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Blog do Desemprego Zero

Pensar e debater para mudar

Escrito por Imprensa, postado em 2 dEurope/London outubro dEurope/London 2007 Imprimir Enviar para Amigo

             Publicado no Jornal do Commercio de 09/07

      Roberto Saturnino Braga  ex-senador do RJ e presidente do Instituto
           Solidariedade Brasil (ISB) e Paulo Metri  diretor-geral do IS

Depois do término da ex-União Soviética, alguns precipitados defensores do
capitalismo como a melhor forma de organização econômica das sociedades,
falaram de forma desejosa que o sonho socialista tinha acabado, a História
a partir desse instante seria uma mesmice, o capitalismo tinha provado a
sua superioridade etc. Felizmente, esse surto passou rápido, mas restou um
vazio.

Hoje, sabe-se muito bem que o capitalismo, a menos que sejam colocadas
salvaguardas, é um sistema concentrador de renda e gerador de excluídos. Em
algumas sociedades, como os países do norte da Europa, com forte controle
do Estado pela sociedade, o Estado ainda consegue colocar rédeas no
capitalismo e transformá-lo em um sistema socialmente comprometido. Mas,
para países em desenvolvimento, em geral, ele tem demonstrado acirrar a
desigualdade de renda, permitindo inclusive a usurpação por parte do
capital externo de lucros e riquezas no país, em detrimento da sociedade.

Por outro lado, não se devem retirar os méritos do capitalismo, como o fato
da competição capitalista ter demonstrado ser um ambiente mais propício
para a geração de tecnologia, permitindo crescentes acumulações de capital,
e em muitos casos, com paralelo ganho social. Notar que a acumulação
continuou ocorrendo, em boa parte, proveniente da usurpação da mais valia
do trabalhador, porem, muito mais, a partir dos lucros trazidos pelo
desenvolvimento tecnológico, o que pode ser considerado como proveniente da
mais valia sobre o trabalho dos pesquisadores e tecnólogos. Dentre outros
pontos, o professor Luiz Pinguelli Rosa tocará nessa questão, na palestra
que proferirá no dia 15/10 próximo, no Ciclo de Palestras “O valor da
solidariedade”.

Como o comunismo do modelo soviético foi a única experiência concreta de
caminho para o socialismo que existiu ? e fracassou ? e como o capitalismo
exacerbado, ou seja, o neoliberalismo, também é um fracasso sob o ponto de
vista humanístico, o economista João Pedro Stédile foi convidado para, no
mesmo Ciclo de Palestras, no dia 1o/10 próximo, pensar junto com a platéia
o que poderá acontecer depois dessas experiências frustradas, esperando-se
que seja algo mais humano e traga muito desenvolvimento, enfim, preencha o
vazio já citado. A experiência no MST lutando por condições melhores de
vida para grande número de injustiçados do campo credencia Stédile a falar
sobre o socialismo futuro. Seria o caso de se buscar reproduzir o
capitalismo sob controle das sociedades como no norte da Europa? O que
Chávez chama de socialismo do século XXI? A economia solidária e o
cooperativismo são boas saídas? O socialismo é uma meta que só será
atingida quando os homens e as mulheres forem perfeitos? Ou seja, ele nunca
será atingido?

Francis Bogossian falará, no mesmo Ciclo, no dia 08/10/07, sobre o que
fazer nas empresas para o capitalismo ser socialmente comprometido. Falará,
também, sobre uma experiência real de empresa privada possuída por seus
trabalhadores. O Ciclo de Palestras está sendo promovido pelo Instituto
Solidariedade Brasil (ISB) e oferece palestras toda segunda-feira, no
Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), no Largo São Francisco,
1, Centro do Rio de Janeiro, começando às 17:30 horas. A entrada é
gratuita.

Obviamente, os convidados poderão falar, também, de outros assuntos
correlatos aos seus temas. Alertamos que o Ciclo está no meio, no momento,
mas só findará em 26/11 próximo (ver programação completa em
http://www.isb.org.br/). Esse Ciclo pretende ajudar a construção de um Brasil
melhor, sendo tão ou mais eficiente que muitas passeatas. O ISB se orgulha
de estar oferecendo essa contribuição social.



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