Blog do Desemprego Zero

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Mais uma barbeiragem na política monetária

Postado em 22 dAmerica/Los_Angeles janeiro dAmerica/Los_Angeles 2009

 

* Heldo Siqueira

A administração da política monetária não esgota-se na decisão do nível da taxa de juros básica. Tão (ou mais) importante que isso é a percepção e a administração das expectivas dos agentes quanto à política monetária. Por basear as outras taxas de juros, a taxa SELIC influencia o nível de investimento privado. Nos últimos meses a administração (incompetente) do Banco Central brasileiro conseguiu formar um consenso sobre a diminuição da taxa SELIC.

Em algum momento de 2008, a cegueira do Banco Central, em diagnosticar todo o tipo de inflação como problema de demanda, pareceu ampliar-se: o Banco Central brasileiro passou a achar que todos os problemas econômicos geravam inflação. No início do ano, quando todos os países desenvolvidos do mundo diminuíam suas taxas de juros (para evitar uma depressão) o Banco Central brasileiro a aumentou até setembro a taxa básica, a mantendo em 13,75% até o fim do ano (clique aqui para ler sobre a trajetória dos juros no Brasil, em 2008, e aqui para ler sobre a trajetória dos juros no mundo).

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Crise do liberalismo ou crise do capitalismo?

Postado em 20 dAmerica/Los_Angeles novembro dAmerica/Los_Angeles 2008

*Heldo Siqueira

Quando Adam Smith escreveu sua “Riqueza das Nações” salientou, entre outras coisas, as vantagens da divisão do trabalho. O processo de particionamento e especialização da produção a tornava mais eficiente e rápida. Algum tempo depois, Karl Marx relembrava que o sistema capitalista levava a divisão do trabalho até as últimas conseqüências[1]: praticamente nenhuma produção tem fim em si mesma. Geralmente, as empresas produzem para revender a outras utilizarão como insumos para a montagem de outras mercadorias. Em última instância, o sentido da produção com certeza é o consumo das famílias, mas um intrincado sistema de negociações entre empresas precede o destino final das mercadorias. Essa característica faz com que qualquer atividade de investimento seja uma atividade de especulação, já que a maioria das empresas depende da demanda de outras para escoar sua produção.

Por outro lado, ao decidir fazer um investimento, o empresário não pensa na demanda atual, mas na demanda que espera para quando sua firma estará em funcionamento. Afinal, há um espaço de tempo entre a decisão de investir e o efetivo funcionamento da firma. Além disso, como esses prazos variam entre os setores da economia, há, em via de regra, um descasamento entre a oferta potencial dos vários setores. Em um ambiente de prosperidade econômica, é natural que os empresários esperem a ampliação de suas vendas, de maneira que projetam suas plantas para anteciparem-se à demanda. Leia o resto do artigo »

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A teoria e a lógica desenvolvimentista

Postado em 13 dAmerica/Los_Angeles outubro dAmerica/Los_Angeles 2008

* Heldo Siqueira

Freqüentemente nos deparamos com a distinção entre economistas liberais e desenvolvimentistas. Trata-se de um entendimento incompleto, afinal, em certo sentido, todos os economistas são desenvolvimentistas, no sentido de buscarem, ao menos em discurso, o desenvolvimento econômico através da elaboração das recomendações de política econômica.

Os liberais, por um lado, acreditam que o motor do desenvolvimento é a busca pelo lucro individual. A impessoalidade do mercado garante a justiça das negociações, favorecendo o espírito empreendedor e levando a eficiência econômica. Por isso, defendem a liberalização dos mercados, para fazer florescer esse espírito competitivo, levando ao desenvolvimento econômico. Nesse caso, a atuação do Estado, frequentemente voltada para alguns grupos específicos, gera ineficiência econômica, pois garante remunerações a agentes ineficientes. A tarefa do Estado, nesse caso, se encerrara em garantir o cumprimento das regras do mercado (segurança, marco jurídico, marco regulatório, e em alguns casos, saúde e educação). Leia o resto do artigo »

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Independência da racionalidade

Postado em 5 dAmerica/Los_Angeles setembro dAmerica/Los_Angeles 2008

 *Heldo Siqueira

Um questionamento recorrente entre os economistas é a possibilidade de existência de uma autoridade monetária neutra em relação às questões políticas. Parece que estamos passando por um período de teste dessa tese. Muitos acreditavam que as políticas dos bancos centrais dos países desenvolvidos eram independentes, e ao BC brasileiro deveria ser dada a mesma autonomia. Nesse caso, a análise da situação por que passam os países desenvolvidos em comparação ao Brasil deve ser importante.

No caso do Banco da Inglaterra, a decisão dessa semana foi por manter a taxa básica de juros em 5% ao ano. Além disso, em abril desse ano, já houve a decisão da autoridade monetária em baixar em 0,25 pp a taxa de juros. (clique aqui para ler sobre as decisões do Banco da Inglaterra) O resultado, é uma inflação de 4,4%, quando a meta é de 2%. (clique aqui para ler os dados na página do Banco da Inglaterra). Provavelmente, em abril a inflação já havia desviado da meta, mas o independente Banco da Inglaterra tomou uma iniciativa inflacionária. Leia o resto do artigo »

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Por um mundo mais livre…

Postado em 26 dAmerica/Los_Angeles agosto dAmerica/Los_Angeles 2008

*Heldo Siqueira

O liberalismo, como concebido por alguns economistas, é representado pelo livre mercado, com mobilidade dos fatores de produção e eficiência na alocação de recursos. O cerne dessa argumentação reside na potência que a atuação individual, em sua natural busca pelo lucro, tem de lidar com a escassez. Do outro lado, o consumidor individual é o soberano que é o único ente que possui o direito natural de entender suas necessidades subjetivas utilizando seus recursos para satisfazê-las.

A questão complica-se se tentamos analisar esse ponto de vista em termos mais apurados. Afinal, se houver uma natureza imutável para cada ser humano, e ele responder da mesma forma sempre que lhe for dado o mesmo estímulo, o ser humano deixar de ter livre arbítrio. Se esse fosse o caso, seria tão inútil quanto desprezível fazer ciência, já que as decisões a serem tomadas corresponderiam à natureza humana, sem que o aprendizado pudesse modificá-la. Ou seja, para adotarmos o livre arbítrio como pressuposto (que é o caso dos liberais) é preciso que não haja natureza humana imutável (como uma mentalidade maximizadora utilitarista, por exemplo). Leia o resto do artigo »

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Flexibiliade no mercado de câmbio

Postado em 25 dAmerica/Los_Angeles agosto dAmerica/Los_Angeles 2008

*Heldo Siqueira

Quando falamos em rigidez de preços, estamos falando em duas perspectivas diversas: 1) a rapidez com o qual o sistema de preços responde a choques de oferta ou demanda; e 2) o grau de distorção que o escalonamento de preços relativos permite como resposta a escassez relativa dos bens. Em um sistema econômico estacionário, não precisamos nos preocupar com distorções no escalonamento dos preços, afinal, os preços sempre tendem à sua escassez relativa. Assim, a questão é apenas descobrir a velocidade com a qual os preços tenderão aos “preços naturais”. Entretanto, em mercados não estacionários a rapidez dos ajustes pode amplificar a distorção dos preços relativos.

Na verdade, os movimentos repentinos nos preços provocam uma mobilização acentuada de recursos. Dessa forma, é impossível prever, com base nas informações anteriores a um choque, a perfeita alocação dos recursos. Mais que isso, o choque, dependendo de quanto mobiliza recursos, modifica o ponto de equilíbrio de longo prazo. Esse é o conceito de “path dependence” segundo o qual, o ponto de equilíbrio do sistema depende do caminho que foi trilhado.

Esse parece ser o caso do mercado de dólares. Vários dos novos países industrializados utilizam a política monetária para manter suas moedas desvalorizadas. Assim, tornam suas exportações mais competitivas e, dessa forma, sustentam seu desenvolvimento. Chegamos a um momento no mercado internacional, dada a crise dos sub-prime, no qual a manutenção do endividamento das famílias americanas era insustentável. Houve, então, um movimento de desvalorização do dólar que tornou a dívida americana relativamente menor. Ou seja, os americanos ficaram relativamente mais pobres, mas menos endividados, podendo-se endividar novamente. Como contrapartida, provocou esse movimento provocou o aumento da maior parte dos preços das “commoditties” cotados no mercado internacional. Dessa forma, a maioria dos países passou a importar inflação dos americanos, sem que nada pudessem fazer para deter esse movimento.

Por outro lado, há nesse momento, uma nova tendência para a valorização do dólar e, conseqüentemente, para deflação nos preços cotados no mercado internacional. Ou seja, o movimento que aumentou os índices de inflação das principais economias do mundo deve regredir e devemos ter o dólar voltando à estabilidade. Por essa perspectiva, a diminuição nos principais índices mensais de inflação - e principalmente os IGP´s, que são mais sensíveis ao câmbio - está completamente descolada da política de juros do Banco Central.

Na verdade, é provável que o aperto monetário tenha sido maior que o necessário e tenhamos que pagar a conta em menos postos de trabalho criados. Tudo por precipitação dos nossos gestores de política monetária.

* Heldo Siqueira: gremista, economista graduado na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Trabalho na Assessoria de Planejamento do IDAF-ES (Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo). Meus Artigos

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Vários pesos e mais medidas ainda

Postado em 20 dAmerica/Los_Angeles agosto dAmerica/Los_Angeles 2008

*Heldo Siqueira

A administração das contas públicas uma tarefa dificílima. Muito além de cuidar de cifras monetárias, trata, fundamentalmente, de agradar interesses políticos, da maneira mais abrangente possível. Em alguns momentos, podemos desnudar alguns desses interesses… Senão vejamos a felicidade (e a felicidade foi colocada por minha conta) estampada na manchete do G1, entitulada “Governo estuda perdoar dívidas de até R$ 10 mil com a União“. Por outro lado, aumentar a licença-maternidade parece provocar mais um custo para os cofres públicos que um benefício para a sociedade… (clique aqui para ler sobre a licença maternidade)

É provável que se leve em conta os R$ 3,6 bilhões que representariam essa renúncia. Além disso, a cifra cobre mais de 4 anos de licença-maternidade. Entretanto, como mostra a própria reportagem, esse valor representa “menos de 0,28% dos débitos em atraso cobrados pelo fisco, que chega a R$ 1,3 trilhão. Além disso, o benefício que as famílias, suas mães e seus filhos terão, com mais tempo de recuperação do processo feliz, mas extremamente cansativo que é a gravidez não pode ser medido em dinheiro.

É provável que os interesses que se preocupam com a saúde das contas públicas, sejam os mesmos interesses que estão se lixando para a saúde das mães e suas licenças-maternidade e possivelmente sejam os mesmos que contribuem para a exuberante cifra de R$ 1,3 trilhão dos devedores. A pergunta que fica é: como ficaria a saúde das contas públicas se os devedores resolvessem pagar o que, POR LEI, devem?

*Heldo Siqueira: gremista, economista graduado na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Trabalho na Assessoria de Planejamento do IDAF-ES (Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo). Meus Artigos

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E se o resto do mundo for incompetente?

Postado em 12 dAmerica/Los_Angeles agosto dAmerica/Los_Angeles 2008

Heldo Siqueira*

Parece plenamente justificável a atitude do BC brasileiro do aperto monetário para conter a inflação. Segundo essa perspectiva, se as expectativas inflacionárias estão acima da meta do BC, trata-se de um desvio da demanda, provocado por uma oferta monetária “frouxa”. Assim, os agentes formam expectativas quanto aos preços, dado que o volume real ofertado é “escasso” e previsível. Nesse caso, a inflação desajustaria os preços relativos, diminuindo a eficiência do mercado em alocar os recursos escassos.

O problema dessa perspectiva está em esquecer que no resto do mundo também há política monetária. Além disso, o resto do mundo pode estar com a política monetária frouxa. Entretanto, um aperto monetário da autoridade brasileira não influencia a demanda no resto do mundo. Assim, a expectativa de inflação brasileira poderia estar influenciada por essa política frouxa e o BC não pode fazer nada em relação a isso. A única alternativa que o BC tem para combater expectativas inflacionárias “importadas” é apreciar o câmbio. Além disso, a apreciação do câmbio deve ser de tal magnitude que compense a inflação importada e ainda provoque uma apreciação real.

Entretanto, diminuindo a absorção interna, o BC está na verdade, diminuindo a perspectiva de demanda real. Em resposta a essa nova demanda real, haveria um ajuste da oferta real, modificando completamente a estrutura produtiva. Assim, quando o câmbio voltar, através do aumento das importações e diminuição das exportações, ao nível de equilíbrio, deveria haver outro ajuste nos preços relativos. Ou seja, o efeito da inflação menor será igualmente diminuir a eficiência do mercado em alocar os recursos escassos. Dessa forma, uma inflação menor que a inflação internacional, conseguida através da apreciação do câmbio, trás os mesmos efeitos de uma deflação.

De fato, a meta de inflação brasileira não parece levar em conta a inflação internacional, caso contrário, deveria ser revista para os anos de 2009 e 2010, quando foram mantidas em 4,5%, mesmo com a inflação internacional em ascensão. Dessa forma, tanto o Conselho Monetário Nacional, por ignorar a complexidade da economia internacional na definição das metas para inflação, quanto o Banco Central, por mesmo percebendo (se é que percebe) o erro do CMN persegue cegamente uma meta de inflação inconsistente com a realidade internacional, estariam sendo incompetentes.

* Heldo Siqueira: Gremista, economista graduado na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Trabalho na Assessoria de Planejamento do IDAF-ES (Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo). (Meus artigos)

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