prozac 40mg popliteal celexa 20mg cardiac concurrent clonidine 0.1mg test recovery buy exelon Healthy stories buyneurontinonlinehere.com buying abilify online school lipitor online no rx deoxyribonucleic

Blog do Desemprego Zero

Por que criar o Banco do Sul?

Escrito por Rodrigo Medeiros, postado em 16 dEurope/London novembro dEurope/London 2007 Imprimir Enviar para Amigo

Meridiano 47

Boletim de Análise de Conjuntura em Relações Internacionais

Outubro 16, 2007 by Alexandre Hage*

A criação do Banco do Sul tem ganhado grande espaço na imprensa e entre analistas da economia e política internacionais. Por ter se tornado tema apaixonante a percepção de maior clareza pode ser diminuída, se não houver precauções contra tomadas de posição instantâneas. Contudo, é necessário dizer que é pertinente a fundação do Banco do Sul, não para se elevar seus possíveis problemas, mas para considerar suas vantagens.

O sistema econômico internacional, o que vale também para a América do Sul, tem duas organizações financeiras, o Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD, também Banco Mundial); e o Fundo Monetário Internacional (FMI), ambas fundadas pelos encontros de Bretton Woods, nos Estados Unidos, no final da Segunda Guerra. Se tratando do BIRD o banco teve grande presença na ampliação da infra-estrutura brasileira, bem como no crescimento de boa parte de instituições governamentais que ainda se valiam dos méritos do planejamento público para a economia do País. Citam-se, por exemplo, os governos das décadas de 1950 a 1970 que usavam poupança externa para a ampliação da pesquisa, o que ocorreu com a parceria entre o BIRD e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), em 1974.

O FMI também se fez presente na história recente do Brasil. Desde seu nascimento o País faz parte dessa instituição que fornece empréstimos para corrigir a balança de pagamentos e distorções da economia interna causadas por perturbações do sistema econômico internacionais, por exemplo, a crise dos mercados emergentes asiáticos de 1997. A relação entre o Brasil e o Fundo é uma cronologia de sentimentos de submissão e de altivez. Em 1958, no governo Juscelino Kubitschek, o Brasil rompe com o FMI por acreditar que a instituição financeira estivesse procurando limitar as escolhas do governo. Já na década de 1990, após anos de crises, como as de Sarney e Funaro com a segunda moratória da dívida externa, os governos de Fernando Collor de Mello e Fernando Henrique Cardoso procuraram imprimir uma relação equilibrada e sem transtornos que pudessem provocar alguma avaliação negativa por parte do FMI. E há uma situação nova em que o papel do FMI, por meios distintos, também é visto como um dos dínamos da globalização, cujo mote é o de que os mercados estão em via de ganhar dimensão que possa ser superior à rigidez das burocracias dos Estados nacionais. Em outras palavras, sob a velocidade das transformações tecnológicas as grandes máquinas políticas tendiam a ser superadas pela rapidez de empresas e outras instituições internacionais. Portanto, nada mais lógico do que entrar em consonância com a palavra daquela organização e atrair capitais importantes do que tentar o caminho do projeto nacional, custoso e ineficiente.

Assim, chegamos a 2007, ano em que os governos de Argentina, Brasil, Venezuela e outros procuram constituir novo arranjo institucional voltado para o clima econômico, social e político da região. A idéia em si criou certa polêmica por causa das razões que a impulsionaram, a de ser um banco alternativo aos serviços feitos pelo FMI e pelo BIRD, embora estas duas organizações não exerçam os mesmos serviços. Mas o fator diferencial residiria justamente nisso, na construção de uma organização que fizesse empréstimos para a correção de problemas sul-americanos, caso do Fundo, e também apoio a obras e projetos nacionais que fossem importantes para o desenvolvimento dos sócios.

Pode-se dizer que a concepção do Banco do Sul tem motivos ideológicos. Mas se houver não será necessariamente um problema. Isto porque os apegos às orientações do FMI e do Banco Mundial durante a década de 1990 também foram ideologizadas de alguma forma. Afinal de contas, a denominada reforma institucional do Estado, para diminuir suas funções, também não foi uma atividade direcionada por uma ideologia, a do livre mercado?

Se houver o desenvolvimento do Banco do Sul ele poderá cumprir um papel há muito desejado, o de ser um promotor de projetos nacionais sem submeter as sociedades a camisas-de-força que venham a prejudicar o crescimento da economias nacionais, da forma que as tradicionais agências de fomento fazem atualmente, cobrando posturas que vão às expectativas do grande investidor internacional e tem menos a ver com as questões internas. Talvez este seja o apelo ideologizado que os opositores criticam como desnecessário.

Certamente, a fundação do Banco do Sul não apontará para o paraíso. Haverá necessidade de se analisar profundamente seus possíveis contratempos para que ele não seja imbuído por crises semelhantes que costumam perturbar as instituições de integração sul-americanas. Por isso, não há como dizer que a criação do Banco do Sul seja pobre em compreender a realidade, visto que a própria diplomacia brasileira antecipa suas críticas justamente para depurar a concepção que leva à importância para se ter tal banco.

Em linhas gerais é urgente que se tenha qual a maneira de montar as obrigações e direitos de cada país-membro. Por exemplo, o voto de cada um será igual ao de todos os outros ou deverá ser qualificado? Quem é maior economicamente terá voto mais valorizado? Como será constituída a assembléia dos votantes? Como se dará a contribuição financeira?

Estas são questões prementes a ser debatidas e não aquelas de suposta racionalidade em que a grande crítica se direciona à forma de governo da Venezuela e seu presidente, e menos ao papel que os Estados Unidos e Reino Unido imprimem para que o FMI e o BIRD façam seus empréstimos, inclusive dizendo em que área o montante deve ou não deve ser aplicado. Como foi escrito acima, o Banco Mundial não guarda mais tanta simpatia pela ampliação do sistema publico universitário brasileiro. Talvez ele não fizesse mais parcerias com a FAPESP. No entanto, a própria agência internacional não é tão seletiva na hora de se fazer empréstimos a instituições privadas de duvidosa capacidade científica que crescem enormemente, mas sem compromisso com a pesquisa.

Depois de se ter esgotada as possíveis questões existentes no Banco do Sul haverá a pertinência de se debater seu papel. Uma das missões da nova agência do sul será a de promover o crescimento das economias nacionais por investimentos na educação, na ciência e tecnologia para fins eminentemente públicos e não a partir de critérios de mercado.

Outra parte que poderá obter a atenção do Banco do Sul é o da energia dos combustíveis renováveis. Este ponto toca em particular o Brasil. Na atenção redobrada para que a crescente produção de biocombustíveis não invada áreas de preservação ambiental, como as da Amazônia, será urgente o emprego de financiamento para pequenos fazendeiros para a plantação de cana-de-açúcar, diferenciando-os dos grandes usineiros que já gozam de vantagem perante grandes bancos e tem meios de se defender socialmente.

Assim, na preservação do meio-ambiente do Brasil o Banco do Sul poderá investir em áreas agrícolas ociosas nos países vizinhos que queiram elevar a renda nacional. Espaços subutilizados em alguns países da região poderão ser cultivados por elementos da biomassa. Isto poderia contribuir para o aquecimento das economias regionais e, ao mesmo tempo, fazer com que os vizinhos que têm sido críticos ao projeto brasileiro de biocombustíveis venham a perceber a contribuição e avanços que o assunto tem. Se houver crescimento forte por novas terras no Brasil a alternativa sul-americana pode ser viável. E será melhor ainda se houver uma organização regional que invista nisso.

Certamente a concepção do Banco do Sul não é imune a críticas. Críticas são positivas porque auxiliam a depuração da maneira de como se compreende a realidade, para que ela não seja vista como fantasiosa. Mas criticar o projeto considerando apenas as peculiaridades de governos regionais, procurando dar-lhes imagem de exotismo de pouco ajuda naquilo que poderá ser um grande passo para o desenvolvimento da América do Sul.

*Doutor em Ciência Política pela Universidade de Campinas – Unicamp e professor do curso de Relações Internacionais da Unibero.



  Imprimir  Enviar para Amigo  Adicionar ao Rec6 Adicionar ao Ueba Adicionar ao Linkto Adicionar ao Dihitt Adicionar ao del.icio.us Adicionar ao Linkk Adicionar ao Digg Adicionar ao Link Loko  Adicionar ao Google Adicionar aos Bookmarks do Blogblogs 

« VOLTAR

Faça um comentário

XHTML: Você pode usar essas tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>