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Blog do Desemprego Zero

A reação do FED e as conseqüências para o Brasil

Escrito por Imprensa, postado em 28 dEurope/London setembro dEurope/London 2007 Imprimir Enviar para Amigo

 Análise IEDI – 09/2007

- Economia Global -

O FED, o banco central norte-americano, pode ter desejado com a redução ontem de 0,5 pontos percentuais da taxa básica de juros (que passou de 5,25% ao ano para 4,75% ao ano) disparar um “tiro certeiro” para neutralizar qualquer possibilidade de que a economia americana entre em recessão. É uma interpretação. Ou pode também dispor de dados privilegiados que estão informando que a recessão é mais provável do que a média dos analistas imaginam. Em sua maioria as análises apostavam numa queda de 0,25 pontos. Achar a interpretação correta não é apenas um exercício de retórica, mas é importante para nortear as apostas financeiras e para que se possa avaliar os possíveis impactos desta que foi inequivocamente a grande movida da política econômica desde o início da crise internacional em fins de julho.

A questão que se coloca após a medida do FED ter sido tomada é se a redução de 0,5 pontos percentuais será suficiente para debelar o risco de recessão. É possível, mas vai depender da reação dos agentes econômicos e não só dessa ação de política monetária. O caso é diferente da questão do apoio de liquidez, que foi necessário e onde a ação do FED, assim como de outros bancos centrais do mundo todo, é relativamente auto-suficiente. No caso de se desejar evitar um processo recessivo, a redução de juros não tem efeito garantido, pois procura induzir – mas não assegura – a ação dos agentes que têm outros parâmetros para tomarem suas decisões.

Como fica a posição brasileira nesse quadro? Se a recessão for evitada inequivocamente pelo “tiro certeiro” do FED, o Brasil se beneficiará porque, ao contrário do que muitos afirmam, uma recessão nos EUA tem impacto de irradiação para outros países de economia avançada e de economia emergente. Ou seja, evitará ter um crescimento inferior ao que vem sendo projetado, na faixa de 4,5% a 5,0% para este e para o próximo ano. Porém, um efeito altamente indesejado será a valorização adicional do Real, a menos que o banco central brasileiro não confirme a paralisação da taxa de juros básica com que acenou na última reunião. Ainda assim, essa será a melhor hipótese, pois se a medida do FED não surtir o efeito desejado de imediato, além do impacto sobre a economia brasileira da recessão da economia líder mundial, a instabilidade financeira persistirá e a “fuga para a qualidade” irá se sobrepor à redução de juros. Uma combinação nada favorável para economia brasileira.

O FED, o banco central norte-americano, pode ter desejado com a redução ontem de 0,5 pontos percentuais da taxa básica de juros (que passou de 5,25% ao ano para 4,75% ao ano) disparar um “tiro certeiro” para neutralizar qualquer possibilidade de que a economia americana entre em recessão. É uma interpretação. Ou pode também dispor de dados privilegiados que estão informando que a recessão é mais provável do que a média dos analistas imaginam. Em sua maioria as análises apostavam numa queda de 0,25 pontos. Achar a interpretação correta não é apenas um exercício de retórica, mas é importante para nortear as apostas financeiras e para que se possa avaliar os possíveis impactos desta que foi inequivocamente a grande movida da política econômica desde o início da crise internacional em fins de julho.

Segue-se à primeira alternativa de interpretação que não haverá uma nova queda de juros na próxima reunião de 31 de outubro e que o mundo já pode contar com o afastamento do fantasma da recessão; à segunda alternativa, segue-se que a decisão de ontem foi apenas a primeira em um processo de mudança da política monetária e que ao longo desse processo o risco de recessão permanecerá.

Talvez nem mesmo os membros do comitê americano de política monetária possam dar a resposta definitiva a essa questão. A decisão foi forte, sem duvida, porque foi tomada em meio a riscos não desprezíveis de aumento da inflação. Mas não acreditamos que há uma prévia concepção sobre sua seqüência ou não do futuro.

A questão que se coloca após a medida do FED ter sido tomada é se a redução de 0,5 pontos percentuais será suficiente para debelar o risco de recessão. É possível, mas vai depender da reação dos agentes econômicos e não só dessa ação de política monetária. O caso é diferente da questão do apoio de liquidez, que foi necessário e onde a ação do FED, assim como de outros bancos centrais do mundo todo, é relativamente auto-suficiente. No caso de se desejar evitar um processo recessivo, a redução de juros não tem efeito garantido, pois procura induzir – mas não assegura – a ação dos agentes que têm outros parâmetros para tomarem suas decisões.

O ponto mais delicado na atual etapa da crise diz respeito aos bancos e a sua decisão, que é fundamental, a respeito do crédito que estão dispostos a ofertar para empresas e famílias. Se houver uma brusca retração do crédito em função de avaliações de que pessoas físicas e jurídicas poderão enfrentar situação financeira de maior gravidade do que a atual (que, apesar de tudo, está restrita ao crédito “subprime”), a crise se instalará irremediavelmente na economia real e pouco poderá fazer uma ou mais reduções de taxas de juros. Mas as ações de empresas para produzir, empregar e investir e a de famílias para consumir poderão se equiparar futuramente em importância, o que tornará a crise ainda mais grave.

Em outras palavras, nada pode ser garantido a priori, mas o banco central norte-americano fez uma clara opção pelo setor real da economia ao promover uma intervenção para evitar um agravamento do quadro econômico, estando em aberto a ocorrência ou não de novas reduções de taxas de juros. O que é menos importante no atual contexto é a euforia com que foi recebida a notícia pelos mercados financeiros ontem e hoje. É possível que, passado o festejo inicial, se siga uma onda de pessimismo diante de algum resultado indicativo de que a crise perdura. A medida do FED passou no primeiro teste com o anúncio hoje de redução de 0,1% do IPC.

Como fica a posição brasileira nesse quadro? Se a recessão for evitada inequivocamente pelo “tiro certeiro” do FED, o Brasil se beneficiará porque, ao contrário do que muitos afirmam, uma recessão nos EUA tem impacto de irradiação para outros países de economia avançada e de economia emergente. Ou seja, evitará ter um crescimento inferior ao que vem sendo projetado, na faixa de 4,5% a 5,0% para este e para o próximo ano. Porém, um efeito altamente indesejado será a valorização adicional de do Real, a menos que o banco central brasileiro não confirme a paralisação da taxa de juros básica com que acenou na última reunião. Ainda assim, essa será a melhor hipótese, pois se a medida do FED não surtir o efeito desejado de imediato, além do impacto sobre a economia brasileira da recessão da economia líder mundial, a instabilidade financeira persistirá e a “fuga para a qualidade” irá se sobrepor à redução de juros. Uma combinação nada favorável para economia brasileira.

  

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