- Blog do Desemprego Zero - http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero -

Brasil é o emergente que mais exporta tecnologia

Posted By rubensteixeira On 28 outubro, 2007 @ 7:27 am In O que deu na Imprensa | No Comments

                                                                           Do Hoje em Dia em 28 de outubro de 2007 

Cássia Eponine
Repórter

O Brasil é o país com a pauta de exportações mais diversificada entre seus colegas emergentes. A participação dos setores intensivos em tecnologia também é maior por aqui (17%) do que em outros emergentes como Argentina (3,9%), Rússia (3,9%), Austrália (8,3%), Índia (8,5%) e África do Sul (11%), segundo o estudo “A especialização do Brasil no mapa das exportações mundiais”, do economista Fernando Puga, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Fora da América do Norte, Sudeste Asiático e Europa, o Brasil é a economia com maior volume de exportações desses bens”, constata Puga. O economista cita como exemplos o desenvolvimento do setor da aeronáutica – um forte exportador de produtos intensivos em tecnologia – o bom desempenho de máquinas e equipamentos e até mesmo dos produtos de informática, tradicionalmente dominado pelos asiáticos.


Minas, que tem mais da metade da pauta voltada para produtos intensivos em recursos naturais, ainda ostenta o incômodo título de um exportador de commodities, com as vendas concentradas principalmente em minério de ferro e café. O crescimento da demanda e dos embarques de ambos, no entanto, não tem impedido que as minas e lavouras do Estado comecem a ceder espaço para os produtos de maior valor agregado. Nos últimos dez anos – entre 1996 e 2006, a participação dos produtos intensivos em recursos naturais na pauta de exportação caiu de 76,16% para 54,54%. Já os intensivos em tecnologia saltaram de 8,92% para 12,98%, segundo levantamento da Fundação João Pinheiro.
A coordenadora do Sistema de Informações de Comércio Exterior de Minas Gerais da Fundação João Pinheiro, Elisa Pinto da Rocha, observa que o avanço dos itens tecnológicos pode parecer tímido, mas que mudanças na composição da pauta de um país são por natureza muito lentas. ½Para exportar artigos de maior valor agregado, é preciso incorporar inovação tecnológica em produtos e processos e esse é um movimento lento e recente no nosso país”, aponta.
Elisa Rocha lembra que, apesar da boa posição entre as economias emergentes, o Brasil ainda sofre as conseqüências do atraso na implantação de uma política de inovação tecnológica, inexistente até o final da década de 90. ½Hoje, já temos linhas de financiamento para esse fim, mas é um processo que está começando agora”, pondera, lembrando que apenas 30% das empresas brasileiras são inovadoras, enquanto o percentual varia entre 50% e 60% nos países desenvolvidos. Para ela, ½o caminho é aperfeiçoar os métodos de produção, lançar produtos de maior qualidade e, cada vez mais, voltados para nichos de consumidores”.
Segundo o coordenador de Inteligência Comercial e consultor do Centro Internacional de Negócios da Fiemg, Alexandre Brito, o número de empresas mineiras exportadoras saltou de 1.100 em 2003 para 1.431 em 2006. ½Se considerarmos de forma qualitativa, percebemos a presença de mais produtos de maior valor agregado na pauta e mais países como destino das nossas exportações”, aponta Brito. O coordenador lembra que vários itens que figuravam na pauta com um faturamento de alguns poucos milhares de dólares em 2000 agora despontam na casa dos milhões ou dezenas de milhões. ½Percebemos uma consolidação de novos produtos, tanto básicos quanto acabados”, destaca.
Vale Eletrônica já fatura R$ 50 milhões no exterior Em Santa Rita do Sapucaí, o Vale da Eletrônica Mineiro, havia apenas quatro empresas exportadoras em 2000. Hoje são 22, que vendem seus produtos para 42 países, mais fortemente o México, os da América do Sul, principalmente Chile e Argentina, e América Central, com destaque para Costa Rica e Panamá. Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica (Sindvel), Roberto de Souza Pinto, as exportações responderam por cerca de R$ 18 milhões dos R$ 530 milhões faturados pelo pólo em 2005. Neste ano, a estimativa é que o setor apure R$ 50 milhões em exportações, de uma receita de R$ 750 milhões.
½Na semana passada, voltamos de viagem à Ásia para visitar cinco feiras de componentes eletrônicos, nossa matéria-prima. É imprescindível trazer as inovações para cá”, enfatiza o presidente do Sindvel, que também trabalha, em outra ponta, na exposição dos produtos do pólo em feiras na América Latina.
Uma das principais exportadoras do pólo, a Linear – que produz transmissores de TV analógicos e digitais – espera ampliar em 15% o volume exportado neste ano. A participação das vendas externas no faturamento deve saltar de 20% neste ano para 25% em 2008. ½As exportações são uma questão estratégica para nós. O Brasil não é maior do que o mundo”, pondera o diretor comercial da Linear, Carlos Fructuoso, que vem trabalhando mais fortemente o mercado norte-americano nos últimos anos. ½Hoje, um quarto das nossas exportações é direcionado para o mercado americano”, contabiliza Fructuoso, que aponta a burocracia brasileira como um dos entraves ao crescimento das vendas externas de produtos intensivos em tecnologia.
½Nossa legislação é preparada para a exportação de commodities. Se uma parte do transmissor apresenta um problema, e o cliente quer trazer essa parte para manutenção, ele não pode. Só o todo pode voltar. Esses entraves burocráticos têm de ser superados”, reivindica.
Inovação também conta para driblar mercado de massaNa contramão dos produtos mais tecnológicos, os segmentos intensivos em mão-de-obra – como o calçadista, de couros e confecções – amargam queda de participação de 6,16% em 1996 para 1,72% em 2006 nas vendas externas mineiras. Para essas indústrias, a inovação também aparece como saída para escapar da disputa direta com o baixíssimo custo de produção da China. ½O país não tem condições de competir na produção de massa. Por isso, é preciso imprimir características diferentes ao produto e encontrar nichos”, aponta Elisa Pinto da Rocha, da Fundação João Pinheiro.
½Quanto se trata de cópia, a briga é por centavos. Quando há inovação e criatividade, a disputa envolve charme, beleza, inteligência”, comenta o coordenador do Núcleo de Design da Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal), Walter Rodrigues, que aposta na regionalização para que os pólos produtores brasileiros se diferenciem entre si e lá fora. ½Tem de ter artesanato, pesquisa do folclore para criar um produto que concorra pela originalidade e não pelo preço”, afirma. Rodrigues foi premiado neste mês na feira Fashion Access, em Hong Kong, na China, como criador de um dos dez calçados mais originais do evento, um misto de bota e sandália, inspirado na tradição de Guaxupé, no Sul de Minas, de produção de botinas e rasteirinhas em 140 fábricas. O calçado, fabricado pela pequena empresa Speed Horse, custa R$ 580 para o consumidor.


Article printed from Blog do Desemprego Zero: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero

URL to article: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/10/brasil-e-o-emergente-que-mais-exporta-tecnologia/

URLs in this post:

[1]

: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/1999/03/1168/

[2] ? A questão dos impostos e juros: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/07/a-questao-dos-impostos-e-juros/

[3] ? Manifesto Grupo Crítica Econômica: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/07/manifesto-grupo-critica-economica/

[4] ? O que é política de pleno emprego?: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/07/o-que-e-politica-de-pleno-emprego/

Copyright © 2008 Blog do Desemprego Zero. Todos os direitos reservados.