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Blog do Desemprego Zero

Sintomas da “doença brasileira”

Escrito por Imprensa, postado em 2 dEurope/London outubro dEurope/London 2007 Imprimir Enviar para Amigo

 Gazeta Mercantil/Caderno A – Pág. 3

Antonio Corrêa de Lacerda – Professor-doutor do Departamento de Economia da PUC-SP. Próximo artigo do autor em 13 de outubro

27 de Setembro de 2007 – A valorização cambial inibe a industrialização mais avançada e custa empregos. A analogia entre fenômenos econômicos e a medicina é recorrente, embora nem sempre apropriada. O Financial Times de 03/09/07 caracterizou de “doença brasileira” a fase contraditória vivida por nossa economia. O superávit comercial advindo principalmente do resultado das exportações de commodities e a liquidez internacional provocam a valorização da moeda. No nosso caso, o fato de os juros domésticos superarem a média internacional também é um fator para valorização.

A doença brasileira é uma versão atualizada do fenômeno que ficou conhecido como doença holandesa nos anos 1970, decorrente do efeito semelhante advindo das exportações de gás. A armadilha é que a valorização cambial tende a inviabilizar a industrialização, mais sofisticada e que tem potencial de geração de empregos e renda de qualidade, tornando a economia mais dependente e menos diversificada.

Vários analistas brasileiros já vinham alertando para o problema. O tema agora ganha mais repercussão, como soa acontecer com tudo que é dito ou escrito em inglês, ainda mais pelo FT. Lamentável desse ponto de vista. Mas, se pelo menos isso servir para despertar a atenção para o fenômeno, terá sido por uma boa causa. Do outro lado, o argumento principal dos que questionam a doença brasileira e a desindustrialização decorrente é o fato de a indústria ainda (sic) apresentar crescimento. Uma análise mais pormenorizada do problema deve levar em conta mais aspectos.

A taxa de câmbio não afeta somente as exportações. Como o câmbio é um dos principais preços da economia ele define investimentos, localização da produção e vários outros aspectos. No que toca a importação, os números são evidentes. O Indicador do Nível de Atividades (INA) da indústria paulista, divulgado pela Fiesp e Ciesp cresceu 4,2% no acumulado dos últimos doze meses até agosto de 2007. Trata-se de um desempenho muito melhor do que um ano antes, por exemplo, quando o crescimento se limitada a 2,1%. No entanto, no mesmo período o índice de quantum das importações cresceu 23%, denotando que as importações estão ocupando o lugar da produção local.

O comércio doméstico tem crescido a taxas superiores a 9% ao ano, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE). No entanto, ao contrário da aderência observada no passado entre o desempenho do comércio e da indústria, nos últimos dois anos nota-se um claro descolamento dos dois indicadores. A Pesquisa Industrial Mensal (PIM), também do IBGE, aponta um crescimento de 4,2% nos últimos doze meses. O espaço dado pela enorme diferença de desempenho do comércio e da indústria tem sido ocupado pelo crescimento das importações.

A análise dos indicadores da produção física mensal, comparada com os itens de importação, também confirma esse hipótese. No período janeiro a maio de 2007, enquanto a indústria cresceu 4,4% comparativamente ao período análogo do ano anterior, as importações cresceram 22%! Em paralelo, ocorre uma comoditização da produção e exportação brasileiras. Estamos cada vez mais dependentes de setores tradicionais, sem marcar presença nos setores de grande demanda potencial futura. Ocorre que há uma nítida perda de exportações em segmentos como o automobilístico, por exemplo. Conforme noticiou a Gazeta Mercantil em 21/9, no período de janeiro a julho de 2007 o superávit comercial das montadoras foi de apenas US$ 991 milhões em comparação com US$ 1,781 no mesmo período de 2006, uma queda de 44%.

Enfrentar a doença brasileira é algo que requer políticas e ações envolvendo os seguintes pontos:

1) condições macroeconômicas favoráveis, o que pressupõe ambiente estável, não apenas de estabilização de preços, mas de um clima favorável de investimentos, como juros, credito e financiamento, etc.;

2) fatores de competitividade sistêmica adequados à média internacional de forma a garantir ao produtor local condições isonômicas de competir com seus pares, tanto no mercado interno, quando concorrem com importações, quanto no mercado externo para as exportações;

3) políticas de desenvolvimento envolvendo aspectos de políticas industriais, de comércio exterior, tecnologia e inovação que estimulem a criação de novas competências em áreas dinâmicas da economia mundial.

Como ocorre em algumas doenças crônicas, nem sempre os sintomas têm sinais claros. No entanto, se despercebidos, podem causar estragos diretos e também muitos efeitos colaterais. O câmbio distorcido influi em decisões de investimentos e de localização de projetos que vão afetar nosso futuro.

Uma nação que venceu o desafio da industrialização no século passado não deveria jogar pela janela o que conquistou a duras penas. O Brasil também tem a vantagem de poder ser forte na agropecuária, sem que isso signifique abrir mão de desenvolver sua indústria e serviços. Convém acertar o diagnóstico, enfrentar e vencer a doença brasileira para preservar e fortalecer a saúde da estrutura produtiva.



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