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Blog do Desemprego Zero

O preocupante produto potencial

Escrito por Imprensa, postado em 2 dEurope/London outubro dEurope/London 2007 Imprimir Enviar para Amigo

VALOR – 09/2007

Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento. Escreve às terças-feiras

Não é preciso ser um economista para saber que o nível de investimento anual (público mais privado), é fundamental para determinar a capacidade produtiva da sociedade. Num determinado período de tempo, digamos um ano, o estoque de capital humano que ela dispõe (sua força de trabalho que incorpora sua educação e higidez) manipulando o seu estoque de capital (com a tecnologia nele incorporada e o nível de qualidade da infra-estrutura), produz um dado volume de bens e serviços a que chamamos de Produto Interno Bruto (PIB). Nesse processo consomem-se tanto a energia da “força de trabalho”, que é recuperada pela ingestão de parte dos alimentos produzidos, como o capital físico, cuja depreciação deve ser reposta. 

É uma questão óbvia que o avanço do PIB depende: 1) do aumento da quantidade e qualidade dos fatores de produção disponíveis, isto é, do seu capital humano e do seu capital físico; e 2) da forma pela qual eles se combinam, ou seja, de como o capital humano manipula o capital físico para produzir o PIB. 

O que se chama de desenvolvimento econômico é apenas o codinome da relação PIB/força de trabalho, ou PIB/população, que “mede” a “produtividade” do trabalho. Empiricamente, há uma relação positiva entre o capital físico por unidade de trabalhador e a produtividade do trabalho. Essa relação sugere que, para o PIB crescer, é preciso que o novo capital físico produzido a cada ano (o investimento), seja superior ao capital consumido (a depreciação do ano). 

A relação, entretanto, é pouco estreita e estável para que se possa admitir afirmativas apodícticas sobre a taxa de investimento “necessária” para obter tal crescimento do PIB. Primeiro, porque a própria escolha da unidade de medida do agregado a que chamamos de “capital físico” é um problema insolúvel, que os macroeconomistas ignoram. Segundo, porque o “capital físico” é o trabalho morto, inerte: só adquire vida quando a recebe do “capital humano” que o utiliza, o que significa que sua medida no processo produtivo (mesmo se existisse) não seria independente dessa interação. Em particular, da ação da reduzida (mas importantíssima e indispensável) parte da “força de trabalho” constituída pelos empresários, que os macroeconomistas também teimam em ignorar. 

São essas pequenas circunstâncias que devem nos prevenir contra afirmações que garantem que “para o PIB crescer X% ao ano, os investimentos deveriam ser de, pelo menos, Y% do PIB”. Isso é apenas retórica, não tem qualquer relação com a realidade. A mesma observação deve ser feita contra o uso abusivo do conceito de “produto potencial”, que é uma necessidade no sistema de metas inflacionárias, mas sobre o qual pesam as mais embaraçosas incertezas. 

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Embaraçosas incertezas pesam sobre o conceito

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É fácil entender isso. Se (como todos concordamos) há uma relação positiva, mas imprecisa, entre o nível do investimento/PIB e o crescimento do próprio PIB, a questão fundamental a responder, empiricamente, é: “Quais são os fatores que estimulam o investimento?”. Ela tem atormentado os economistas desde sempre, submetida a sucessivos escrutínios desde os anos 70 do século passado. Os modelos teóricos sugerem uma enormidade de fatores – regime de competição (se concorrencial ou oligopolístico), natureza da função de produção, natureza do mercado de trabalho, incertezas sobre a demanda etc.) – , o que torna o trabalho econométrico extremamente penoso. 

As pesquisas teóricas mais recentes sugerem que num mundo dominado por regimes oligopolistas e sujeito a choques aleatórios, o nível de incerteza sobre a evolução da demanda deve ser um fator muito importante na realização dos investimentos das empresas, principalmente quando eles são de natureza irreversíveis, ou seja, financeiramente não recuperáveis, a não ser com grandes prejuízos. É exatamente essa hipótese que encontrou reforço num recente trabalho de três economistas da Banca D´Italia (Bontempi, M.E, Golinelli, R. e Parigi G., “Por que as incertezas sobre a demanda reduzem os investimentos”, abril 2007). A pesquisa envolveu o comportamento de quase 5000 empresas italianas durante nove anos (1996-2004). 

Controlados pelos fatores mais sugestivos (não-linearidade da relação, expectativa de crescimento do PIB do ano seguinte, racionamento de crédito, restrição de caixa), os dados dos “investimentos previstos para o ano seguinte divididos pelo estoque de capital do ano presente” mostram que eles respondem fortemente ao crescimento do PIB previsto para o ano seguinte, aos investimentos realizados no ano presente e à expectativa sobre o comportamento da demanda no ano seguinte, medida no fim do ano presente. 

Os resultados são consistentes sob as diferentes variáveis de controle e sob a variação do método de estimação. Eles confirmam, portanto, o fato intuitivo: o efeito da incerteza da demanda sobre a programação dos investimentos é negativo e tende a ser mais forte quando há irreversibilidade e baixo grau de competição. Ora, estas são, justamente, as condições dos grandes investimentos privados. 

A implicação preocupante de tal fato com relação ao sistema de metas inflacionárias é clara. Este precisa de uma estimativa do “hiato” do produto, o que, por sua vez, exige uma estimativa do “produto potencial”, que pode incorporar erros significativos. Logo, a simples presunção da existência de um “produto potencial” que controla a política monetária, tende a auto-realizá-lo: por exemplo, aumentando a taxa de juro real para indicar que o crescimento é insustentável, ele quebra a expectativa da demanda futura e inibe o investimento que trabalharia no sentido de superá-lo… 



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Uma Resposta para “O preocupante produto potencial”

  1. M.A.P falou:

    È o caso típico “do rabo balançando o cachorro”Em vários artigos o professor Delfim Netto afirma ser função da política economica “despertar o instinto animal do empresáriado”.Essa política economica ao restringir a demanda futura atua no sentido da hibernação do empresáriado.
    O prof.Delfim, deixou de ser um economista ´é um “pensador”, seus últimos artigos sobre temas como ; o produto potencial, e o custo do juros no cálculo das empresas, são provocativos e instigantes, até prá mim que não sou economista.

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