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Acabou a discussão da meta de inflação

Posted By Gustavo On 17 agosto, 2007 @ 11:55 am In Política Econômica | No Comments

Tales Faria JORNAL DO BRASIL – 17.08.07  

Não dá para dizer que o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) está festejando a crise econômica, porque, na verdade, está muito preocupado. Mas o fato é que Mercadante venceu, com a crise, uma batalha contra a ala ortodoxa do governo. Ele não cita o nome do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, mas dá no mesmo:

 - Pelo menos os ortodoxos vão parar de falar que a meta de inflação em 4,5% está elevada. O assunto saiu da pauta. Se tivéssemos uma meta mais baixa, como eles queriam, corríamos o sério risco de ter que, agora, sair disparando para cima a taxa básica de juros. 

De fato, conforme explica Mercadante, a crise faz com que o dólar tenda a subir, e com isso há também uma tendência de taxas de inflação mais elevadas. Nesse caso, para segurar uma meta inflacionária muito baixa, o único jeito seria elevar os juros à estratosfera. O que poderia paralisar a economia, estancar as expectativas de crescimento. 

Por conta disso, agora todo o mercado festeja o fato de não termos estabelecido uma meta inflacionária muito baixa, como queria o presidente do BC. Se a crise não demorar, dará até para o Brasil sair dela sem ter de mexer em nenhum dos chamados “fundamentos da economia”. 

- O senhor acha que a crise se aprofundará? 

- Não dá para saber. Dizem que os economistas passam metade do tempo fazendo previsões e, na outra metade, explicando por que que elas não se concretizaram. A minha impressão é de que, se nenhuma instituição financeira internacional sólida e de grande porte sofrer um baque, nós saímos rapidamente. Se algum grande banco entrar na roda, aí a coisa pode se complicar. 

 - E o que o governo pretende fazer? 

- Não posso falar pelo governo, mas creio que não há o que fazer neste momento. Se for preciso, temos aí uma boa margem de segurança. O Brasil está com reservas cambiais da ordem de US$ 160 bilhões. Mas a hora é de cautela. Esperar para ver. Neste momento, não é aconselhável fazermos nenhum movimento brusco com nenhum dos instrumentos que o Estado dispõe de política econômica. 

- E a CPMF? Há um forte movimento contra sua prorrogação. O governo vai insistir? 

- Não se trata de insistir. Num quadro desses, seria irresponsabilidade cortar cerca R$ 36 bilhões ao ano da receita do Estado.


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[1] ? Interesses, idéias e instituições: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/07/interesses-ideias-e-instituicoes/

[2] ? A Inflação Brasileira Recente: Uma Crítica ao Regime de Metas de Inflação: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/07/a-inflacao-brasileira-recente-uma-critica-ao-regime-de-metas-de-inflacao/

[3] ? Ata do Copom, reunião 17 e 18/7/2007: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/07/ata-do-copom-reuniao-17-e-1872007/

[4] ? Por que não se discute os gastos com juros?: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/07/por-que-nao-discutem-os-gastos-com-juros/

[5] De padrão asiático a latino-americano de crescimento no Brasil: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/08/de-padrao-asiatico-a-latino-americano-de-crescimento-no-brasil/

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