (contra a transposição do São Francisco) « Blog do Desemprego Zero On 17 março, 2008 @ 5:37 pm
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[...] Desde, a ditadura militar, toda a mídia, os partidos de esquerda (e de oposição) e mesmo a academia são basicamente organizações de protesto. Organizações para dizer NÃO. O caso da transposição do São Francisco foi exemplar… [...]