Os males da plutocracia
Postado em 8 dEurope/London novembro dEurope/London 2007
Valor Econômico, 07/11/2007
Por Martin Wolf
O mexicano Carlos Slim é hoje o homem mais rico do mundo, ao menos é o que nos diz a revista Fortune. Sua ascensão é fascinante. Não apenas por ser ele extraordinariamente rico. Também porque a maneira como acumulou sua riqueza tem muito a nos dizer sobre o capitalismo que está se disseminando pelo mundo inteiro. Estimada em US$ 59 bilhões, a fortuna de Slim é igual a 6,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do México. Bill Gates, com cerca de US$ 56 bilhões, vale mero 0,4% do PIB dos EUA. Mesmo em seu auge, a riqueza de John D. Rockefeller era inferior a 2% do PIB dos EUA. O americano mais rico necessitaria de US$ 900 bilhões para ter a mesma riqueza, em relação ao PIB dos EUA, que a de Slim em relação ao PIB mexicano.
É relevante essa extraordinária acumulação de riqueza nas mãos de um único homem? Uma razão para que alguém possa pensar assim está em que isso implica extraordinária desigualdade. Se, por exemplo, imaginarmos um retorno real de 6% ao ano, a renda permanente da família Slim seria de US$ 3,6 bilhões por ano. Com base em estatísticas do Banco Mundial, a renda média dos 10% mexicanos mais pobres foi de US$ 1,2 mil per capita em 2005. Portanto, a renda permanente da família Slim é igual à renda corrente agregada dos 3 milhões de cidadãos mexicanos mais pobres. Não sou partidário do igualitarismo, mas essa concentração de riqueza, por certo, precisa de justificativa. Leia o resto do artigo »
Postado em O que deu na Imprensa | Sem Comentários »


