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    EUA e UE têm 77% dos ativos globais

    Postado em 10 dAmerica/Los_Angeles Novembro dAmerica/Los_Angeles 2008

    *Por Rogério Lessa

    Concentração financeira em poucas mãos potencializa riscos da crise atual

    Segundo o economista francês, Claude Sefarti, da Université Versailles-Saint Quentin-em-Yvelines, os Estados Unidos e União Européia (UE) detêm 77% dos ativos financeiros mundiais. Ou seja, a crise financeira atual tem potencial ainda mais explosivo do que os fortes estragos já causados.

    Para o Sefarti, o mundo está assistindo a um processo de compartilhamento da hegemonia mundial. Segundo ele, UE, EUA e até Austrália e Nova Zelandia estariam se unindo numa coalizão “transatlântica”, concentrando cada vez mais o controle dos ativos financeiros mundiais:

    “A UE também segue parceira dos EUA no caminho imperialista e conta com enorme poder financeiro: somados, detêm 77% dos ativos financeiros mundiais. Então, o capital financeiro não pode ser identificado apenas pelos EUA”, disse.

    Para dar uma idéia da concentração de riqueza no mundo, Sefarti que participou, mês passado, do III Fórum Universitário do Mercosul (III FoMerco), em Boa Vista (RR), afirmou que o PIB europeu equivale a 23% do PIB mundial, embora sua população não passe de 7% do total.

    “Houve polarização da riqueza financeira no mundo, com os EUA detendo 36% e a União Européia 33% dos investidores individuais mais ricos - os que investem mais de US$ 1 milhão.

    Ainda segundo Sefarti, os mais ricos da América Latina detêm 5% de toda a riqueza financeira mundial, o que não é desprezível: “Isso só é possível devido à enorme concentração da riqueza na região, cuja economia está longe de se equivaler à da Europa ou dos EUA”, resumiu.

     No encerramento do III Fórum Universitário do Mercosul (III FoMerco), realizado em Boa Vista (RR), o economista Claude Sefarti, da Université Versailles-Saint Quentin-em-Yvelines/França, afirmou que o verdadeiro significado da comunidade européia é o recrudescimento do imperialismo e da luta contra o trabalho. Leia o resto do artigo »

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    Entenda a atual crise financeira

    Postado em 13 dAmerica/Los_Angeles Outubro dAmerica/Los_Angeles 2008

    Por Celso Evaristo Silva

    Tirando a negligência dos agentes financeiros dos EUA na concessão de créditos hipotecários, a disseminação mundo afora dos “papéis podres”, a especulação desenfreada, a crença na infalibilidade das forças de mercado, a ingerência da política na economia, a ingerência da economia na política, o comportamento de manada dos pequenos e médios investidores, o comportamento de predador dos mega investidores, a omissão do governo Bush, a ação da política externa do governo Bush, a falta de liderança de Bush, a ganância dos bancos de investimento, a natureza acumulativa intrínseca ao sistema capitalista, a independência dos Bancos Centrais - em especial o americano, o comportamento de esfinge de Alan Greenspan (enquanto presidente do FED), a invasão dos hackers nos sistemas de informática dos bancos, a falta de controle e regulação do mercado financeiro, a visão de curtíssimo prazo predominante nos dias de hoje, o pouco conhecimento de Obama sobre política externa, o menor ainda de McCain sobre economia, a gravidez indesejada da filha da vice conservadora de McCain, as orelhas de abano do Obama, o mundo secreto das seguradoras de operações de crédito, o descolamento do mercado financeiro da economia real, o swap de ativos, o swing de casais, a utilização indiscriminada de futures contract, a volatilidade do mercado, os passivos descobertos, os ativos enrustidos, a crença inabalável nos fundos de hedge, a democratização do desejo de “se dar bem”, a ciranda financeira, a incompatibilidade dos métodos de apuração dos índices de inflação, a tirania do Pensamento Único, a conspiração dos Illuminati, os boatos, a crença no sindicalismo de resultado, o sonho (americano) da casa própria, a guerra do Iraque, a guerra do Morro do Alemão, a defesa do Vasco, a atuação dos market boys de Wall Street, o made in China, o julgamento ipso facto das agências classificadoras de risco - a la Seu Nonô, a pressão dos lobbies sobre o Congresso americano, a força da indústria petrolífera, a influência do complexo industrial-militar, o nepotismo (americano), a especulação com commodities, a atuação dos market players, o comportamento obsessivo-compulsivo do consumidor americano, a globalização do capital, a imigração indesejável de latinos no mercado americano, a farta utilização de mão-de-obra barata de imigrantes ilegais nos EUA, a descrença do cidadão comum na classe política, a agiotagem oficializada, a falta de percepção da falta de lastro dos papéis garantidores das operações futuras, a ideologia neoliberal, a falta de ética na política e no funcionamento do mercado, os fundamentalistas do partido republicano, os oportunistas do partido democrata, a insignificância dos independentes, o surgimento e estouro das bolhas, os balanços matraqueados, a alienação do homem comum, a interferência da mudança climática na produção de grãos, a atuação da mídia formadora e deformadora de opinião, a proliferação das escolas de negócios, o fantasma de 1929, e algumas outras variáveis aleatórias, a atual crise financeira mundial pode ser explicada e compreendida, na sua gênese, com a utilização de critérios rigorosamente técnicos e científicos.

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    ESTAMOS TODOS REFÉNS

    Postado em 22 dAmerica/Los_Angeles Setembro dAmerica/Los_Angeles 2008

     

    (*) Celso Evaristo Silva

     

    “A máquina ideológica que sustenta as ações preponderantes da atualidade é feita de peças que se alimentam mutuamente e põem em movimento os elementos essenciais à continuidade do sistema” (Milton Santos, in ‘Por uma outra Globalização’, pág.18 - Ed. Record, São Paulo, 2000).

     

    Patético, com gostinho de Quem mandou?, ver o Tio Sam injetar  hot money do contribuinte americano diretamente nas veias do cambaleante Shangri-La liberal de Wall Street. O Consenso de Washington perdeu-se nas brumas de um passado recente. As caras de ressaca mal curada do presidente Bush e de sua entourage econômica anunciando o “pacotasso” de US$ 700 bi dizem tudo(E olha, a quem veja nisso apenas o antepasto). De repente, não mais que de repente, os EUA deixaram de ser investment grade. Apesar disso, não devemos baixar a guarda nem deixar de procurar entender melhor a amplitude do tragicômico acontecimento histórico.

     

    O simbolismo impregnado na “ajuda” do governo americano ao esfarelado mercado financeiro, com certeza, é uma séria avaria na estrutura ideológica do neoliberalismo; por enquanto, ficamos por aí. Os últimos acontecimentos podem revelar apenas a ponta do iceberg da  estrutura do poder político econômico no mundo, gênese da atual crise, mas não seu funcionamento. Não que qualquer detentor de um mínimo de capacidade analítica já não ao menos desconfiasse de que quem manda, quem tem a hegemonia na economia mundial é o capital financeiro. Muitos tinham certeza; mas, uma coisa é saber, intuir, outra é ver diante de si a materialização irrefutável de nossas certezas e/ou desconfianças. Leia o resto do artigo »

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    II Fórum de Governadores da Amazônia Legal

    Postado em 15 dAmerica/Los_Angeles Setembro dAmerica/Los_Angeles 2008

    Por Anderson Marques

    Foi realizado em 08 de agosto na cidade de Cuiabá (MT) o II Fórum de Governadores da Amazônia Legal, que a exemplo do primeiro que foi em maio, em Belém (PA) tenta estabelecer um espaço para as manifestações com alguma importância politica, na busca de alternativas para solucionar os inúmeros problemas da região.

    Observando que o foco principal da maioria (se não todos) desses governadores é utilizar esse espaço de discussão, relacionando os problemas novos e antigos, simplesmente para conseguir mais recursos para seus estados, é importante registrar que espaços como esse podem ser aproveitados por todos aqueles que possuem um interesse verdadeiro de analisar, tentar entender e/ou propor soluções para a mitigação dos problemas amazônicos.

    Sobre o evento destaco dois aspectos que creio ser interessante:

    A crítica a decisão do Governo Federal de criar o Fundo Amazônico sem consultar e sem a presença de nenhum dos governadores da região, repetindo o histórico dos governos centrais de criar legislação e implementar políticas para a região sem a participação política dos gestores da região, indo inclusive contra orientação estabelecida no Plano Amazonia Sustentável - PAS, iniciativa do proprío Governo Federal.”

    Apesar de todas as diferenças, especificidades e peculiaridades existentes nas diversas “Amazônias” que compoem a Amazônia Legal, foi´possível elaborar a “Carta de Mato Grosso” (que transcrevo abaixo) que apesar de deixar visível a interesse por mais fundos, investimentos e recursos, consegue apresentar preocupações válidas e importantes para orientar a construção das soluções necessárias para os inúmeros desafios a serem vencidos pelos amazônidas.

    Já não crio grandes espectativas em manifestações desse tipo, porém não desanimo e acredito ser importante a divulgação de qualquer iniciativa que possa gerar, o mínimo que seja, algum espaço para alimentar a busca contínua por uma Amazônia que reflita na realidade toda a grandeza e importância a ela atribuida.

    II Fórum de Governadores da Amazônia Legal

    Carta de Mato Grosso

    Cuiabá, 08 Agosto de 2008

    Nós, Governadores dos Estados que compõem a Amazônia Legal - Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, cientes da dimensão maior que deriva do mandato popular, afirmamos nossa responsabilidade histórica na condução dos destinos da região.

    Compreendemos a importância da variável ambiental no desenvolvimento da Amazônia que perpassa e está presente em todos os temas de forma transversal, entendendo que aspectos sócio-econômicos são igualmente relevantes.

    Para dar materialidade às ações de desenvolvimento regional sustentável, o presente Fórum cria o Conselho de Governadores da Amazônia Legal e destaca como agenda prioritária:

    1. Instalar imediatamente a Comissão Gestora do Plano Amazônia Sustentável (PAS);

    2. Reafirmar a importância do Zoneamento Ecológico e Econômico - ZEE como instrumento estratégico para o planejamento e a integração regional, considerando que a conclusão dos ZEEs estaduais e do macrozoneamento da Amazônia é prioritária e deverá ser alcançada mediante a cooperação técnica e financeira entre os Estados e a União; Leia o resto do artigo »

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    Capitalismo e Liberalismo - contradições

    Postado em 10 dAmerica/Los_Angeles Setembro dAmerica/Los_Angeles 2008

    Celso Evaristo Silva*

    A idéia fundamental do liberalismo clássico é o “sagrado direito de propriedade privada”, assim entendido pelos adeptos dos pressupostos liberais. O livre mercado e a concorrência são elementos importantes para a existência do modo capitalista de produção e sua representação ideológica mais pura: a concorrência perfeita. Todavia, a essência do capitalismo não decorre de nenhum dos dois, são fatores necessários à sua existência porém não suficientes. A condição sine qua non é a propriedade privada dos meios de produção. Marx salientava em “O Capital” que para a plenitude do sistema capitalista seriam necessárias a interação dialética entre propriedade privada, o mercado e o trabalhador livre.

    Os teóricos do liberalismo defendem a propriedade privada dos meios de produção, o livre mercado e a liberdade individual, como os meios mais eficazes de reduzir a pobreza e sustentar o progresso das sociedades. Aliás, não só eles, também Marx defendia a tese de que o capitalismo desenvolvera sobremaneira as forças produtivas de muitas regiões do globo, e retirara sociedades arcaicas de sua letargia histórica.

    Segundo esses teóricos, a combinação dos três fatores estimulam os indivíduos a produzir e utilizar melhor os escassos recursos econômicos. O sentir-se dono de algo faz com que haja maior motivação para o trabalho e a produção. O empresário ou capitalista, no afã de acumular riqueza e reinvestir parte dela, atende as necessidades dos consumidores, tornando o sistema produtivo mais eficaz. O consumidor é entronizado no papel alvo primordial de todo processo de produção no sistema de livre mercado. Diante disso, este, ainda, seria o melhor meio de ordenamento econômico para o bem estar geral da população.

    Tanto do ponto de vista teórico quanto empírico, o livre mercado apresentaria, para os liberais, melhores resultados do que qualquer outro sistema, seja ele o intervencionismo keynesiano ou o socialismo, tal qual o conhecemos. Leia o resto do artigo »

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    Pela aliança do BNDES com o Tesouro a favor do crescimento

    Postado em 1 dAmerica/Los_Angeles Setembro dAmerica/Los_Angeles 2008

    Entrevista de Hélio Silveira, vice-presidente da Associação dos Funcionários do BNDES, a Rogério Lessa. O foco da entrevista está na associação estratégica entre Tesouro e BNDES para a concessão de financiamentos.

    Essa proposta foi inicialmente divulgada no jornal dos funcionários, Vínculo, e também publicado no Blog Círculo do Desenvolvimento. Caso queira participar do debate sobre esta associação clique aqui.

    Por: Rogério Lessa

    A partir da Teoria das Finanças Funcionais, do economista Abba Lerner, de que gasto público gera imposto, enquanto o investimento gera poupança, os funcionários do BNDES estão propondo a utilização de uma política monetária de longo prazo, comprometida com o desenvolvimento econômico, diferentemente da que vem sendo realizada pelo Banco Central (BC).

    Segundo o vice-presidente da Associação de Funcionários do BNDES (AFBNDES), Hélio Silveira, a estratégia inclui uma inédita parceria do BNDES com o Tesouro Nacional e liberdade total em relação à concessão de financiamentos.

    Ele iniciou a divulgação da proposta no jornal dos funcionários, Vínculo, em 31 de julho último, como explicou nesta entrevista exclusiva ao MM.

    “O BNDES poderia investir diretamente no aumento da capacidade produtiva. Isso porque a emissão monetária se daria ao término de cada fase de comprovação do aumento da capacidade efetivamente realizado, então a emissão se realiza no tempo, após a efetivação desse aumento da capacidade”, esclarece o economista.

    “Depois da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), se Keynes estivesse vivo, aqui no Brasil seria preso por malversação de recursos públicos”, ironizou.

    Como a dupla Tesouro/BNDES pode substituir a Tesouro/Banco Central?

    Estamos vendo a atuação da dupla Tesouro/Federal Reserve (Fed, o BC norte-americano) nos EUA, para tentar debelar a crise financeira, com emissão direta no meio circulante para tentar evitar a queda do nível de atividade e o do nível do emprego. Então, por que não, a atuação da dupla Tesouro/BNDES? Vemos vantagens, primeiro porque não há emissão direta, pois o BNDES, livre de restrições ao financiamento, poderia investir diretamente no aumento da capacidade produtiva. A emissão monetária se daria ao término de cada fase de comprovação do aumento da capacidade efetivamente realizado. Então, a emissão se realiza no tempo, após a efetivação desse aumento da capacidade. Enfim, seria uma política monetária de longo prazo, comprometida com o desenvolvimento econômico.

    Qual a base teórica dessa proposta?

    A Teoria das Finanças Funcionais, de Abba Lerner, mostra que desde Keynes o gasto público gera imposto, enquanto o investimento gera poupança. Nos EUA, em uma canetada e em pleno sábado, o Senado autorizou aumentar o déficit público em US$ 800 Bilhões (6% do PIB), para evitar o risco de “quebra” do sistema financeiro e de recessão. Leia o resto do artigo »

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    500 multis já faturam 44% do PIB mundial

    Postado em 1 dAmerica/Los_Angeles Setembro dAmerica/Los_Angeles 2008

    “Falando sobre desenvolvimento inclusivo e economia solidária, o presidente do Instituto de Economia Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, e o secretário nacional do Trabalho, Paul Singer, defenderam que o Brasil acompanhe a construção de um novo padrão civilizatório que, segundo eles, está em construção no mundo. Ele alertou para o fato de que hoje as 500 maiores empresas do planeta têm faturamento equivalente a 44% do PIB mundial…”

    Artigo comentado por Rogério Lessa

    Publicado em: Monitor Mercantil

    Para especialistas, sem regulação, empresas vão dominar a economia

    O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, advertiu que, em breve, as 500 maiores empresas do planeta dominarão todos os segmentos da economia: “O PIB mundial é de US$ 60 trilhões e a riqueza circulante representa dez vezes isso (US$ 600 trilhões). Como fazer governança para esse sistema?”, indagou.

    Hoje, acrescentou, o faturamento das 500 maiores multinacionais já equivale a 44% do PIB mundial. Ele defende uma nova governança mundial para o setor privado, cujo poder hoje supera o dos Estados nacionais. E reiterou que, com o brutal avanço da produtividade, bastariam 12 horas de trabalho semanais para manter a produção.

    Já o secretário nacional do Trabalho, Paul Singer, defende que as multis paguem impostos em vez de assumir tarefas públicas. Ao ressaltar o papel do Estado, defendeu a geração de vagas típicas da economia solidária: oferecem mais espaço a criatividade e autonomia do trabalhador.

    Ambos vêem na Educação a grande base para um novo modelo civilizatório adequado ao século XXI, no qual o setor de serviços (trabalho imaterial) responderia pela geração do maior número de empregos. Mas reconhecem que serão necessárias exaustivas lutas políticas para que as grandes corporações aceitem repartir um pouco da riqueza acumulada.

    “A onda progressista na América Latina é fruto de muitos anos de devastação neoliberal. É diferente das décadas de 40, 50 e 60 do século passado, quando os progressistas ganharam força a partir do avanço econômico”, exemplificou Pochmann.

    Falando sobre desenvolvimento inclusivo e economia solidária, o presidente do Instituto de Economia Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, e o secretário nacional do Trabalho, Paul Singer, defenderam que o Brasil acompanhe a construção de um novo padrão civilizatório que, segundo eles, está em construção no mundo. Ele alertou para o fato de que hoje as 500 maiores empresas do planeta têm faturamento equivalente a 44% do PIB mundial.

    “Se a China não for computada, veremos que a pobreza no planeta aumentou. Estamos diante do desafio de construir um novo padrão civilizatório. E a humanidade tem condições de financiar isso, devido ao salto fantástico na produtividade”, afirma Pochmann. Para ele, basta capturar o enorme excedente gerado hoje em dia. “Mas não sei se isso será possível politicamente”, ressalva, cobrando uma nova governança para o desenvolvimento. “O poder não está mais nas mãos dos países, mas nas grandes empresas. Para esse sistema ainda não há regras. Em breve, apenas 500 companhias dominarão todos os setores”.

    O presidente do Ipea aposta em um novo padrão de sociabilidade, baseado na Educação. “A construção do padrão de sociabilidade no Século 20, que começou ainda no século anterior, com a passagem da base agrícola para a Revolução Industrial, foi feita com muita luta. O dia do trabalho (1º de maio) tem 123 anos e marca a morte de operários pela redução da jornada”, lembrou. Leia o resto do artigo »

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    Pela aliança do BNDES com o Tesouro a favor do crescimento

    Postado em 25 dAmerica/Los_Angeles Agosto dAmerica/Los_Angeles 2008

    Por Katia Alves

    Veja abaixo entrevista com Hélio Silveira, vice-presidente da AFBNDES, publicada no Monitor Mercantil.

    Hélio afirma que atuação da dupla Tesouro/BNDES apresenta grandes vantagens: não há emissão direta, pois o BNDES, livre de restrições ao financiamento, poderia investir diretamente no aumento da capacidade produtiva.

    Clique aqui e entenda por que o Círculo do Desenvolvimento é a favor do aumento do orçamento do BNDES. E participe do debate.

    Publicado originalmente no Monitor Mercantil

    Por Rogério Lessa

    A partir da Teoria das Finanças Funcionais, do economista Abba Lerner, de que gasto público gera imposto, enquanto o investimento gera poupança, os funcionários do BNDES estão propondo a utilização de uma política monetária de longo prazo, comprometida com o desenvolvimento econômico, diferentemente da que vem sendo realizada pelo Banco Central (BC).

    Segundo o vice-presidente da Associação de Funcionários do BNDES (AFBNDES), Hélio Silveira, a estratégia inclui uma inédita parceria do BNDES com o Tesouro Nacional e liberdade total em relação à concessão de financiamentos.

    Ele iniciou a divulgação da proposta no jornal dos funcionários, Vínculo, em 31 de julho último, como explicou nesta entrevista exclusiva ao MM.

    “O BNDES poderia investir diretamente no aumento da capacidade produtiva. Isso porque a emissão monetária se daria ao término de cada fase de comprovação do aumento da capacidade efetivamente realizado, então a emissão se realiza no tempo, após a efetivação desse aumento da capacidade”, esclarece o economista.

    “Depois da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), se Keynes estivesse vivo, aqui no Brasil seria preso por malversação de recursos públicos”, ironizou.

    Como a dupla Tesouro/BNDES pode substituir a Tesouro/Banco Central?

    Estamos vendo a atuação da dupla Tesouro/Federal Reserve (Fed, o BC norte-americano) nos EUA, para tentar debelar a crise financeira, com emissão direta no meio circulante para tentar evitar a queda do nível de atividade e o do nível do emprego. Então, por que não, a atuação da dupla Tesouro/BNDES? Vemos vantagens, primeiro porque não há emissão direta, pois o BNDES, livre de restrições ao financiamento, poderia investir diretamente no aumento da capacidade produtiva. A emissão monetária se daria ao término de cada fase de comprovação do aumento da capacidade efetivamente realizado. Então, a emissão se realiza no tempo, após a efetivação desse aumento da capacidade. Enfim, seria uma política monetária de longo prazo, comprometida com o desenvolvimento econômico.

    Qual a base teórica dessa proposta?

    A Teoria das Finanças Funcionais, de Abba Lerner, mostra que desde Keynes o gasto público gera imposto, enquanto o investimento gera poupança. Nos EUA, em uma canetada e em pleno sábado, o Senado autorizou aumentar o déficit público em US$ 800 Bilhões (6% do PIB), para evitar o risco de “quebra” do sistema financeiro e de recessão.

    Enfim, está decretado o fim do Consenso de Washington, que pregava, para os países em desenvolvimento, entre outros mandamentos, o de manter o Orçamento público equilibrado e o Estado mínimo, ou em outros termos, terminou a fase do “faça o que eu digo (Washington), mas não faça o que eu faço”. Os EUA mostram com a prerrogativa de emissão e do déficit público para evitar o desaquecimento, que está instaurando a fase do Conselho de Washington. Ou seja: “Faça o que eu faço, não faça o que eu digo.”

    Não parece fácil demais promover o desenvolvimento com o que o senhor chama de Grande Governo, usando o BNDES (Grande Banco)?

    Tecnicamente, é muito fácil, principalmente no Brasil, em que tudo está por fazer: saneamento, escolas, hospitais, contratar gente. Ou seja, nem precisa inventar projetos. Basta fazer o necessário para resgatar a imensa dívida social. Isso, por si só, já garante um imenso canteiro de obras. Entretanto, o problema é político.

    Como conseguir quebrar a resistência política?

    Entendo que a questão é complicada, já que os liberais deixaram um arcabouço teórico e legal muito sólido. Basta citar a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Se Keynes estivesse vivo e fosse propor sua famosa colocação, de que para gerar renda, bastaria o governo contratar “fazedores de buraco” e “fechadores de buracos” com emissão de moeda, hoje, aqui no Brasil, ele seria preso por malversação de recursos públicos. Tem ainda aquele outro pensamento bastante consolidado: o governo é como a dona de casa, que não pode gastar mais do que ganha. Leia o resto do artigo »

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    BNDES-TESOURO

    Postado em 20 dAmerica/Los_Angeles Agosto dAmerica/Los_Angeles 2008

    Por uma Política Monetária de Longo Prazo 

    Publicado em: Vínculo

    Por: Hélio Pires da Silveira (*)
          Gustavo Antônio Galvão dos Santos (*)

    Fernando Garcia

    Finalizamos o último “BNDES sempre!” afirmando que, ao contrário da dupla “Tesouro-Fed”, que atua sintonizada com os níveis da atividade econômica e o de desemprego nos EUA, aqui o Banco Central, de forma independente, foca sua atuação apenas na meta de inflação. Vemos, preocupados, que a utilização unicamente da elevação da taxa de juros de curto prazo, apreciando o Real, poderá prejudicar seriamente o balanço de pagamentos. Como contraponto, apresentamos a tese de que o BNDES, atuando em dupla com o Tesouro, e à luz das “Finanças Funcionais”, poderia agir, à semelhança do Tesouro-Fed, focado em metas de crescimento e desenvolvimento.

    Lembramos, no texto, que o Brasil seguiu, na década de 90, junto com outros países, os ditames do “Consenso de Washington”, e o resultado foram anos de baixo crescimento. Agora, contrariando as regras do “Consenso”, as autoridades norte-americanas agem como “segurador e emprestador de última instância”, cientes de suas responsabilidades de manter a higidez e solvabilidade do seu sistema financeiro privado, a despeito das críticas dos economistas ortodoxos. Em resumo, lembramos que, ao contrário da pregação liberal, de minimização da atuação do Estado, o mundo aprendeu desde os anos 30 “que só a intervenção conjunta do ‘Grande Governo’ e do ‘Grande Banco’, em outras palavras, da dupla Banco Central-Tesouro, corrige e segura os excessos das crises financeiras recorrentes, bem como mantém a Economia no rumo do pleno emprego”.

    Então, a partir da análise de nosso momento econômico, vemos que o governo não está aprendendo as verdadeiras lições que vêm do Norte.

    Nas horas críticas, o Estado e o Congresso norte-americanos autorizam gigantescas emissões monetárias, sem contrapartidas fiscais, para segurar as irresponsabilidades e excessos do sistema financeiro. Em suma, neste momento, deveríamos fazer o que eles fazem e não o que eles “recomendam” que façamos.

    Nesse contexto, onde vemos, preocupados, a atuação do nosso Banco Central voltado, apenas, para o curto prazo, sem nenhuma visão estratégica, nos sentimos na obrigação de lançar, ao debate, nossa tese de atuação conjunta BNDES-TESOURO, para atuação no médio e longo prazos, visando Desenvolvimento & Pleno Emprego.

    Finanças Funcionais

    (Para desenvolvermos a tese “BNDES-TESOURO - Por uma Política Monetária de Longo Prazo”, contamos com a colaboração de nosso colega Gustavo Antônio Galvão dos Santos, economista e Doutor em Finanças Funcionais pela UFRJ, que também participa do Conselho de Colaboradores do Círculo do Desenvolvimento e do Conselho Deliberativo da AFBNDES).

    Nossa preocupação é não perder a janela de oportunidade que o contexto nacional e internacional está nos oferecendo e não desperdiçar o crescimento que estamos vivenciando, que poderá ser abortado pela elevação dos juros. Isto só beneficia os “rentistas - detentores da dívida pública”, além de prejudicar o equilíbrio das contas externas. Por outro lado, nos preocupamos com o não aproveitamento das lições internacionais que estão minando a “fortaleza do pensamento ortodoxo” e que nos permitiriam avançar para uma verdadeira política de desenvolvimento, para o resgate da dívida social, e caminhar para o Pleno Emprego. Leia o resto do artigo »

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    Alencar: juros altos são a maior barreira a geração de empregos

    Postado em 13 dAmerica/Los_Angeles Agosto dAmerica/Los_Angeles 2008

    Por Rogério Lessa*

    Uma comissão ministerial do governo estuda a adoção de um programa de emprego garantido (PEG) semelhante ao que fizeram, com sucesso, Argentina, após a crise de 2001, Índia e África do Sul. Para debater o tema, o BNDES organizou simpósio no qual foram trocadas experiências com economistas daqueles países.

    O vice-presidente José Alencar participou da abertura do evento e voltou a criticar duramente a política monetária do Banco Central (BC). Ele enfatizou que a redução do gasto público deve começar pela conta de juros.

    “No primeiro mandato, gastamos R$ 600 bilhões com juros e caminhamos para gastar mais R$ 700 bilhões até 2010. Se a taxa básica (Selic) nominal fosse cortada pela metade, ainda estaríamos praticando a maior taxa de juros do mundo”, salientou.

    O vice-presidente lembrou que, na média mundial, a taxa básica real encontra-se na casa de 1%: “Não sabemos como trabalham essas agências de risco. Lula mandou o FMI e o Clube de Paris para casa pagando a dívida, não foi dando calote. Então, não é risco aplicar no Brasil. É um privilégio”, prosseguiu, acrescentando que o maior risco para o investidor vem do custo de rolagem da dívida pública brasileira.

    Para Alencar, o Brasil está pagando o preço de exagerar a importância do mercado, tido nos últimos 30 anos como panacéia até para resolver os problemas sociais.

    Ele lembrou que Getúlio Vargas enfrentou grande resistência da parte dos conservadores quando criou Petrobras, Vale, CSN e BNDE: “A mão do Estado está presente em todas essas iniciativas muito bem-sucedidas. O Estado deve entrar em áreas estratégicas. Nem todas as privatizações são justificáveis e, em muitas delas, foram utilizados métodos inadequados”, criticou, lembrando que sem projeto previamente elaborado pelo Estado, desapropriações e licitações dificilmente uma parceria público-privada deslancha: “O Estado pertence aos brasileiros”, frisou.

    Emprego e cidadania

    Já o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, lembrou que o BNDES opera com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e, por isso, tem “obrigação de se preocupar com emprego e cidadania, em fazer valer um dos direitos mais elementares que o acesso ao trabalho”.

    Coutinho observou que as estatísticas não consideram os que já desistiram de procurar emprego (desalento). Segundo o presidente do BNDES, o subemprego atinge 25% da força de trabalho.

    “O desemprego caiu de 13% para 8%, desde 2006, nas áreas metropolitanas e o país está gerando 1,6 milhão de postos formais de trabalho por ano. Mas, embora estejamos num caminho promissor, ainda há a herança de 25 anos de baixo crescimento e aprofundamento da desigualdade. Por isso devemos aproveitar a experiência de outros países”, advogou. Leia o resto do artigo »

    Postado em Artigos do Corpo Editorial, Rogério Lessa | Sem Comentários »