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A Campanha de Difamação Contra a Direção do IPEA

Posted By NOSSOS AUTORES On 22 novembro, 2007 @ 2:43 pm In Desenvolvimento,Paulo Passarinho,Política Brasileira | 7 Comments

  Paulo Passarinho [1]* 22/11/2007

Está em curso uma pesada campanha difamatória contra os novos dirigentes do IPEA – o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, órgão atualmente subordinado ao recém-criado Ministério de Assuntos Estratégicos, e presidido pelo economista Márcio Pochmann.

O pretexto para a orquestrada campanha foram mudanças de natureza administrativa, que começam a ser operadas no órgão, a partir da posse dos novos dirigentes do Instituto, que conta também com a participação de João Sicsú, assim como Pochmann, acadêmico dos mais qualificados, além de professor do Instituto de Economia da UFRJ.

Algo que seria absolutamente corriqueiro – inclusive com amplo amparo e exigência de normas administrativas e legais em vigor – passou a ser apresentado em veículos da grande imprensa como um triste exemplo de perseguição ideológica e cerceamento ao livre exercício analítico e de pesquisa que deveriam caracterizar o trabalho dos pesquisadores dessa instituição.

A campanha teve início no dia 15/11, em matéria assinada por Guilherme de Barros – “IPEA expurga economistas divergentes” -, na Folha de S.Paulo, em seu caderno Dinheiro, e sabe-se que foi instigada por dois ex-dirigentes do Banco Central e do Ministério da Fazenda, hoje ocupando cargos importantíssimos na direção de um grande banco, aparentemente ainda de capital nacional.

No dia 16, sexta-feira, Guilherme de Barros volta ao assunto, inclusive comentando o último artigo de Fábio Giambiagi, um dos economistas supostamente perseguidos. Nesta edição da Folha, Elvira Lobato faz entrevista com Pochmann – que naturalmente rejeita a versão apresentada pelo jornal no dia anterior:

 ”O termo usado no texto da Folha, para mim, é uma ofensa. Tenho mais de duas décadas de atividade acadêmica. Sou polemista, gosto da polêmica. Significaria que, ao ocupar um cargo público, eu estaria estabelecendo a censura, o monopólio. Eu também tenho críticas à política econômica. Tenho me manifestado contra a política de juros. Meu papel no Ipea é garantir pluralidade e dar transparência a diferentes visões. Não estou lá para organizar o consenso, mas para organizar o dissenso”.

Elvira Lobato também ouviu Gervásio Rezende, outro dos economistas supostamente injustiçados, que alega que seus estudos - contestando a existência de trabalho escravo no meio rural – teria desgostado o governo e seria o motivo para o seu afastamento. Elio Gáspari no domingo, na coluna que publica no O Globo e na própria Folha, volta ao assunto – “O comissariado vai mal no IPEA” – e Miriam Leitão (O Globo) e Cristiano Romero (Valor Econômico), nas respectivas edições de 21/11, também atacam Pochmann e Sicsú. O Valor Econômico nesse dia também dedica um editorial ao assunto, acompanhando o que já havia ocorrido com o próprio O Globo e com o jornal O Estado de S.Paulo.

As matérias produzidas também induzem o leitor a acreditar que está em curso uma caça às bruxas no IPEA, que nem no período da ditadura teria ocorrido, a partir de opiniões que teriam sido buscadas junto a outros economistas. Sabe-se, contudo, que ao menos em dois casos – em relação aos economistas João Paulo dos Reis Veloso e Reinaldo Gonçalves – suas opiniões não foram reproduzidas pelos jornalistas que os ouviram, na medida em que não corroboraram com a versão que interessava de ser divulgada.      

O fato é que haviam dois funcionários aposentados do IPEA, Gervásio Resende e Regis Bonelli,  que tinham sala e utilizavam recursos públicos para desenvolvimento de atividades no interior da Instituição, sem qualquer vínculo formal com a casa. Consultados os órgãos internos de controle, inclusive a Procuradoria da Advocacia Geral da União, no IPEA, foi notificada à Diretoria do Instituto a situação totalmente indevida.

Por outro lado, por força de um convênio de cooperação técnica em vigor até o dia sete de dezembro desse ano, entre o IPEA e o BNDES, desenvolviam atividades na instituição os funcionários do BNDES, Fabio Giambiagi e Otavio Tourinho. Esses técnicos não pertencem aos quadros do IPEA e nem foram cedidos ao IPEA, em tempo algum. Entretanto, atuavam como se fossem quadros da própria instituição, sendo que Giambiagi era o responsável inclusive pelo chamado Grupo de Acompanhamento Conjuntural do órgão. É importante destacar que o trabalho previsto no convênio refere-se a uma pesquisa sobre o papel do BNDES no financiamento do desenvolvimento. Há inúmeras dúvidas com relação ao trabalho que de fato esses técnicos do BNDES efetivamente desempenhavam dentro do IPEA. Contudo, em relação a esse ponto, Márcio Pochmann em entrevista deixou muito claro o que espera:

“Eles têm que entregar o relatório (referente às conclusões da pesquisa), pois tem dinheiro publico envolvido. Somos republicanos. Temos de agir dentro das normas. Se as pessoas saem de um lugar para outro com um objetivo, esse objetivo tem que ser cumprido”.

As razões que levaram com que os fatos que ocorrem dentro do IPEA viessem a ser profundamente manipulados e deformados, pelas matérias publicadas e aqui mencionadas, relacionam-se aos posicionamentos que Márcio Pochmann e João Sicsú têm assumido frente ao debate sobre a política econômica. Ambos são críticos contundentes das políticas pretensamente de austeridade fiscal, preconizadas especialmente pelos banqueiros e economistas relacionados aos interesses do mercado financeiro. Pretensamente de austeridade fiscal, pois esses defensores da ordem imposta por Lula e pelo Banco Central conseguem construir um silêncio sepulcral em relação à irresponsável política monetária, principal fator de desequilíbrio das contas públicas. Ao invés de se oporem à orgia de gastos que o pagamento de juros provoca e à forma como a dívida pública é gerida, são críticos que preferem denunciar uma suposta irresponsabilidade nas despesas de manutenção da máquina pública, nos gastos sociais ou em uma excessiva generosidade na concessão de benefícios previdenciários e nos programas de transferência de renda aos mais pobres. Mesmo depois de nomeados para os cargos que agora ocupam, Pochmann e Sicsú têm continuado a alertar em seus artigos para a iniqüidade de uma política – em curso no atual governo – que a rigor transfere renda dos mais pobres para os mais ricos. Ambos têm também deixado claro que caso queiramos atingir níveis satisfatórios de crescimento econômico e de distribuição da renda nacional, o papel do Estado brasileiro é fundamental, inclusive chamando a atenção para a sua diminuta dimensão, frente às suas imensas responsabilidades e em comparação aos países desenvolvidos.

Esses, na verdade, são os “pecados” desses atuais dirigentes do IPEA. Contrariam aos interesses dos banqueiros e financistas, que não querem e não podem permitir que a atual política econômica seja criticada. Contam, para tanto com a cobertura facciosa, orquestrada e irresponsável com que esses setores da imprensa atuam. Cristiano Romero, articulista do jornal Valor Econômico, intitulou o seu artigo do dia 21 de novembro como “IPEA: o alvo é a política monetária”. Nele, afirma que “a expulsão de quatro renomados economistas do IPEA é parte de um movimento maior que vem ocorrendo há algum tempo dentro do governo”. Quis se referir ao fato de economistas considerados desenvolvimentistas – como é o caso de Pochmann e Sicsú – estarem ocupando cargos públicos no governo Lula. Além de mentir – a “expulsão” de economistas no caso do IPEA só pode existir na cabeça de quem quer confundir e manipular os fatos -, o jornalista deixa claro quem de fato exerce a discriminação ideológica e o patrulhamento político.

E evidencia que o alvo da campanha difamatória em curso é a defesa intransigente da “galinha dos ovos de ouro”: a política monetária que garante a bancos e instituições financeiras os lucros astronômicos e indecentes que os seus balanços revelam.   

*Paulo Passarinho: Economista pela UFRJ, servidor público federal, atual vice-presidente do Conselho Regional de Economia do Rio de Janeiro e diretor do Sindicato dos Economistas. É, também, o apresentador do Programa Faixa Livre – programa de rádio, voltado para o debate dos problemas brasileiros, dentro de uma perspectiva de fortalecimento da democracia participativa, combate às desigualdades sócio-econômicas e defesa da soberania nacional. O Faixa Livre – Programa faixa livre [2]- é mantido por um conjunto de entidades de classe, sindicatos e associações profissionais, desde 1994, e veiculado pela Rádio Bandeirantes do RJ – AM 1360, de 2ª a 6ª feira, de 8 às 10 horas da manhã.


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7 Comments To "A Campanha de Difamação Contra a Direção do IPEA"

#1 Comment By rubensteixeira On 22 novembro, 2007 @ 3:10 pm

Há muitas divergências entre economistas. Isso é natural. Todavia, quando se trata de resolver a equação responsável pela divisão do bolo, é dever do Estado agir de forma compensatória para reduzir a desigualdade social. Está no artigo 3º, III da Constituição Federal de 1988 que é objetivo da República Federativa do Brasil “erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais.”
Ocorre que os detentores dos títulos da dívida pública querem mais. A maior concentração de renda lhes interessa, mesmo que estejam passando por cima da Lei Maior. Isso não lhes interessa. O capital é apátrida.
O trabalho dos que defendem os interesses daqueles que se beneficiam das taxas de juros elevadas é tentar criar um consenso de que não há alternativas, senão a manutenção dos juros em altos patamares. O fundamento dos defensores dos juros altos é baseado em um argumento semelhante a dizer que “preferem matar a economia asfixiada na taxa de juros para que não morra afogada na inflação”. Além de haver muita falácia nos argumentos dos protetores dos bancos, sempre com lucratividade elevada, entendo que a inflação é ruim, mas podemos nadar para fugir do afogamento. Asfixiados, não nos restam alternativas.

#2 Comment By André On 22 novembro, 2007 @ 5:23 pm

Hoje saiu uma reportagem no “Globo” dizendo que João Sicsu trabalhou no gabinete do senador Marcelo Crivella, queria que me respondesse se trabalhar no gabinete de um senador eleito é demérito para alguém?

#3 Comment By Rodrigo Medeiros On 22 novembro, 2007 @ 6:21 pm

Em qualquer sistema democrático todos têm o direito de se manifestar. (Até mesmo as elites e as oligarquias de sempre.) No campo dos grandes debates é muito comum se encontrar acusações e difamações a figuras que possuem opiniões contrárias ao mainstream. Nada de novo. Lembro ao colega que o presidente Franklin Delano Roosevelt, o grande líder do New Deal, era chamado pelos conservadores de então, incluindo alguns de seus associados da imprensa norte-americana, de “Franklin Stalin Roosevelt”. Ninguém se lembra mais desses formadores de opiniões, ao passo que muitas já ouviram falar em Franklin D. Roosevelt. Qual a relevância da respectiva matéria publicada pelo Globo para os debates atuais?
A liberdade de culto religioso nos é garantida pela Constituição e não há motivos para que as grandes discussões não sejam feitas por pessoas que tenham afinidades intelectuais e interesses em desenvolver um país de enorme potencial. Concordo com seu comentário. O senador Marcelo Crivella foi eleito democratiocamente e tem, portanto, legitimidade para se posicionar politicamente da maneira que considerar adequada ao cumprimento de seu mandato.

#4 Comment By Rubens Teixeira On 22 novembro, 2007 @ 9:28 pm

Senado Federal e IPEA são órgãos da administração pública, pagos pelo contribuinte e a serviço do país. Acho imoral que técnicos da administração pública que estudam por conta do contribuinte vão para o mercado financeiro com a garantia da volta quando forem demitidos. Quando vão para o mercado, levam informações e conhecimentos adquiridos pela confiança que a sociedade lhes concede por meio das prerrogativas dos seus cargos e funções.

#5 Comment By André Egg On 23 novembro, 2007 @ 1:40 am

Não acho que os lucros dos bancos sejam indecentes. Bancos existem para ter lucro. Inclusive os lucros aumentaram muito quando os juros baixaram.
O problema é que os juros altos desestimulam o consumo popular e a produção nacional, e transferem renda para os investidores, em geral de classe média-alta para cima (inclusive não poucos estrangeiros).
Os mercadistas estão sempre a considerar desperdício os gastos com programas sociais, previdência e funcionalismo público. Mas não se pode esquecer que a política de juros é sim um grande tipo de subsídio ou de investimento de recursos públicos. Isto sim um verdadeiro desperdício…

#6 Comment By José On 23 novembro, 2007 @ 9:36 am

Caro Paulo Passarinho,
você leu a reação altamente agressiva do Reinaldo Azevedo à moção do economistas?
aí está ( [3]):

Os “soviéticos” da economia brasileira – Um documento asqueroso

Estou entre enojado e escandalizado. Os soviéticos estão chegando. Os soviéticos já chegaram.
Recebi uma “moção” de apoio a Márcio Pochmann, o patrulheiro do Ipea (vocês se lembram),
assinada pelo Conselho Regional de Economia do Estado do Rio de Janeiro (Co.R.Econ-RJ), pelo
Sindicato dos Economistas do Estado do Rio de Janeiro (Sindecon-RJ) e pelo (Centro de Estudos
para o Desenvolvimento). Acreditem: essas entidades
- hipotecam integral apoio a Pochmann;
- demonizam os economistas demitidos do Ipea (a culpa é das vítimas);
- deixam claro que os quatro economistas foram mesmo “punidos” por não rezarem segundo a
cartilha do governo: trata-se de uma questão ideológica;
- dizem que ainda é pouco e que mais precisa ser feito.

O texto é tão asqueroso no seu oficialismo, tão estúpido nos conceitos que emite, tão energúmeno
na sua gramática moral e da língua portuguesa, que cheguei a duvidar de que pudesse ser
verdadeiro. Entrei na página do Corecon na Internet. Não encontrei a tal moção. Tinha um pequeno
fiapo de esperança. Talvez fosse um desses falsos e-mails. “Ninguém seria tão canalha”, cheguei a
pensar. “Não é possível que exista gente que se disponha a exibir o nariz marrom desse jeito”,
duvidei, cheio de esperança. Fiquei com o pé atrás quando vi que os valentes chamam “site” de
“sítio”. Sim, claro, a mesma coisa… Ocorre que, no Brasil, só opta por “sítio” quem é atacado pelo
complexo vira-lata de Policarpo Quaresma.

Aí cumpri o meu dever. Liguei para o Corecon — Tel: (21) 2103-0178 ou pelo FAX: (21) 2103-0106 —:
“Tenho aqui uma moção que estaria sendo enviada aos economistas”..”. Em suma: era tudo verdade.
Eles realmente haviam redigido o texto que segue em vermelho. Citei o sovietismo, não é? Acho
que fui muito severo com os camaradas. Nem os comissariados profissionais do stalinismo seriam
tão sabujos quanto o que vai abaixo. Faço ainda intervenções em azul:

MOÇÃO
Em reunião de 14 de novembro último o CORECON – RJ, o SINDECON e o CED, aprovaram e
recomendaram a ampla divulgação da seguinte moção.
A imprensa vem criticando duramente os recém-nomeados presidente e diretor do IPEA, Márcio
Pochmann e João Sicsú, pelo fato de terem dispensado quatro pesquisadores da instituição. Tendo
sido essa decisão supostamente devida ao fato de serem os mesmos contrários a política
econômica do Governo.
(Vou me abster de comentar os erros de língua portuguesa e as grosserias de estilo. Alguns dos
meus amigos mais inteligentes são economistas — um já trabalhou para este governo; não digo o
nome nem debaixo de chicote. Mas os que redigiram esta “moção” são analfabetos.)

Com respeito à questão, o fato a ser inicialmente sublinhado é que a mudança no comando de
instituição de pesquisa oficial (e não acadêmica) traduz o desejo do Poder Público de dar nova
orientação aos trabalhos da entidade. No caso em análise, a mudança no comando do IPEA traduz
a nova orientação (embora ainda tímida e incompleta) do Presidente Lula no sentido de melhorar os
resultados obtidos pelo Brasil em termos de desenvolvimento.
(Como se vê, há o endosso cego da política oficial e o que, para mim, corresponde a uma confissão:
houve mesmo expurgo; houve mesmo punição ideológica. Observem que os bravos esperam ainda
mudanças. Eles acham pouco.)

O Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, a criação do Ministério Extraordinário de Ações
Estratégicas, com a indicação de Mangabeira Unger para comandá-lo, a nomeação de Guido
Mantega para o Ministério da Fazenda e de Luciano Coutinho para o BNDES, constituem
importantes corolários dessa decisão de imprimir novos rumos à economia brasileira. É, portanto,
perfeitamente natural e necessário que o IPEA, órgão oficial de apoio à definição de políticas
econômicas, seja comandado por dirigentes afinados com a nova orientação desejada pelo Governo.
E esses dirigentes, para levarem adiante sua tarefa, devem ajustar a equipe técnica do órgão às
suas novas funções.
(Você pode não ter entendido direito o que vai acima, dadas a pontuação porca, a sintaxe claudicante,
a vírgula entre o sujeito e o predicado etc. Mas é só um elogio do oficialismo, explicitando que o
afastamento dos quatro pesquisadores faz parte de uma estratégia.)

Mais grave, porém, é a alegação de que a dispensa dos quatro pesquisadores, cuja capacidade
profissional e contribuição científica não se discute, teria decorrido de serem eles contra a política
econômica oficial.
(Observem que “grave”, para os soviéticos, não é o afastamento dos economistas, mas a leitura que
se faz dela. Querem regular a interpretação da notícia. Em tempo: eles reconhecem a “capacidade
profissional e contribuição científica” dos afastados…)

Ora, o fato incontestável com respeito a esta,
(“Com respeito a esta”??? Cadê o meu pau-de-arara estilístico?)

é que os economistas brasileiros se dividem hoje entre os que aceitam, ou rejeitam, a visão
neoliberal do Banco Central que, presentemente, comanda os destinos econômicos do país. Visão
que concede absoluta prioridade à manutenção dos equilíbrios fundamentais (cambial, fiscal e
monetário) relativamente à necessidade de incremento acelerado do PIB brasileiro. Com a
conseqüência de ter sido o crescimento da economia brasileira muito inferior ao de países em
condições bem menos favoráveis que as nossas para o desenvolvimento econômico.
( O que essa gramática símia acima está dizendo é que o reconhecido equilíbrio cambial, fiscal e
monetário impede o Brasil de crescer mais. Logo, para os valentes do Corecon (esta sigla com
nome de remédio anticaspa), para crescer mais, é preciso provocar um desequilíbrio dos
fundamentos… Quem sabe uma gastança ainda maior, quem sabe uma inflação maior, quem sabe a
centralização do câmbio… Olhem: também tenho críticas à política econômica. Já as fiz aqui. Mas o
que vai acima é um desserviço prestado àqueles que possam ter reservas técnicas à política do
Banco Central. Se eu fosse Henrique Meirelles, adoraria ter críticos energúmenos como estes.
Ademais, quem nomeia o presidente do BC é Luiz Inácio Lula da Silva, não Fábio Giambiagi.)

Com base nesse critério, o que se pode afirmar é não terem os quatro economistas desligados do
IPEA jamais se colocado firmemente (o que possivelmente seria sua obrigação) contra o
conservadorismo alienante do Banco Central traduzido, entre outros fatos, nos altíssimos juros, na
sobrevalorização do real e na recusa em intervir na livre movimentação do capital estrangeiro
especulativo.
(“Obrigação” por quê? Quer dizer que eles são proibidos de estar lotados num órgão do estado e,
eventualmente, concordar com a política monetária? O que vai acima é a admissão tácita de que o
Ipea pretende ser uma frente avançada de combate à política do Banco Central.)

Quanto à posição dos novos dirigentes do IPEA é suficiente referirmo-nos à dois livros recentes de
autoria e co-autoria de João Sicsú. Neles vamos encontrar três críticas, baseadas em impecáveis
argumentações científicas, quais sejam: a) ao uso, para manter a inflação sob controle, de
altíssimos juros, que paralisam a economia, e são desnecessários por existirem instrumentos
alternativos, igualmente eficazes; b) a sobrevalorização do real, que está conduzindo a economia
brasileira a indesejável especialização em “commodities” agrícolas e industriais e c) a liberdade, e
até encorajamento, concedidos ao capital especulativo estrangeiro, o que coloca o Brasil diante do
risco permanente de crises cambiais. Com respeito à taxa de câmbio, Sicsú classifica como
irresponsável a aceitação de qualquer relação real/dólar inferior a 2,8.
( Como a gente vê, Sicsú, sozinho, descobriu o que é bom para o Brasil. Agora dividindo o comando
do Ipea com Márcio Pochmann, impõe a linha justa. Seu livro não é mais uma das leituras possíveis
da economia brasileira: é uma cartilha.)

Ou seja, em termos de posição a favor ou contra a política econômica oficial, é a nova direção do
IPEA, e não os quatro pesquisadores dispensados, que deve ser considerada contrária à política
econômica oficial, comandada pelo Banco Central.
( Então deveria ser demitida segundo os mesmos critérios que levam Pochmann a afastar os quatro
economistas dos quais diverge. Eis a lógica dos “economistas” que pretendem substituir os
“neoliberais”. Deus me livre! Tentariam nos convencer a tomar sorvete com a testa.)

É, finalmente, necessário lembrar que Márcio Pochmann e João Sicsú são unanimemente
apontados como desenvolvimentistas e, portanto, visceralmente contrários a uma política
econômica que já levou o país à quase três décadas de semi-estagnação.
(O problema dessa gente começa na estrutura binária: basta ver como gosta de pôr crase onde não
precisa e de tirar de onde precisa. “Três décadas de semi-estagnação” por causa da política
econômica, que eles chamam “neoliberal”??? Então vamos ver. Teria sido o “neoliberalismo” o
responsável, entre outras coisas:
- pela moratória da dívida externa, com Dílson Funaro (neoliberais, vocês sabem, gostam de
calote…);
- pelo congelamento de preços do Plano Cruzado (neoliberais, vocês, sabem, odeiam o
mercado…);
- pelo câmbio fixo do Plano Real (vocês sabem: neoliberais não acreditam em flutuações de
mercado…).
Trata-se de asneira ditada por um misto evidente de burrice com ideologia. Depois reclamam da
minha má vontade com sindicalistas e afins, essa gente que se junta em associações profissionais
para defender “usdireitcho da catchiguria”. Se for trabalhador pobre, vá lá… Mas por que alguém
precisa de um sindicato de economistas? Economista que presta sabe se defender sozinho, não
é mesmo? )

O CORECON-RJ, o SINDECON e o CED desejam e esperam que o IPEA, sob nova direção, volte a
desempenhar sua tarefa básica, por muito tempo esquecida, de comandar definição de estratégia
capaz de recolocar o país na trilha do crescimento acelerado.
Assinaturas:
Conselho Regional de Economia do Estado do Rio de Janeiro – Co.R.Econ-RJ
Sindicato dos Economistas do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Estudos para o Desenvolvimento

(É isso aí. Assinem essa impostura. Que o documento sirva como prova da indigência técnica e
política dessa gente.
Ah, sim: os valentes acima elegeram Márcio Pochmann o “economista do ano”. )

#7 Comment By Rodrigo Loureiro Medeiros On 23 novembro, 2007 @ 10:09 am

Creio ser importante estarmos preparados para ataques dos donos do poder. Ultimamente, quando se propõe debater a política econômica há um frenesi de mobilização dos setores conservadores. Refiro-me aos que ganham com o atual modelo e que socializam os prejuízos do mesmo. Certamente existem cooptações de formadores de opiniões e a capacidade de resposta do status quo não deve ser desprezada.
Em um livro pouco estudado no Brasil, Political Parties (1911), Robert Michels chama a atenção para a tendência oligárquica dos sistemas democráticos. Apesar de ser o melhor sistema representativo que existe, a democracia não é e nunca será perfeita. Até mesmo Jean-Jacques Rousseau reconheceu isso. Grupos de interesses e de pressão sempre existirão em qualquer sociedade. A questão se encontra nos resultados promovidos pelo sistema, na sua prestação de contas, e como a socialização de benefícios e perdas é operada.
Nesse quesito, a atual política econômica precisa ser democraticamente debatida. Quando é que retorno o senhor Alberto Cacciola? Pois bem, esse senhor pode nos dizer qual é a ética do mercado neste país. Além disso, poderia explicar melhor o BC dos tempos do presidente sociólogo. Desviar o foco do debate para ataques difamatórios não contribui para o processo democrático brasileiro.


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[1] Paulo Passarinho: http://desempregozero.org/quem-somos/

[2] Programa faixa livre : http://www.programafaixalivre.org.br/

[3] : http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/

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