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Quem tem cuida?
Posted By Gustavo On 16 agosto, 2007 @ 3:30 pm In Desenvolvimento,Internacional,Política Econômica | No Comments
Antonio Delfim Netto
Folha de S. Paulo 15/8/2007
Os países desenvolvidos e os EUA em particular sempre seguem a máxima: “façam o que digo e não o que eu faço”.
Todos os dias aqueles países tentam nos ensinar, em declarações à imprensa, em publicações especializadas, em seminários e em outros meios, “como devemos proceder” em matéria de ambiente, de defesa da concorrência, de tarifas alfandegárias etc., fornecendo suas próprias “receitas”.
Esquecem-se de dizer que só vieram a aplicá-las depois que suas economias haviam atingido estágio mais avançado do que a nossa e, ainda assim, só o fazem quando a adoção dessas “receitas” não ameaça as suas empresas, sobretudo as que competem no mercado internacional. Se perdem com a norma criada, produzem atenuações e exceções: disfarçam, confundem, dissimulam, sempre tendo como objetivo a proteção de suas economias e empresas.
ALGUMAS empresas brasileiras ocupam hoje posição de liderança mundial em diversos segmentos da economia global. Estamos entre os melhores produtores e exportadores de carne bovina, de suínos, de frangos, de suco de laranja, de soja, de minério de ferro, de açúcar e de álcool. A economia brasileira deve a essas empresas grande parte do seu sucesso. Suas posições de liderança foram conseguidas a duras penas, mas a todo momento se acham ameaçadas por medidas protecionistas, disfarçada ou ostensivamente, como ocorre em relação aos Estados Unidos e a integrantes da União Européia. Estes servem-se de quaisquer pretextos para impor bloqueios e sobretaxas às nossas exportações, sobretudo naqueles casos em que somos decididamente mais eficientes do que eles.
Todos os dias aqueles países tentam nos ensinar, em declarações à imprensa, em publicações especializadas, em seminários e em outros meios, “como devemos proceder” em matéria de ambiente, de defesa da concorrência, de tarifas alfandegárias etc., fornecendo suas próprias “receitas”. Esquecem-se de dizer que só vieram a aplicá-las depois que suas economias haviam atingido estágio mais avançado do que a nossa e, ainda assim, só o fazem quando a adoção dessas “receitas” não ameaça as suas empresas, sobretudo as que competem no mercado internacional. Se perdem com a norma criada, produzem atenuações e exceções: disfarçam, confundem, dissimulam, sempre tendo como objetivo a proteção de suas economias e empresas.
Neste momento, há medidas contra as exportações brasileiras de carne em diversas partes do mundo, com sério ataque por parte de países integrantes da União Européia, liderados, desta vez, pela Irlanda, cuja produção de carne não tem condições de rivalizar com a nossa; contra o suco de laranja, do qual o Brasil é o maior exportador mundial, e contra o etanol derivado da cana-de-açúcar. É preciso que se tenha consciência de que, em uma economia ainda primitiva como a nossa, cujas empresas globais só agora e com muito esforço vêm se firmando, devemos agir com todo o cuidado para fazer bom uso das regras e dos instrumentos utilizados nas economias dominantes, apenas e tão-somente na medida em que nos possam ser úteis.
Normas de defesa comercial, sanitárias, de proteção do ambiente e de defesa da concorrência podem e devem ter em conta o estado da arte em nível mundial, mas devemos delas fazer uso apenas na medida de nossas conveniências. Exatamente como fazem os nossos concorrentes.
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