Falta ao Brasil uma política nacional de desenvolvimento
Escrito por Imprensa, postado em 29 dEurope/London setembro dEurope/London 2007
Gazeta Mercantil
9/2007
Luciana Collet e Silvia Regina Rosa
A falta de uma política nacional de desenvolvimento e o cenário interno macroeconômico desfavorável para o crescimento do País foram as principais críticas dos representantes da indústria que participaram ontem do 4º Fórum de Economia, organizado pela Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EESP-FGV). “Apesar de todo o cenário externo favorável, há inúmeros desafios para o Brasil. A política de juros é desfavorável, a política de câmbio é desfavorável, a carga tributária é desfavorável”, resumiu ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira, coordenador do evento, encerrado ontem.
“O Brasil sempre teve uma certa penalidade por fatores externos, as hoje, com exceção dos produtores de petróleo, o Brasil é o país com cenário externo mais favorável, por isso é escancarado a possibilidade de viabilizar o crescimento econômico”, acrescentou o presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Beijamin Steinbruch, ressaltando que o que falta é vontade de fazer e capacidade de gestão. “Se existe uma doença brasileira é essa e a cura depende de nós”, ressaltou, destacando a necessidade de uma mudança da política macroeconômica.
“O Brasil precisa dramaticamente de uma estratégia nacional de desenvolvimento”, complementou Bresser-Pereira, destacando que o centro não é uma política industrial, mas uma política econômica que favoreça o desenvolvimento. Para o economista, é possível fazer um acordo nacional em torno de uma disciplina mais dura, um câmbio mais alto e juros mais baixos. Além disso, o governo deveria investir em educação, saúde e infra-estrutura. “O capital privado investe no resto.”
Para o também ex-ministro Antonio Delfim Netto, o crescimento da economia brasileira deve passar necessariamente pelo desenvolvimento do setor industrial, especialmente de produtos manufaturados. “Não há nenhuma chance de se voltar a ter um crescimento robusto, sem que ele afete o balanço de pagamentos, a não ser pelo setor de manufaturados”, disse, ressaltando que a participação brasileira no total das exportações mundiais de manufaturados hoje está em cerca de 1%. “O setor industrial é aquele que pode ser motor de desenvolvimento”, acrescentou o superintendente geral da Coteminas, Josué Christiano Gomes da Silva. “Ao final corremos o risco de nos tornar uma Argentina, ou um México, apenas com indústria de montagem.”
O presidente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Armando Monteiro Neto, defendeu uma política industrial que seja colocada no centro da estratégia de desenvolvimento.
Para José Roberto Mendonça de Barros, sócio-diretor da MB Associados, o Brasil deve se espelhar no modelo escandinavo de crescimento e buscar agregar valor aos produtos do setor de commodities, com vistas a desenvolver toda a cadeia com o investimento em inovação e conhecimento na indústria de transformação. “Os setores mais afetados pela ‘doença holandesa’ – valorização cambial impulsionada pela valorização do preço dos recursos naturais provocando o declínio do setor industrial – que empregam mão-de-obra intensiva devem investir na internacionalização e redefinir sua estratégia, buscando diversificar seus produtos para ganhar competitividade”, afirma.
Barros ressalta que no Brasil a entrada de recursos estrangeiros, gerando superávit na conta financeira, tem um papel relevante na valorização cambial.










