A turma da bufunfa cansou
Postado em 22 dEurope/London agosto dEurope/London 2007
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.
Folha de São Paulo, quinta-feira, 09 de agosto de 2007
Com o crescimento, o risco é que a turma da bufunfa consigapressionar o BC a frear a queda do juro
CHEGUEI AO Brasil na semana passada e li nos jornais que a elite sedeclara “cansada”. Fiz então uma rápida pesquisa sociológica econstatei que, de fato, a turma da bufunfa está totalmente exausta.Há motivos para essa exaustão?
Talvez. Os bufunfeiros já tiveram momentos mais brilhantes e maisexaltados. A taxa de juro, por exemplo, continua muito alta, mas nãoé mais a mesma. Segundo levantamento da Uptrend ConsultoriaEconômica, a taxa básica de juro caiu para 7,7% em termos reais. Demarço a julho de 2003, a taxa real básica superava 16%. Entre abril eoutubro de 2005, ela ficou acima de 13%. Bons tempos… A turma dabufunfa ficou na saudade.
Com a última redução de 0,5 ponto percentual determinada pelo Copom(Comitê de Política Monetária do BC), o Brasil perdeu para a Turquiaa liderança mundial em matéria de juros reais. A remuneração dealguns fundos de investimento começou a se aproximar perigosamente dorendimento da aplicação popular -a modesta caderneta de poupança.Bufunfeiro que se preza jamais aceitará tal nivelamento.Mas, convenhamos, a turma da bufunfa precisa moderar suas queixas.Nosso juro real básico ainda é mais de três vezes superior à médiamundial. Os bancos continuam registrando lucros gordos, diria mesmo,obscenos. Graças à expansão do crédito, aos elevados “spreads” e àspesadas tarifas cobradas da clientela indefesa, os estabelecimentosbancários exibem extraordinária rentabilidade. Devem (ou deveriam)estar exultantes, e não “cansados”. Leia o resto do artigo »
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