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Blog do Desemprego Zero

Emergentes e inovadores

Escrito por Rodrigo Medeiros, postado em 12 dEurope/London novembro dEurope/London 2007 Imprimir Enviar para Amigo

Agência Fapesp, 12/11

Kent Hughes, do Woodrow Wilson International Center for Scholars, afirma que empresas multinacionais instaladas na China e na Índia estão modificando o sistema mundial de inovação e a dinâmica das atividades de pesquisa e desenvolvimento

As atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D), requisito básico para a inovação tecnológica, estão se tornando globais e, por isso, os investimentos para sua implementação não estão mais circulando apenas entre países da Europa, nos EUA ou Japão: há muitas empresas migrando para o território fértil de potências emergentes como Índia e China.

“Nos últimos cinco anos, os dois países, que tinham cerca de 200 laboratórios de P&D implementados em indústrias, ganharam pelo menos outros 600, o que lhes permite ter planos ambiciosos para o futuro. Sobretudo na China, cada uma dessas fábricas pode ser considerada uma universidade que investe em tecnologias de patentes e em cursos de administração das inovações”, disse Kent Hughes, diretor do Programa de Ciência e Tecnologia: América e a Economia Global, do Woodrow Wilson International Center for Scholars, instituto voltado ao debate de políticas públicas para a inovação sediado em Washington, EUA.

Hughes, que participou do painel “Perspectivas internacionais sobre inovação”, no seminário O Desafio da Inovação no Brasil, na semana passada, em SP, afirmou que são muitas as possibilidades de cooperação em P&D entre os dois países em vários setores industriais, com destaque para fármacos, medicamentos, saúde e nanotecnologia.

“A China já está em segundo lugar no ranking mundial de publicações científicas sobre nanotecnologia, ficando atrás apenas dos norte-americanos”, disse o especialista, que coordena estudos sobre sistemas de inovação na China e na Índia.

Um dos planos mais audaciosos que envolve esses países, segundo ele, é um projeto do governo chinês para implantação de universidades nos EUA, principalmente em Michigan, um dos estados líderes no país em indústria de manufaturação.

“No início da década de 1990, a China começou a olhar para a economia mundial, criou uma base sólida de educação superior e agora quer ampliar seu ensino para outros países”, disse Hughes.

Ao mesmo tempo, os institutos indianos de tecnologia têm formado especialistas de nível mundial e exportado recursos humanos para nações desenvolvidas, especialmente em software e equipamentos de tecnologia da informação.

“Os EUA têm feito muitas terceirizações para a Índia, aumentando a capacidade da economia digital e fazendo emergir serviços como a arquitetura avançada de design de chips daquele país”, destacou.

Calcula-se que China e Índia formem, respectivamente, por volta de 300 mil e 200 mil engenheiros por ano.

“E nossos levantamentos mostram a existência de cerca de 6 mil novos engenheiros dos dois países circulando todos os anos nos EUA. A maioria é formada por profissionais teóricos, e não por pessoas aptas a resolver problemas pragmáticos. Mas sabemos que, devido ao alto nível desses engenheiros, eles levam apenas três meses para se adaptar à abordagem de multinacionais como a Microsoft, por exemplo”, afirmou Hughes.

Para ele, por conta do crescimento de pesquisas inovadoras realizadas na China e na Índia e pela atuação de cientistas desses países em outras regiões, as grandes companhias, como IBM ou Microsoft, “que eram chamadas de empresas multinacionais, devem a partir de agora ser reconhecidas, assim como as instituições de ensino, como empresas globalizadas que estão modificando todo o sistema mundial de inovação e a dinâmica das atividades de P&D”.



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