Integração, paz e prosperidade
Escrito por Imprensa, postado em 3 dEurope/London outubro dEurope/London 2007
(Gazeta Mercantil/Caderno A – Pág. 3)
Marcelo Coutinho – Coordenador Executivo do Observatório Político Sul-Americano (Opsa) do Iuperj
27 de Setembro de 2007 – A integração sul-americana é um projeto de longo prazo, cujos desafios requerem muita persistência e visão estratégica. Não se trata de um assunto de governos específicos, mas de Estados e sociedades comprometidos com o seu próprio desenvolvimento.
No mundo globalizado, as regiões assumem proeminência. Poucos países como os EUA poderiam se dar ao luxo de não constituírem blocos regionais, dada suas economias de escala. Porém, eles mesmos adotaram o regionalismo (Nafta e Cafta) em suas estratégias nacionais. Assim, não poderia ser de outro modo com o Brasil, cujo peso internacional depende em boa medida de sua capacidade de coordenação na América do Sul.
Uma inserção qualificada do Brasil no mundo exige uma integração profunda com sua vizinhança. O comércio é só um lado dessa empreitada, que também envolve cultura, educação, segurança, infra-estrutura física e instituições, entre outros fatores. A integração é sempre multidimensional ou ela se transforma em pretexto, geralmente pouco efetivo, para liberalização e influência geopolítica.
O Mercosul vive hoje uma fase de forte recuperação econômica, mas sua integração comercial encontra dificuldades adicionais, devido à emergência de governos mais nacionalistas na região. O comércio extrabloco cresceu nos últimos anos a um ritmo superior ao comércio intrabloco, que também tem se expandido.
Conseqüentemente, as relações comerciais relativas dentro do Mercado Comum do Sul estabilizaram-se em torno de 15%, um patamar aquém das potencialidades. Estudo publicado no site do Observatório Político Sul-Americano – “Raio X da Integração Regional” – revela, por outro lado, avanços importantes nos campos social e institucional. Em linhas gerais, o Mercosul assumiu novos papéis, ampliou sua área de atuação e acelerou a internalização de normas. Entre as instituições criadas, destaca-se o Parlamento. Em pouco tempo teremos eleições diretas para os membros do Parlasul e, com isso, uma dinâmica democrática propriamente regional.
O Mercosul iniciou um processo de diversificação temática, mas ainda enfrenta problemas políticos significativos, como, por exemplo, os desdobramentos indesejáveis do neobolivarianismo e os estranhamentos recentes entre Brasil e Venezuela. Uma possível polarização entre esses dois países é hoje, aliás, uma das principais ameaças à integração sul-americana. Em vez de discutirmos um modelo de desenvolvimento conjunto, com uma política coordenada de agregação de valor, articulação das cadeias produtivas e investimentos diretos a partir de um sistema de garantias mútuas, corremos o risco de adensar conflitos decorrentes de posturas imediatistas e intransigentes.
Um processo de integração regional leva décadas para se realizar plenamente. A experiência da União Européia (UE) é prova disso. As conjunturas podem ser mais ou menos favoráveis. O importante é não perder de vista o sentido da integração, enquanto paz e prosperidade.










