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Os ricos pelo trabalho no Brasil
Posted By Gustavo On 9 agosto, 2007 @ 4:32 pm In O que deu na Imprensa | 1 Comment
Marcio Pochmann VALOR – 09/08/2007
Nos últimos 20 anos, o rendimento dos ricos pelo trabalho sofreu importante queda na sua evolução real e as principais ocupações do país foram redistribuídas no espaço geográfico nacional. Antes, deve-se esclarecer que os ricos pelo trabalho pertencem ao decil superior da distribuição de todos os rendimentos capturados entre os ocupados pela Pnad do IBGE, representados por parcela considerável de trabalhadores vinculados às categorias profissionais assalariadas como bancários, jornalistas, professores, petroleiros, médicos, advogados, entre tantos outros que se distanciam, em muito, dos verdadeiramente ricos do Brasil, que têm a renda praticamente desconectada do trabalho, porém cada vez mais associada às diversas fontes da riqueza patrimonial (lucros, juros, aluguéis etc).
No ano de 2005, por exemplo, o rendimento médio do estrato superior da renda do trabalho era de quase R$ 3,6 mil, enquanto em 1995 aproximava-se de R$ 4,5 mil mensais. Além da queda de 19,2% no rendimento médio dos ricos pelo trabalho, percebe-se também a queda ainda maior no piso de ingresso ao estrato superior da distribuição da renda do trabalho de 22,2% no mesmo período de tempo (de R$ 2,1 mil para R$ 1,6 mil). Ademais da regressão no rendimento dos chamados ricos pelo trabalho, cabe considerar também as principais modificações na composição setorial e regional das ocupações do estrato superior da distribuição pessoal da renda entre 1985 e 2005. Três são os aspectos mais relevantes que indicam a redistribuição dos principais postos de trabalho pelo Brasil. O primeiro diz respeito ao relativo esvaziamento da região Sudeste no estrato mais ricos da renda do trabalho. Em 20 anos, a região Sudeste perdeu 7,7% na sua participação relativa no total da renda dos ricos pelo trabalho, enquanto a região Norte foi a que mais cresceu (26,5%), seguida da região Sul (13%), da região Centro Oeste (8,8%) e da região Nordeste (6,2%). Apesar disso, a hierarquia de importância das regiões na representação do decil mais rico na distribuição pessoal da renda do trabalho manteve-se sem grandes alterações. Por muito tempo ainda, possivelmente, as regiões Sudeste e Sul deverão continuar respondendo por parcela significativa das pessoas que se encontram no topo da distribuição pessoal da renda do trabalho, como em 2005, quando, juntas, as regiões em destaque tinham 75 de cada 100 ricos pelo trabalho (contra 77,3% em 1985).
O segundo aspecto relevante refere-se a importante queda na presença relativa dos ricos pelo trabalho nos setores agropecuário e industrial durante os 20 anos em consideração. No Brasil como um todo, a participação relativa dos ricos pelo trabalho no setor agropecuário caiu 62,7% entre 1985 e 2005. A região Sul (70%), acompanhada pelas regiões Nordeste (63,8%) e Sudeste (63,6%), foram as que apresentaram as mais altas quedas na participação relativa dos ricos pelo trabalho. Já nas regiões de fronteira agropecuária, como Norte (5,6%) e Centro Oeste (13,1%), também houve queda na participação relativa dos ricos, porém com menor ritmo que nas demais regiões. Em função disso, a composição dos ricos pelo trabalho no interior do setor agropecuário também sofreu modificações significativas. As regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste aumentaram suas posições relativas, enquanto as regiões Sudeste e Sul diminuíram entre 1985 e 2005. De todo o modo, as regiões Sudeste e Sul responderam em conjunto, no ano de 2005, por 63,6% de todo o decil mais rico da distribuição pessoal da renda do trabalho, ante 70,8% em 1985. No setor industrial, o estrato superior da renda do trabalho também seguiu o mesmo movimento de perda relativa, embora de forma menos intensa que o verificado no setor agropecuário. Entre 1985 e 2005, a participação dos ocupados com renda referente aos 10% mais ricos decaiu 21,2% no setor industrial. A maior redução ocorreu na região Sul (61,2%), seguida das regiões Norte (57,3%), Nordeste (26%) e Sudeste (25,9%). Só a região Centro-Oeste apresentou movimento contrário, com crescimento na participação no total dos ricos pertencentes ao setor industrial (2,9%) durante o mesmo período de tempo. Como conseqüência, a distribuição dos ricos pelo trabalho no setor industrial se alterou entre 1985 e 2005. Novamente a região Sudeste perdeu participação relativa (13,1%), enquanto as demais regiões elevaram suas posições relativas na composição dos ricos pelo trabalho no setor industrial. Com isso, as regiões Sudeste e Sul respondiam por quase 40% do mais alto decil da distribuição pessoal da renda do trabalho em 1985, que decaiu para somente 23,3% em 2005. Frente ao forte esvaziamento das regiões Sudeste e Sul, prevalece no país uma distribuição pouco desigual no conjunto dos ricos pelo trabalho no setor industrial.
O terceiro aspecto relevante diz respeito à expansão relativa dos ricos pelo trabalho cada vez mais concentrado no setor terciário. O Brasil registrou, entre 1985 e 2005, aumento de 15,7% no total de ricos pelo trabalho no setor de serviços. Com isso, em 2005, a cada grupo de 100 pessoas com rendimento no mais alto estrato da distribuição pessoal da renda do trabalho, 80 pertenciam ao setor terciário. Os demais 20 ricos pelo trabalho se dividiram entre o setor industrial (16) e o setor agropecuário (4). Há 20 anos, o setor industrial respondia por 20 a cada 100 ricos pelo trabalho e o setor agropecuário com 10, enquanto o setor de serviços já concentrava 70% dos ricos pelo trabalho no Brasil. O maior aumento na participação no setor de serviços ocorreu na região Sul (16%), o que tornou a área geográfica com maior concentração relativa de ricos pelo trabalho. Já a região Centro-Oeste apresentou a menor elevação no peso dos ricos no setor de serviços e, por isso, o menor peso relativo, em 2005, na concentração do decil mais alto da distribuição pessoal da renda do trabalho. Mais uma vez, a região Sudeste perdeu posição relativa no total dos ricos pelo trabalho no setor de serviços. Da mesma forma, as demais regiões aumentaram suas posições relativas, sobretudo a região Sul. Mesmo assim, as regiões Sudeste e Sul continuaram, em 2005, concentrando 74,6% do total dos ricos pelo trabalho no setor de serviços. No ano de 1985, elas respondiam por 76,4% de todo o decil de mais alta renda do trabalho.
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[4] ? O que é política de pleno emprego?: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/07/o-que-e-politica-de-pleno-emprego/
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1 Comment To "Os ricos pelo trabalho no Brasil"
#1 Comment By misael On 4 setembro, 2007 @ 2:22 pm
Acho que o texto esta muito bom só falta seguir um gráfico ju7nto com ele.