? Juros, Previdência e Economia Política
Escrito por rfsm, postado em 31 dEurope/London julho dEurope/London 2007
Ricardo Summa
As transferências do governo para os rentistas (que recebem a taxa de juros) e para os trabalhadores aposentados (que viveram de salários) tem enorme influência na distribuição da renda entre as classes sociais.
Conforme visto em artigo anterior, os gastos com o pagamento de juros são consequência de política deliberada do BC em fixar a taxa básica em patamares altíssimos. Se por um lado o pagamento de juros é um gasto do governo, de outro ele é renda dos detentores de títulos. Como os detentores de títulos são, por definição, detentores de riqueza, a alta tranferência de renda do governo para essa classe que recebe juros de títulos públicos (a classe rentista) é uma política regressiva em termos de distribuição de renda.
A segunda parte da equação se fecha. Se a taxa de juros é sagrada e por determinação política se move lentamente, e como consequencia os gastos com o endividamento também são altíssimos, a lógica ortodoxa vai dizer que se deve cortar outros gastos. E justamente os gastos para aqueles que viveram de salários são o alvo da vez para serem cortados (Nova reforma da previdência).
Assim sendo, do ponto de vista da Economia Política e da distribuição da renda entre as classes socias, os imensos gastos com juros e a diminuição das tranferências para os aposentados refletem uma política de redistribuição de renda duplamente negativa por parte do Estado.










