Ipea, de Pochmann, planejará o futuro
Escrito por Gustavo, postado em 14 dEurope/London agosto dEurope/London 2007
Marcelo Tokarski Correio Braziliense 14/8/2007
Novo presidente toma posse hoje com objetivo de mudar o perfil do instituto. O órgão vai elaborar estudos de médio e longo prazos
O economista Marcio Pochmann, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), assume hoje a presidência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão agora vinculado à recém-criada Secretaria de Planejamento de Longo Prazo da Presidência da República. De perfil esquerdista e desenvolvimentista, Pochmann pretende mudar os rumos do instituto, que se voltará à elaboração de um planejamento de médio e longo prazos para o país. Para ele, o Ipea perdeu seu foco, ao se preocupar muito com os problemas conjunturais de curto prazo e abandonar o viés estratégico de pensar o futuro. “Nada melhor do que o Ipea para pensar o Brasil”, afirma.
Pochmann assume o cargo por indicação do secretário de Planejamento de Longo Prazo, Roberto Mangabeira Unger, a quem o Ipea está hoje subordinado — o instituto era vinculado ao Ministério do Planejamento. Para o economista, desde o final do governo militar, o Ipea deixou de planejar o país. Segundo ele, durante a crise externa iniciada em 1983, o Brasil “se desconectou da perspectiva do planejamento”. “De certa maneira, os governos se tornaram administradores de crise. Era o problema da dívida externa, inicialmente, depois o problema hiperinflacionário. Então, os estudos tentaram atender a uma preocupação conjuntural e de avaliação de políticas públicas”, afirma.
Sem deixar de ressaltar a importância desse tipo de trabalho, o novo presidente quer privilegiar as questões de médio e longo prazos. “Países como a China, como a Índia, que começam a ter um desempenho econômico acima da média internacional, trabalham com planejamento. Um país de dimensão continental, como é o nosso caso, não pode deixar de ter essa capacidade de olhar o futuro, se antecipar do ponto de vista do conhecimento”, defende.
Para o novo presidente, os futuros estudos devem alimentar as políticas públicas no país, e não apenas analisá-las, para que “aqueles que tomam decisões possam olhar a realidade e ver as perspectivas do Brasil de forma mais completa possível”. Pochmann fez questão de ressaltar que o Ipea não trabalhará apenas em função do governo federal, mas também vai colaborar com estados e municípios. Sobre as divergências existentes entre os pesquisadores do instituto, o novo presidente é enfático: “A pluralidade é um ponto enriquecedor, não um ponto que fragiliza”.
Perfil
Marcio Pochmann é professor de economia na Unicamp desde 1989. Nos quatro anos anteriores, trabalhou em Brasília, no Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos (Dieese). Ao longo de sua carreira acadêmica, especializou-se em economia do trabalho. Ligado ao PT, Pochmann não é filiado ao partido. De 2001 a 2004, foi secretário de Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade da Prefeitura de São Paulo na gestão Marta Suplicy. Em 2005, voltou para a sala de aula. Crítico de programas federais como o Primeiro Emprego, por exemplo, o economista é autor de 27 livros.










