Conselho estuda excluir BNDES da composição do FAT
Postado em 20 dAmerica/Los_Angeles Agosto dAmerica/Los_Angeles 2008
Por Katia Alves
Integrantes do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) estudam uma maneira de excluir o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) da sua composição. Mas Carlos Lupi, ministro do Trabalho, afirma que desconhece esse projeto.
Os membros do FAT que defendem a saída do representante do BNDES também querem ampliar o Codefat em mais seis cadeiras. Com a legalização das centrais sindicais, a bancada dos trabalhadores iria subir para seis conselheiros.
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Por Arnaldo Galvão
Integrantes do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) estudam uma maneira de excluir o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) da sua composição. O ponto central desse plano é afastar o BNDES porque, na visão desses conselheiros, há conflito de interesses no Codefat. Segundo esse ponto de vista, o conselho aprova o destino de recursos públicos que, mais tarde, vão para o banco. Do patrimônio de mais de R$ 174 bilhões do FAT, R$ 109 bilhões estão no BNDES.
Procurada pela reportagem, a assessoria do ministro do Trabalho, Carlos Lupi informou desconhecer esse projeto. O secretário de Políticas Públicas de Emprego, Ezequiel Nascimento, revelou que há um grupo técnico estudando a ampliação do Codefat. Mas sobre a exclusão do BNDES do conselho, disse que isso não passa de especulação.
Os membros do FAT que defendem a saída do representante do BNDES também querem ampliar o Codefat em mais seis cadeiras. Com a legalização das centrais sindicais, a bancada dos trabalhadores iria subir para seis conselheiros. O Codefat é tripartite, o que obriga sua ampliação de 12 para 18 integrantes.
Aproveitando essa necessidade, os seis representantes do governo seriam os ministérios do Trabalho, Previdência, Desenvolvimento Social (MDS), Desenvolvimento Agrário (MDA), Desenvolvimento (MDIC) e Integração Nacional. Perderiam espaço o BNDES e o Ministério da Agricultura.
O ministro Carlos Lupi afirmou ontem que os integrantes do Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) têm reunião marcada para terça-feira da semana que vem e, entre outros assuntos, vão analisar a necessidade de capitalização do BNDES.
“Estamos buscando uma saída e vamos encontrá-la. A tendência maior é a de repassar títulos para o banco captar recursos no mercado”, afirmou o ministro sem dar maiores detalhes.
Segundo o que o Valor apurou, a solução pode passar pelo Fundo de Investimento em Infra-Estrutura (FI-FGTS) que vai usar recursos do patrimônio líquido do FGTS.
Na semana passada, a direção do BNDES continuava negociando com o governo, principalmente com o Ministério da Fazenda, o aumento dos recursos para ampliar o orçamento de R$ 80 bilhões. Segundo Carlos Lupi, há uma expectativa de a demanda por desembolsos superar em R$ 40 bilhões esse orçamento. Mas essa informação foi desmentida pelo presidente do banco, Luciano Coutinho.
O que o BNDES confirma é um volume de projetos aprovados cujo valor é de R$ 112 bilhões e pode chegar a R$ 120 bilhões até o fim do ano.
O banco também informou que o FAT, nas modalidades constitucional e especial, vai repassar R$ 10 bilhões em 2008. O estoque líquido do FAT em poder do BNDES é de R$ 109 bilhões. A instituição aplica esses recursos e paga juros anuais correspondentes à Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP): 6,25% ao ano. Neste semestre, também é aguardado desembolso de US$ 750 milhões de empréstimos de instituições multilaterais. (AG)
Emprego formal acumula aumento de 5,4% em 2008
Por Arnaldo Galvão
O Ministério do Trabalho informou que foram criados 203,2 mil empregos com carteira assinada em julho, o que significa recorde para esse mês e crescimento de 60% sobre o saldo entre contratações e demissões em julho de 2007. No resultado acumulado de janeiro a julho, 1,564 milhão vagas foram abertas, o que mostra elevação de 28% em relação ao total de empregos criados nos primeiros sete meses do ano passado. O estoque desse da ocupação formal chegou a 30,5 milhões de postos em julho, aumento de 5,4 em relação aos dados de dezembro de 2007.
Os números de janeiro a julho do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), revelam que os melhores desempenhos setoriais foram dos setores de serviços - criação de 490, 1 mil empregos -, agricultura e construção civil, pelos aumentos de 18,14% e 15,18%, respectivamente.
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, comentou que há um crescimento generalizado da economia, impulsionado por investimentos importantes nos setores público e privado. Ele fez questão de dizer que, apesar da demanda aquecida, não estão faltando produtos no mercado, o que afasta preocupações com o aumento da inflação. Lupi manteve sua previsão de 2008 encerrar-se com o recorde de criação de mais de 2 milhões de empregos com carteira assinada. Em 2007, foram criados 1,8 milhão. Nos últimos 12 meses, o saldo acumulado do Caged é de 1,959 milhão de vagas.
Nos primeiros sete meses do ano, os mais de 490 mil postos criados no setor de serviços tiveram as maiores contribuições dos segmentos de comércio/administração de imóveis (176.083), alojamento/alimentação (129.150) e medicina/odontologia (48.863).
A indústria de transformação criou 355,4 mil empregos com carteira assinada de janeiro a julho, com os melhores resultados sendo registrados nos ramos de alimentos (93.309), metalurgia (44.409), mecânica (37.253), materiais de transporte (37.760), calçados (26.320), minerais não-metálicos (13.622) e papel/papelão (10.282).
Na construção civil, o Caged mostra que foram criados 232,2 mil postos de trabalho no período janeiro-julho. Lupi também detalhou que o primeiro programa de “saída” do Bolsa Família vai qualificar cerca de 200 mil pessoas em 13 regiões metropolitanas. Serão 200 horas/aula de qualificação para oito especializações da construção civil. A previsão é de as aulas começarem em outubro. O edital para a seleção das entidades educadoras já foi publicado.
Segundo o ministro, a iniciativa foi estudada por oito meses pelos ministérios do Trabalho, do Desenvolvimento Social e pela Casa Civil da Presidência da República. A previsão é de serem absorvidos R$ 150 milhões oriundos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
A agricultura foi responsável por um saldo positivo de 271,9 mil empregos nos sete primeiros meses do ano. No comércio, foram criadas 157,4 mil vagas nesse período. A administração pública contribuiu com 39.263 postos e a extração mineral contratou 9.823 empregados com carteira assinada.
O governo também informou que, em julho, o emprego formal nas nove maiores regiões metropolitanas teve mais 69.776 vagas. Nessas nove regiões, o melhor desempenho foi em São Paulo (31.392), seguida do Rio de Janeiro (13.938). Nas áreas do interior do país, a criação de postos de trabalho foi maior, com saldo de 90.710 no Caged, com destaque para São Paulo e Minas Gerais.
Em julho, apenas dois Estados da federação apresentaram saldos negativos no Caged. Foram eles Roraima (192 empregos a menos) e Mato Grosso do Sul (948 vagas fechadas). Nesse mês, o maior saldo é o de São Paulo, com 64.065 vagas criadas. Em seguida, vêm Minas Gerais (31.843), Rio de Janeiro (19.014), Paraná (13.635), Ceará (10.629), Santa Catarina (7.585), Bahia (6.685) e Pernambuco (6.382), entre outros. A maior variação percentual, na comparação com julho de 2007, foi a do Maranhão (1,89%).
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