Israel deve anunciar adesão ao Mercosul
Escrito por rubensteixeira, postado em 29 dEurope/London novembro dEurope/London 2007
Do Correio do Estado de 29 de novembro de 2007
GENEBRA, AGÊNCIA ESTADO
Em uma iniciativa que pode ter um importante impacto político na relação entre a Venezuela e os demais países do Mercosul, o bloco tenta concluir hoje, em Genebra, um acordo comercial com Israel. Fontes em Tel Aviv confirmaram à reportagem que o processo foi acelerado para permitir que um acordo fosse atingido antes da entrada da Venezuela no bloco.
A preocupação em relação aos venezuelanos foi comunicada aos brasileiros na terça-feira. “Ficaria mais difícil se Caracas tivesse um papel no processo”, confirmou um diplomata israelense. Nos últimos meses, o presidente Hugo Chávez tem feito declarações cada vez mais hostis contra Israel e vem se aproximando do Irã. Funcionários do Uruguai, país que organiza o encontro em Genebra, também confirmaram à reportagem que a “questão venezuelana” fazia parte dos debates.
O comportamento de Israel, para alguns observadores, é uma demonstração dos problemas que o Mercosul poderá ter no futuro para fechar acordo com países que se sentem desconfortáveis com as declarações de Chávez. Não por acaso, o Governo de Israel insiste que um acordo está próximo.
“Se não tivermos nenhuma surpresa, teremos um acordo nesta quinta-feira”, afirmou o embaixador de Israel em Genebra, Itzhak Levanon, que já trabalhava hoje em um comunicado comemorando o entendimento.
“Esse acordo será simbólico e será um marco nas relações entre a América do Sul e Israel. Vai mostrar que o futuro nos reserva relações muito boas entre o continente e Israel”, afirmou Levanon, insinuando que a posição de Caracas sobre seu país não era unânime no continente sul-americano.
Sobre as críticas de Chávez a Israel, Levanon ainda pediu para que “aspectos políticos não interfiram no comércio”. “A América do Sul e Israel tem muito a cooperar”, disse. Israel quer usar até mesmo a data para dar sua mensagem. Se fechado hoje, o acordo ocorrerá exatamente no 60º aniversário da votação na Assembléia Geral da ONU que, em 1947, criou o Estado de Israel.
“Naquele dia, a América do Sul toda nos apoiava”, afirmou, lembrando que o diplomata brasileiro Oswaldo Aranha foi quem presidiu a sessão.
Cautela
Apesar do entusiasmo de Israel, o Brasil adotava hoje uma postura de cautela, ainda que admitia que o processo estava em seus momentos finais. “O acordo pode ser fechado. Mas vamos esperar”, afirmou Evandro Didonet, negociador chefe da delegação brasileira. Se fechado, o acordo será o primeiro entendimento de livre comércio fechado fora da América Latina em 16 anos do Mercosul.
O comércio do Brasil com Israel soma apenas US$ 700 milhões por ano, com um superávit para o país no Oriente Médio. No primeiro ano do acordo, o Brasil ofereceu quase que 50% de suas linhas tarifárias para serem levadas a uma tarifa zero para os produtos israelenses. As demais desgravações ocorrerão em seis, oito e dez anos, quando todo o comércio estaria liberalizado.










