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As bolhas do bem

Posted By Imprensa On 11 outubro, 2007 @ 3:32 pm In Conjuntura | No Comments

 Época

10/2007

José Fucs

Um livro lançado nos Estados Unidos diz que os ciclos de euforia do mercado estimulam a economia

As bolhas especulativas são eventos que costumam apavorar os investidores. Quando alguém fala em bolha, todos imaginam fortunas evaporando de uma hora para outra. Na célebre bolha da internet, que estourou no início de 2000, bilhões de dólares sumiram em poucos dias. Recentemente, uma nova bolha explodiu no mercado imobiliário americano e, mais uma vez, muita gente viu seu dinheiro encolher. Na semana passada, quando, pela primeira vez, a Bolsa de Valores de São Paulo ultrapassou os 60.000 pontos, os mais pessimistas já começaram a falar em bolha – muito embora, objetivamente, haja motivos para celebrar a rápida recuperação da bolsa brasileira depois da última crise internacional. Mas será que as bolhas são tão ruins assim?

Não necessariamente. É o que diz o historiador e jornalista americano Daniel Gross, autor do livro Why Bubbles Are Great for the Economy (Por Que as Bolhas São Ótimas para a Economia), recém-lançado nos Estados Unidos e ainda sem tradução no Brasil. Segundo ele, os estragos de curto prazo que as bolhas costumam causar acabam por ofuscar os benefícios de longo prazo que proporcionam. “Aquilo que se produz durante uma bolha – casas, cabos de fibra óptica e ferrovias – não desaparece quando seus donos quebram”, afirma. “É reutilizado – e rapidamente – por empreendedores com novos planos de negócios, custos mais baixos e melhor estrutura de capital.”

Gross não ignora o poder de destruição das bolhas sobre a economia. Na bolha da internet, um sem-número de empresas virtuais, cujas ações haviam alcançado valorização recorde nas bolsas, desapareceu da noite para o dia. Apesar dos prejuízos, houve um legado positivo, de acordo com Gross. Foi graças a ela, diz ele, que o e-mail se popularizou e promoveu uma revolução na comunicação global. Também foi por causa da bolha da internet – e do desenvolvimento tecnológico que ela estimulou – que o Google, criado em 1998, se tornou uma potência da era digital.

De acordo com Gross, até o crash da Bolsa de Nova York, em 1929, que deixou milhões de investidores sem ter o que comer e levou à Grande Depressão, teve seu lado positivo. Foi o crash, diz ele, que estimulou o governo americano a criar mecanismos de regulação do mercado financeiro que vigoram até hoje. Um fenômeno semelhante aconteceu na bolha das estradas de ferro, entre 1884 e 1893, e na dos telégrafos, entre 1844 e 1856 (leia o quadro). “Muitas empresas que estimularam o crescimento econômico e ajudaram a definir a cultura empresarial americana foram criadas durante as bolhas ou surgiram logo depois de elas estourarem”, diz Gross. “As perdas são facilmente definidas. Mas os ganhos – econômicos, sociais e culturais – são menos óbvios e mais difíceis de calcular.”

O livro, escrito num tom debochado, é divertido e de fácil leitura. Em certos momentos, parece ser só uma brincadeira inconseqüente do autor. Uma foto de Gross publicada na orelha mostra-o assoprando bolhas de sabão, como uma criança. Mas suas idéias, apesar de irem contra quase tudo o que os economistas disseram até hoje sobre bolhas especulativas, parecem fazer sentido.

Efeito duradouro 

Qual foi o impacto das principais bolhas especulativas na economia americana

BOLHAS

ESTRADAS DE FERRO 1884-1893

WALL STREET 1920-1929  INTERNET 1995-2000

IMÓVEIS 2002-2006 

EFEITOS

A superoferta provoca a quebra de grandes empresas do setor

A queda da bolsa leva à Grande Depressão, à quebra de bancos e à explosão do desemprego

A bolsa eletrônica Nasdaq, que subiu 78% em nove meses puxada por ações de empresas de internet, despenca e empresas bilionárias desaparecem

O mercado imobiliário, que estava superaquecido, se desvaloriza. Os bancos que deram crédito para maus pagadores implodem 

BENEFÍCIOS

Transporte rápido e barato, construção de marcas nacionais

Criação de órgãos de regulação do mercado de capitais e do sistema bancário

Popularização do e-mail, do comércio eletrônico e criação do Google

Mais proprietários de casas e revitalização urbana 


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[1] Sobre o papel do Estado: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/sobre-o-papel-do-estado/

[2] Tem São Paulo demais: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/tem-sao-paulo-demais/

[3] EDITORIAL do Cadernos do desenvolvimento do centro Celso Furtado: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/editorial-do-cadernos-do-desenvolvimento-do-centro-celso-furtado/

[4] País perdeu os 'anos de ouro' da economia mundial: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/pais-perdeu-os-anos-de-ouro-da-economia-mundial/

[5] Espantando o vôo de galinha: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/espantando-o-voo-de-galinha/

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